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Política

Brasil inconsertável – 1ª parte

Brasil inconsertável – 1ª parte

Amigos leitores, quando vejo a cara porca do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) dando entrevista aos repórteres, sinto nojo e me dá ânsia de vômito. Um sujeito que tem uma penca de processos no Supremo Tribunal Federal (12 Ações), há anos, e até agora conseguiu ficar impune, é prova suficiente para concluirmos que algo de muito podre exala mau cheiro no quintal da Pátria desamada Brasil. Renan Calheiros não esconde o seu cinismo – ele foi forjado com o mais impuro dos barros.

A gente sabe que Renan Calheiros se comporta como se demonstrasse desprezo pela ética e moral públicas com o claro objetivo de resguardar privilégios, de se manter intocável no poder e, sobretudo, com o definido propósito de se livrar da Lava-Jato – acabando com a operação e destruindo o juiz Sérgio Moro. Lula e os seus advogados estão por trás disso; nada e ninguém me tirarão essa ideia da cabeça. Pouparei adjetivos negativos para não ser alvo da máfia lulo-petista, a mesma que sabe usar as “influências externas” contra os seus desafetos.

Enquanto Renan Calheiros não ver aprovado o projeto sobre “Abuso de autoridade” (proposta de 2009 por ele desengavetada em junho deste ano) ele não sossega. Ontem, terça-feira, 22 de novembro de 2016, sob sua batuta, o Senado aprovou “regime de urgência” para o PL (Projeto de Lei) que especifica os crimes de “Abuso de autoridade” cometidos, em geral, por membros da administração pública no pleno exercício das suas funções, por agentes da Polícia Federal, por membros do Ministério Público, do Judiciário e afins. Com a aprovação do regime de urgência o PL será analisado e votado diretamente pelo plenário do Senado, sem o parecer prévio das Comissões. A ordem do dia é, o mais rápido possível, frear os Procuradores, a Polícia Federal e a Justiça de 1ª Instância, intimidando a todos, antes que os executivos da Odebrecht comecem a abrir a boca entregando de bandeja os políticos corruptos.

O Ministério Público Federal, o Judiciário e, sobretudo, a força-tarefa da Operação Lava-Jato questionam o referido Projeto de Lei por entenderem que as investigações contra os políticos serão cerceadas. Uma suspeita que tem fundamento. Era previsível que o presidente do Congresso Nacional fosse criar um escudo de defesa em torno dos políticos (deputados e senadores) envolvidos no Petrolão e em outros escândalos de corrupção como o descoberto na Eletrobras, justamente no momento em que as investigações desencadeadas pela “República de Curitiba” os atingissem como flechas pontiagudas.

Hoje, quarta-feira, 23/11, 78 executivos da empreiteira Odebrecht começaram a assinar os acordos de delação premiada em Brasília diretamente com a Procuradoria-Geral da República (MPF), que tomará os seus depoimentos oficiais no segundo passo do processo. O depoimento mais esperado é o do Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora – desde já considero como apocalíptico. Uma vez homologada a delação da Odebrecht não sobrará pedra sobre pedra no mundo político. O cenário é de trevas.

Para refrescar a memória, em abril deste ano a ministra Cármen Lúcia, eleita presidente do Supremo Tribunal Federal em 12 de setembro de 2016, então relatora da Operação Zelotes, abriu um novo processo contra o senador Renan Calheiros. O inquérito investiga um articulado esquema de compra e venda de Emendas parlamentares e Medidas Provisórias, com o direto envolvimento de Renan, Romero Jucá (também senador pelo PMDB) e Gim Argello (ex-senador pelo PTB-DF, preso em abril último na Operação Lava-Jato). João Batista Gruginski, um dos investigados na Operação Zelotes, em depoimento disse que, num encontro com Alexandre Paes dos Santos, ouviu deste que havia em curso uma negociação no montante de R$ 45 milhões em propinas para os citados senadores, desde que favoráveis aos interesses de montadoras de veículos em uma Medida Provisória (MP). Um diário apreendido com João Batista Gruginski foi o ponto de partida para se desvendar o caso, assim como o bloco de anotações pertencente ao lobista Alexandre Paes dos Santos, também encontrado pela Polícia Federal, onde nele estavam as iniciais dos nomes dos três políticos citados ao lado de valores.

Por que Renan Calheiros ainda não foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal? Se o fosse, no tempo certo, muito estrago seria evitado na política brasileira, não haveria risco de prescrição (é a perda do direito de punir do Estado pelo seu não exercício em determinado lapso de tempo) e não daria ao criminoso político a sensação de eterna impunidade. É lógico que Renan Calheiros atende a muitos interesses no submundo do poder, por isso, ainda é preservado pelos seus iguais. Algo de muito podre exala mau cheiro no quintal da Pátria desamada Brasil.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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