>
Você está lendo...
Fatos em Foco

O brasileiro é racista!

O brasileiro é racista!

Hoje eu assisti a cenas deploráveis, vergonhosas, numa repartição pública aqui de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, a qual me nego divulgar pelo mau exemplo. Um determinado cidadão comum menoscabou um atendente afrodescendente simplesmente pelo fato de o mesmo o ter encaminhado a outra seção especializada na resolução do seu problema. “Se fosse um branco teria me atendido” – disparou o agressor verbal. O funcionário público permaneceu calado e preferiu não entrar em rota de colisão para não se expor e tirou por menos, enquanto o “ariano” continuou bravejando, provavelmente um ignorante no conhecimento das Leis. Se conhecesse o Artigo 331 do Código Penal (CP) – Decreto Lei nº 2848/1940, provavelmente teria agido de outra maneira. Leia-se: “Artigo 331 – Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena de detenção de seis meses a dois anos, ou multa”.

Há tempos escrevi que o brasileiro é racista, por cultura e herança malditas, mesmo sabendo que se trata de crime de injúria qualificada e a generalização perigosa, podendo desencadear um mal-entendido – por ignorância de julgamento. As pessoas negam a prática, mas no trato diário o comportamento é revelador na maioria dos casos. Nessa perspectiva, digamos que uns promovem a “seletividade manifesta” e outros a “seletividade velada”; ambos conseguem enxergar dessemelhanças em seres de mesma grandeza ou valor. O conjunto de sentimentos recalcados geralmente leva o indivíduo a padecer de complexos – superioridade de um lado, e inferioridade do outro –, e ninguém está no mais alto grau da perfeição ou no degrau mais baixo da dignidade. A raça pura (homogeneidade racial) é questionável, ainda que todos os indivíduos deste planeta sejam marcados por caracteres corporais semelhantes e transmitidos hereditariamente.

O conceito acadêmico sugere que preto é todo o homem da raça negra, e que branco, o da raça branca, que juntos com os amarelos, índios e os mestiços, são qualificados primatas, ou seja, pertencem à ordem de mamíferos na qual se incluem os humanos e os macacos. Preconceito, rejeição, discriminação e racismo são formas de cânceres que atacam os mortais, que desprezam o remédio da compassividade ou do amor ao próximo. Lamentavelmente, a cor da pele é um fator indispensavelmente considerado por muitos na determinação da boa casta. Todos nós estamos na mesma nave espacial e dependemos uns dos outros na luta pela sobrevivência. Tem gente que ainda não entendeu isso. Se você não se considera racista, nem de um lado como noutro, então permaneça como está, porque ninguém é melhor do que ninguém, ou superior na sua avaliação pessoal. Deus pode ser criticado por ter criado os humanos com tantos detalhes visíveis. Os animais irracionais são mais felizes porque se aceitam.

Nota de rodapé: Pesquisando a Lei. Inafiançável. Pelo Artigo 5º, inciso XLII da Constituição Federal, “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão”. Injúria. Em muitos casos, porém, o crime acaba sendo caracterizado como injúria, como aconteceu com o jogador de futebol da Argentina, Leandro Desábato, acusado pelo jogador Grafite, do São Paulo, de racismo, na quarta-feira, 13 de abril de 2005. Pelo Artigo 140 do Decreto-lei 2.848/40, do Código Penal, injuriar alguém, “ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro”, pode acabar em pena de um a seis meses de prisão, ou multa. Crimes consequentes. Já a Lei 7.716/89 determina diversos crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, como, por exemplo, impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares ou semelhantes abertos ao público ou ainda negar emprego, por preconceito.

Augusto Avlis

Navegue no Blog  opiniaosemfronteiras.com.br e você encontrará 738 artigos publicados em 14 Categorias. Boa leitura.

Anúncios

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 145 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: