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Cidades

Inferno na praia

Inferno na praia

Resolvi caminhar no calçadão da praia de Itaparica até a praia de Itapoã, aproveitando o dia de hoje, domingo, 06 de novembro de 2016 – aliás, estava bastante convidativo. Este período é considerado média temporada, de modo que o fluxo de pessoas não é dos melhores. Fui alvo de abordagens exageradas por parte dos funcionários dos quiosques, que queriam me levar quase que à força para dentro deles e consumir alguma coisa – essa “alguma coisa” que é o grande perigo. Foi difícil desvencilhar-me. Para driblar a crise vale tudo, mas, por incrível que pareça, os quiosqueiros ainda não aprenderam a trabalhar direito e continuam não sabendo atrair bons clientes. Falhas gritantes persistem: banheiros sujos e com falta d’água, demora no atendimento, você pede um produto e vem outro diferente, tabela de preços com valores errados e/ou defasados, copos mal lavados e com cheiro de ovo, conta errada, cobrança de 10% por um péssimo serviço prestado, cobrança de couvert artístico quando na verdade o cantor-músico (de tão ruim) deveria nos pagar para ouvi-lo, som alto que impede a conversa em baixo tom, máquina de cartão de crédito que não funciona, etc, etc. Caminhei cinco Km pra lá e cinco Km pra cá. Voltei pra casa, tomei um belo banho e bebi Cerveja Long Neck, talvez duas dúzias, assistindo ao jogo do Cruzeiro (4) x Fluminense (2), pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro. Depois, como sempre, fui mexer no arquivo “quase morto”. Veja o que eu encontrei – texto abaixo escrito em dezembro de 2004 – e leia com atenção.

Pobres dos moradores do prédio Fontana di Trevi, orla da praia de Itaparica, aqui em Vila Velha. Nos finais de semana, os “malucos” colocam os seus infernais carros lado a lado, abrem o porta-malas e dão início à disputa de quem toca mais alto o lixo musical, entre os quiosques Marujo (99) e Di-Araque (90). Ninguém pode reclamar, inclusive os próprios comerciantes, sob risco dos desordeiros partirem para a violência. […] Essas manifestações de desrespeito ultrapassam os limites da racionalidade, deixam as pessoas boas completamente estarrecidas, no mesmo instante que as más se julgam com o poder de fazer tudo o que bem entendem. Uma senhora, que acabara de pagar a conta, disse: “A descontração sadia e o lazer não existem mais pra mim. Os direitos se confundem e as obrigações são esquecidas. Viver em sociedade está se tornando cada vez mais difícil”. Quem discorda?

Este texto foi publicado pelo Jornal A GAZETA, Vitória (ES), quinta-feira, 09 de dezembro de 2004.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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