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Política

A sina do descaso

A sina do descaso

Aqui no município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, o então deputado federal Max Filho 45 (PSDB-ES) venceu as Eleições 2016 no 2º Turno (30/10), portanto, ocupará a cadeira de prefeito a partir de 01 de janeiro de 2017. Max Filho foi eleito com 119.872 votos válidos (58,91%), derrotando o candidato Neucimar Fraga 55 (PSD-ES), que obteve 83.622 votos (41,09%). Os Votos Brancos somaram 12.706 e os Votos Nulos 23.116. Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Vila Velha tem 316.619 eleitores distribuídos em 902 Seções Eleitorais, o que concluo que o número de abstenções chegou a 77.303, eleitores esses que deixaram de votar no 2º Turno, correspondendo a 24,42% – um índice elevado, contudo, visto como “normal”, considerando-se o desencanto dos eleitores com relação à política nacional. De cada grupo de 100 (cem) eleitores “Canelas Verdes”, 24 ficaram em casa curtindo o sofá da sala ou “queimando” a asa de frango e a linguiça de 5ª no braseiro do vizinho, tomando umas ao som de Sertanejo Universitário.

Ao candidato derrotado, Neucimar Fraga, e ao prefeito que deixa o cargo, Rodney Miranda (DEM-ES), eu desejo boa sorte e que cada qual continue a sua caminhada política. Antes que ponham o pé na estrada, recomendo que leiam o que eu escrevi numa quarta-feira, 22 de junho de 2005, no meu apartamento, aqui mesmo em Vila Velha. O objetivo da leitura é mostrar que há um espaço enorme entre a realidade dos munícipes e os discursos de campanha, que nada de novo mostram, reforçam teses arcaicas e servem tão somente como fanfarras para a distração dos ineptos. Leiam abaixo.

Coqueiral de Itaparica (Vila Velha), já começa a mostrar traços peculiares de cidade grande, com todas as mazelas a que tem direito. Com a inauguração da Avenida Saturnino Rangel Mauro (antiga Avenida Aracruz; e ainda existem placas com esse nome), a Avenida Santa Leopoldina, ao contrário do que se esperava, teve um crescimento no fluxo de veículos, e com ele, o aumento da falta de respeito dos motoristas que nela trafegam em velocidade excessiva, não compatível com os limites estabelecidos – a pista de corrida foi oficializada com a retirada da maioria dos quebra-molas. Perdi as contas das vezes que escapei de ser atropelado, e riscos a gente corre todos os dias. Os carros não são as únicas ameaças – calçadas irregulares, com desníveis e depressões, bueiros destapados, se constituem verdadeiras armadilhas que têm causado acidentes graves e topadas generalizadas. Na contramão do trânsito, carroceiros guiam os seus cavalos esquálidos, que carregam toda sorte de entulho. Os poucos espaços reservados aos pedestres, ao longo da Avenida, foram tomados por estacionamentos, barracas de caldo de cana, chaveiros, bancas de jornal, vendedores de frutas, churrasquinhos, lanches, negociantes de panelas, etc. – é sujeira pra todo lado –, sem contar com os menores infratores que cheiram cola e dormem ao relento. Quase que diariamente eu caminho no trecho compreendido entre o supermercado Carone Itaparica (Rua Itaiabaia) e a Rodoviária Municipal de Vila Velha (cruzamento da Avenida Santa Leopoldina com a Rua Itagarça) – com pouco menos de 1 km de extensão, esse percurso é repleto de problemas estruturais. As Ruas Ibitirana e Itaipava são de terra e por isso contribuem para a proliferação da poeira no bairro. A Rua Iriri é parcialmente asfaltada, mas nos fundos do Restaurante e Pizzaria Zepellin tem um terreno baldio onde foi oficializado um lixão com direito à hospedagem de simpáticos urubus. A Rua Itaoca só foi asfaltada deva-se à mobilização e à pressão exercidas por moradores e comerciantes, que não aguentavam mais os transtornos decorrentes da falta de pavimentação. O poder público é e está ausente – prova disso, toda vez que desaba uma chuva forte, o acesso às 2ª, 6ª e 7ª Etapas fica praticamente impossível devido aos alagamentos, que também assolam praticamente todo o município. Qualidade de vida só deva existir nos quadriláteros onde moram os políticos abastados – de repente, eu consiga autorização para morar na Ilha das Garças, e resolva ficar por lá. Vila Velha, Espírito Santo, quarta-feira, 22 de junho de 2005.

Passados 11 anos e quatro meses da data em que escrevi o texto acima, pouquíssima coisa mudou de lá pra cá, de modo que em nada interferiu para que mudássemos de opinião. Resta saber se nas Eleições Municipais de 2020 eu serei obrigado a repetir este artigo novamente, sem ter que alterá-lo. Outra coisa que não posso garantir é se estarei vivo – se estiver o meu voto será facultativo. Na posse de Max Filho estarei presente e conversarei pessoalmente com ele sobre a Ilha das Garças, a qual eu contemplo da janela do meu apartamento – nela não tem sede de Prefeitura.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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