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Política

Desespero – 3ª parte.

Desespero – 3ª parte.

Minha mãe tinha o costume de matar ratos na nossa casa do Rio de Janeiro, ela sentia prazer em ver o sofrimento dos bichos, porque os matava com requintes de extrema crueldade por considerá-los nocivos, capazes de trazer doenças aos seus familiares. À noite os ratos saíam da padaria, do açougue, da quitanda, do armazém, do bar da esquina e passeavam livremente pelas casas para comerem a comida dos cachorros, dos gatos e dos passarinhos, restos das latas de lixo, enfim, tudo de comestível que encontravam pela frente, e tinham direito à escolha.

Minha mãe ficava à espreita. No corredor lateral da nossa casa tinha um encanamento feito com manilhas de barro para a passagem da água da chuva, onde os ratos, nossas visitas diárias indesejáveis, se escondiam antes de atacar. Minha mãe entrava em ação. Pegava uma gaiola e a colocava com a portinhola aberta em uma das bocas (de saída) das manilhas. Quando o referido encanamento abrigava uma considerável população de ratos, ela, a minha mãe, lançava fogo na boca de entrada usando uma bola feita de jornal. Moral da história, os ratos corriam feito loucos e se enfiavam dentro da gaiola que era prontamente fechada para o começo do ritual macabro. Em seguida, a senhora bondosa, que chamo carinhosamente de mãe, derramava todo o conteúdo de um litro de álcool sobre eles e ateava fogo. Os ratos gritavam, mordiam-se, pulavam e exalavam um cheiro insuportável. Segundos depois, silêncio sepulcral; minutos depois, restavam apenas cinzas dos infelizes ratos. As respectivas cinzas, depois de devidamente cadastradas, eram entregues aos comerciantes criadores de ratos.

Esta tarefa a minha mãe repetia dia após dia, mas não conseguia acabar com os ratos, que não se intimidavam com a perspectiva de morrerem torrados, até que os comerciantes locais resolveram se unir e promover uma sistemática desratização coletiva com veneno de boa marca e qualidade, até porque não tinham lugar para guardar tanta cinza. Ficamos alguns bons anos sem a companhia dos bichinhos roedores e a minha simpática mãe foi obrigada a inventar outro tipo de tortura para o seu deleite – as vítimas da vez foram os carrapatos dos cachorros. Hoje, aos 90 anos de idade, de vez em quando ela encontra um camundongo perdido no quintal e vai à forra, revivendo momentos do passado, mas, confidenciou a um dos filhos que gostaria de caçar um político corrupto. Perguntada se teria alguma preferência, ela respondeu: “Várias preferências, mas, me contento em começar queimando o Lula, e prometo que entregarei as cinzas dele à sua amante Rosemary Noronha, aquela safada feia com cara de travesti”. Minha mãe sabe das coisas.

Qualquer semelhança entre ratos e políticos corruptos é mera coincidência – a diferença está nos instintos. Ratos nunca serão extintos, políticos corruptos também não. O que pode ser feito é diminuir a sua população empregando a estratégia certa, como a minha querida mãe fez com famílias inteiras de ratos, ainda que adotasse “Leis primitivas” para atingir os seus objetivos. Lula tenta sobreviver ao fogo das gaiolas e para isso conta com um arsenal de argumentos e com um grupo seleto de advogados especializados em defender criminosos poderosos, pagos com pedras preciosas tiradas da coroa, dispostos a construir uma redoma fantasiosa em torno do ídolo com pés de barro, Lula.

“Lula é vítima da mídia”. “Lula é vítima de uma guerra de manipulação com o uso de acusações absurdas e totalmente sem provas”. “Lula é vítima de perseguição política”. “Lula é vítima de forças ocultas que querem inviabilizá-lo para as eleições de 2018”. “Lula é vítima de uma farsa lulocêntrica”. “Lula é vítima da narrativa para criminalizar os seus mandatos”. “Lula é vítima quando o acusam sistematicamente de ser o proprietário de imóveis valiosos”. “Lula é vítima da minha mãe, que quer queimá-lo vivo”. A meu sentir, Lula é vítima dele próprio. Minha mãe tem toda a razão, só o fogo acabará com esta praga maldita!

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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