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Política

Desespero – 2ª parte.

Desespero – 2ª parte.

Lula pode ser ignorante, desqualificado, desprovido de cultura, mas não é trouxa, babaca. Prevendo o que poderá acontecer com ele no desenrolar das investigações da Lava-Jato e no andamento dos processos em outras Varas Federais, tratou logo de ir à Organização das Nações Unidas – ONU, através dos seus advogados, para denunciar violações cometidas pelo juiz federal Sérgio Moro na condução da Operação Lava-Jato, ferindo o “Princípio do devido processo legal”. Tal ‘Princípio’ assegura a todos os cidadãos o direito a um processo com todas as suas etapas previstas nas Leis e todas as garantias constitucionais, sobretudo a ampla defesa, que jamais será subtraída de qualquer réu no julgamento do Petrolão. Esse é o maior e o mais emblemático escândalo de corrupção jamais visto no Brasil, portanto, a total e absoluta transparência das diversas fases da Operação Lava-Jato é condição “sine qua non”.

Lula e seus advogados fazem-se de desentendidos, ou querem passar para a opinião pública uma imagem de singela vitimização – esquecem eles de considerar o verdadeiro conceito de delinquente e vítima, esta última figura mormente não tratada convenientemente pelo Estado punitivo. Aqui não há o que se falar em esquecimento propositivo de agentes, tampouco na seletividade dos autos. Um fator preponderante pesa sobremaneira no Petrolão, esquema originário da Operação Lava-Jato, a existência de um ministro do Supremo Tribunal Federal para acompanhar todas as fases da Lava-Jato; o sorteado foi o Ministro Teori Zavascki para ser o relator da Operação Lava-Jato no STF. Nesse sentido, cai por terra a suspeita levantada pela defesa de Lula no que diz respeito às supostas violações cometidas pelo juiz Sérgio Moro na condução da Operação Lava-Jato; se assim o fosse, o próprio Teori Zavascki não teria indeferido tantos recursos impetrados pelos advogados dos acusados.

Conforme já relatei, os advogados de Lula querem encontrar pelo de cavalo em ovo de galinha, querem descobrir motivos para denunciarem “vícios processuais”, além de rotularem como intempestivas as decisões da “República de Curitiba”. Quem se candidata a fiel da balança? Além do mais, todos os veredictos (Julgamentos declarados e/ou ditos por alguém cuja autoridade lhe permite fazê-lo; sentenças) dados pelo juiz Sérgio Moro são geralmente ratificados em Instâncias superiores, sobretudo pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), responsável pelos processos da Lava Jato, quando provocada pela defesa dos réus condenados. Às vezes, o motorista tem que frear o caminhão para arrumar a carga – os advogados dos denunciados insistem em ficar desarrumados, em desordem, ainda que procurem se articular, mas, nota-se clara inconsistência nos seus atos.

Qual foi a primeira ideia que veio à cabeça do inventor da corda? Enforcar pessoas ou usá-la para outros fins? Se os advogados do ex-presidente Lula não conseguirem responder essa pergunta, devidamente munidos de provas, já terão andado meio caminho rumo ao fracasso. Lula, agora sem Foro privilegiado, virou simples mortal, e está prestes a ser condenado (100% de chance) em primeira Instância pelo juiz federal Sérgio Moro dentro da Operação Lava-Jato. Sérgio Moro marcou ontem, 28/10, as primeiras audiências de acusação contra o ex-presidente na Justiça Federal do Paraná. Nos dias 21 e 25 de novembro próximo serão ouvidas, como testemunhas de acusação, os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, o ex-deputado federal Pedro Corrêa (Pedro da Silva Corrêa de Oliveira Andrade Neto – nome tão grande quanto a sua desonestidade), o ex-senador Delcídio do Amaral, o doleiro Alberto Youssef e o lobista Fernando Baiano. A título de recordação, no dia 20/09 deste ano Sérgio Moro acatou integralmente a denúncia feita pelo MPF contra Lula, tendo como objetos três contratos da OAS com a estatal Petrobras e a “propina disfarçada” paga a Lula por essa empreiteira no montante de R$ 3,7 milhões – valor esse diluído em benesses. Lula nega.

Na sessão realizada na quinta-feira, 06 de outubro de 2016, o Supremo Tribunal Federal, por 06 votos a 05, decidiu por prisão de condenado em 2ª Instância, mantendo o entendimento anterior daquela Suprema Corte no que tange à decretação da prisão de réus condenados após julgamento em 2ª Instância. Nesse sentido, os recursos meramente protelatórios perdem o sentido porque o condenado já estará preso antes do Trânsito em julgado, de modo que o princípio constitucional da “presunção de inocência” cessa automaticamente após a confirmação da sentença pela 2ª Instância. O juiz Sérgio Moro condenando Lula, certamente a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), responsável pelos processos da Lava Jato em 2ª Instância, ratificará o veredicto. Quem apostar o contrário perderá.

Lula está em pânico. Os advogados viram na ONU uma tábua de salvação, último recurso para resolver uma situação extremamente aflitiva pela qual passa o ex-presidente, de modo que protocolaram documento na Organização das Nações Unidas em julho último, acusando o juiz Sérgio Moro e os investigadores da Operação Lava-Jato de terem violado o Pacto de Direitos Políticos e Civis. Eu duvido, dê, ó, dó, que a ONU vá se meter nos problemas internos do Brasil, vá questionar o exercício das Instituições. Se o fizer, estará interferindo na soberania nacional. Vejo a ONU como um organismo meramente administrativo, as reuniões dos seus membros mais parecem encontros de acadêmicos. Quem já foi a uma reunião dos “imortais” na Academia Brasileira de Letras (ABL) sabe perfeitamente o que estou dizendo.

Lendo o jornal A GAZETA (Vitória, ES), edição de sexta-feira, 28 de outubro de 2016, tomei conhecimento da seguinte manchete: ONU – Registro da denúncia de Lula contra Moro é formalidade. Segue a notícia: Uma porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU) informou ontem que o registro feito pela defesa do ex-presidente Lula (PT) contra o juiz Sérgio Moro junto à Comissão de Direitos Humanos da entidade não representa obrigatoriamente a admissibilidade do processo. Em comunicado, o organismo, que tem sede em Genebra, na Suíça, explica que se trata de uma “formalidade”. “Posso confirmar que a Comissão de Direitos Humanos da ONU registrou formalmente uma solicitação apresentada pelo ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva”, diz a nota, que também comunica que o registro aconteceu na quarta-feira. A Comissão ainda deve examinar a denúncia, oficialmente denominada “comunicação”, para determinar se é admissível ou não, explicou. A “comunicação” foi transmitida à missão do Brasil em Genebra, que “tem dois meses para apresentar observações”. “No total, o tratamento de uma denúncia pode durar até cinco anos”, disse a porta-voz da Comissão. (AG).

Com o devido respeito ao novo secretário-geral da ONU, o ex-primeiro-ministro de Portugal Antonio Guterres, indicado pelo Conselho de Segurança da entidade para substituir o sul-coreano Ban Ki-moon, e, considerando, ainda, os fortes laços de amizade que unem Brasil e Portugal, convenhamos, o “patrício” não quererá meter a mão em cumbuca, ou se intrometer onde não deve. A questão dos refugiados na Europa, sem dúvida alguma, será um dos temas mais espinhosos da sua gestão à frente da ONU, de modo que Antonio Guterres não terá tempo para assuntos menores. Caso se interesse em “proteger” os corruptos da Petrobras, como Lula, em primeiro lugar deveria defender os interesses dos milhares de acionistas estrangeiros que perderam dinheiro com a derrocada da Petrobras por conta da corrupção desenfreada implantada na estatal pelo grupo político comandado por Lula desde o primeiro dia do seu primeiro governo como presidente da República, em 01 de janeiro de 2003. Outras perguntas são cabíveis a Antonio Guterres: Como ficarão as ações na Justiça impetradas pelos investidores americanos contra a Petrobras? Como indenizá-los? Estas questões devem ser respondidas pela ONU, com primazia, antes de opinar sobre o pedido do Lula. E tem mais: Qual papel a ONU assumiu na Guerra do Iraque e do Afeganistão, no problema da Síria, com relação ao terrorismo internacional e diante dos crimes contra a humanidade cometidos pelo Estado Islâmico? Como Lula pode observar, o buraco é mais embaixo.

Dá a impressão que as Instituições brasileiras são acéfalas, motivo pelo qual as impede de resolver domesticamente os seus próprios problemas, sobretudo na esfera judicial, causados por gente de nacionalidade brasileira. Lula não tem mais a quem recorrer. Deus já virou as costas, os santos não ouvem mais as suas súplicas, e até o Padim Ciço não o reconhece como filho, ainda que literalmente bastardo. É dramática a situação do Lula. Provas contra ele estão se avolumando em várias frentes de investigação. Já é réu em três ações penais, de modo que o seu castelo de cartas está ruindo, e daqui a pouco o próprio PT irá execrá-lo. Olhando o problema com outros olhos, deixando os sentimentos primitivos de lado, concluo que Lula e os seus advogados de defesa estão certos agindo dessa maneira. A ordem do dia é negar tudo, sempre, tumultuar o processo o quanto se possa e desqualificar a Justiça brasileira, quando esgotadas as tentativas de corrompê-la. A essa altura do campeonato eu não saberia precisar se a opinião pública (?) ainda está de mãos dadas com o “Lulinha paz e amor”, do lado dele, como esteve cegamente no passado. Ostracismo, morte política, prestar contas à Justiça, tudo isso pode ser evitado com a sua “morte pessoal”, ainda que natural por obra do acaso. Que a Justiça seja feita, ainda que tardia, a bem da verdade, a bem da moralidade pública, a bem da ordem constitucional. De todo modo, não dá para prever o resultado final. Ultimamente eu tenho evitado falar no nome de Lula. Lula é a verdadeira merda em pessoa. Diz o dito popular: “Quanto mais se mexe na merda, mais ela fede”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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