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Política

Duda Mendonça e o galo.

Duda Mendonça e o galo.

Na madrugada da terça-feira, 25/10/2016, eu sonhei com o primeiro “marqueteiro oficial” de Lula (2002), o espertalhão do Duda Mendonça. Um sonho nada convencional, ainda mais que fui deitar com a cabeça vazia, nem de longe imaginaria que um personagem desse naipe fosse aparecer vagando nas minhas confusas fantasias que costumeiramente tenho durante o sono; algumas das quais me levam ao orgasmo, mas não é esse o caso. Antes ter sonhado com a Wilza Carla. Quem não se lembra da Dona Redonda, personagem que ela interpretou na primeira versão da novela Saramandaia, da Rede Globo em 1976? Sonhar com ela explodindo novamente de tanto comer seria o máximo. Os políticos também deveriam explodir de tanto “comer” dinheiro público, diria a Dona Redonda.

O publicitário Duda Mendonça (José Eduardo Cavalcanti de Mendonça, Salvador, Bahia, 10 de agosto de 1944), ganhou mais notoriedade nacional pelo seu envolvimento na Ação Penal 470, mais conhecida como Mensalão do PT; isso ocorreu em agosto de 2005, acusado formalmente de Lavagem de dinheiro e Evasão de divisas. Duda Mendonça confessou que abriu conta nas Bahamas para receber R$ 10 milhões como parte do pagamento pelos serviços publicitários e de consultoria política prestados ao Partido dos Trabalhadores, segundo ele, seguindo orientação do empresário Marcos Valério, o “Carequinha” operador do Mensalão, condenado na mesma Ação a quase 40 anos de prisão. De acordo levantamentos, após a eleição de Lula, os contratos de publicidade que Duda Mendonça teria assinado diretamente com a Presidência da República chegaram a R$ 150 milhões, e que somados aos contratos obtidos com estatais administradas pelo governo federal esse montante atingiria a R$ 400 milhões. Isso é o que se sabe, o que não se sabe é o valor da propina desviada para o PT, para os bolsos de Lula, de Delúbio Soares, etc. Em 2012, no julgamento da Ação Penal 470, o plenário do Supremo Tribunal Federal absolveu Duda Mendonça e a sua então sócia, Zilmar Fernandes, das duas acusações que pesavam sobre eles, Lavagem de dinheiro e Evasão de divisas – lembrando que eles eram os únicos réus que respondiam por esses dois crimes conjuntamente. Bacana.

João Santana e Monica Moura (sócia e esposa) foram presos pela Polícia Federal quando desembarcavam em São Paulo numa terça-feira, 23 de fevereiro de 2016. Era a 23ª fase da Operação Lava-Jato, batizada de Acarajé. Eles se encontravam na República Dominicana a trabalho. Ambos são acusados de terem recebido pagamentos em contas secretas na Suíça (novidade!) pelos serviços publicitários e de consultoria política prestados ao Partido dos Trabalhadores durante as três últimas eleições presidenciais (campanhas 2006 Lula, 2010 e 2014 Dilma Rousseff). Já vi este filme antes. O último marqueteiro do PT, João Santana, e sua mulher Monica Moura, foram soltos da carceragem da Polícia Federal em Curitiba após o casal ter pedido de liberdade provisória aceito pelo Juiz Federal Sérgio Moro no dia 01 de agosto de 2016 depois de pagarem fiança (R$ 28,7 milhões para ela e R$ 2,7 milhões para ele). Restou provado o recebimento no exterior de dinheiro oriundo dos cofres da Petrobras, movimentado pela quadrilha do Petrolão. Segundo os investigadores da Lava-Jato o valor passa dos US$ 12 milhões. Monica Moura abriu mais a boca do que o seu marido João Santana. É lógico, público e notório, que o baiano João Santana, o “Feira”, não terá na Justiça a mesma sorte do seu conterrâneo Duda Mendonça. O modus operandi do PT se consolidou nos 13 anos em que esteve no poder da República – coincidência, ou não, 13 é o número do Partido Político PT, corrupto na essência, na forma, no conteúdo e na maneira de tratar os seus pares.

Podemos identificar algumas diferenças entre o Mensalão de Duda Mendonça e o Petrolão de João Santana? Sim, até agora são algumas essas diferenças. 1ª. O volume movimentado de propina; 2ª. As céleres investigações da Polícia Federal e encaminhamento dos processos por parte do Ministério Público Federal; 3ª. Ação irretocável de Juiz Federal de 1ª Instância, Sérgio Fernando Moro, que comanda desde 2014 o julgamento dos crimes apurados na Operação Lava-Jato, os maiores casos de corrupção e lavagem de dinheiro até então comprovados no Brasil, envolvendo partidos políticos, agentes políticos e públicos, empreiteiros, funcionários da Petrobras e outras estatais, empresas privadas, pessoas físicas e jurídicas, etc.; 4ª. Menor “interferência” do Supremo Tribunal Federal (STF), que se abstém, agora, de sujar as mãos; 5ª. Chefões do crime organizado na mira da Justiça, como Lula, com a possibilidade real de pararem atrás das grades; 6ª. Apoio total e irrestrito da população à atuação da Lava-Jato; 7ª. Punição aos criminosos praticantes de atos espúrios, rotulando a impunidade como história do passado; 8ª. Sensação de ver o Brasil ser passado a limpo; 9ª. Esperança de ver a política brasileira ser alvo de severa assepsia, tanto na sua indispensável e inadiável reforma, quanto no derradeiro afastamento dos políticos venais, conspiradores da ordem e paz públicas, ladrões do erário, destruidores da democracia, aqueles que conspurcaram a Pátria; 10ª. Dar nomes aos bois, mandantes dos crimes contra a vida, a exemplo do assassinato em 2002 do prefeito da cidade paulista de Santo André, Celso Augusto Daniel (PT). O Brasil quer saber quem mandou matá-lo e por qual motivo. O corporativismo impregnado nas Instituições sempre acobertou crimes políticos no Brasil, além de muitos outros, delitos de toda ordem, de vários matizes e níveis de mando e execução.

Diz a máxima: “O ladrão sempre volta à cena do crime”. Digo eu: “Quando o criminoso não é punido exemplarmente pelos crimes que cometeu ele se fortalece e volta a cometê-los com a maior desenvoltura e mais confiante na impunidade”. Foi isso que aconteceu com Duda Mendonça, que teve a “cara livrada” pelo STF no julgamento do Mensalão e retornou ao mundo do crime, aliás, nunca saiu dele; está sempre nos governos abocanhando verbas públicas de forma espúria. Há pouco mais de três anos, em julho de 2013, a Polícia Federal indiciou o publicitário Duda Mendonça, junto com outras 23 pessoas, por suspeitas de desviar recursos do projeto “Jampa Digital” no valor de R$ 1,6 milhão com a finalidade de financiar a campanha do governador do Estado da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB-PB), reeleito em 2014, e do seu vice-governador (deputado federal) Rômulo Gouveia (PSD-PB) em 2010. O programa “Jampa Digital” tinha o propósito de levar o serviço de Internet sem fio (rede) gratuitamente à população da capital João Pessoa, orçado perto de R$ 40 milhões e tendo o Ministério da Ciência e Tecnologia como entidade pública financiadora. Importante ressaltar que o programa “Jampa Digital” foi criado com o principal objetivo de desviar dinheiro público mediante superfaturamento e definição dos destinatários finais do dinheiro, segundo o que revelaram as investigações da Polícia Federal. É bom deixar claro que o publicitário Duda Mendonça foi o responsável pela campanha política de Ricardo Coutinho e Rômulo Gouveia – além de ter recebido altas verbas publicitárias, também foi “agraciado” pela PF com seu indiciamento no crime de Lavagem de dinheiro, o mesmo crime que respondia no STF no “mal resolvido” processo do Mensalão. Até agora nada, até o presente momento não se ouve falar como anda o processo. Duda Mendonça anda tranquilamente à margem das Leis brasileiras.

Eu faço questão de deixar registrado esse comentário, assim como muitos outros, porquanto a minha cabeça não anda lá muito boa. A ideia é não perder o registro histórico, importante para entendermos a movimentação das pedras no tabuleiro político brasileiro, de modo que não ficarei surpreso se o nome do Duda Mendonça aparecer a qualquer momento na evolução das investigações da força-tarefa da Lava-Jato, unindo-o (o seu nome) a diversas práticas criminosas. Onde aparece o PT, aparecem as digitais do Duda Mendonça, independente do número de dedos fotografados. Os publicitários Duda Mendonça e João Santana, como amigos e bons baianos que são, entendem-se perfeitamente nas sombras do poder e devem ter “trocado figurinhas” nos subterrâneos de Brasília. Se a PF e o MPF quiserem futucar o Diabo com vara longa acabarão descobrindo alguma coisa de escabroso, até porque ambos, Duda Mendonça e João Santana, têm algo muito em comum, ou seja, fizeram Marketing político para vender ao povo produtos de 5ª categoria como se fossem de 1ª e, para essa finalidade, usaram as mesmas metodologias, sobretudo ilusionismos.

Considerando que a minha cabeça ainda pode produzir frutos de relativa qualidade, a propósito do título deste artigo, “Duda Mendonça e o galo”, divido com os meus milhares de leitores a lembrança que se segue. Provavelmente alguns de vocês não se lembram. Duda Mendonça era responsável pela campanha do PT nas eleições municipais de 2004 em São Paulo. Mas, o que isso tem a ver com o galo? Tudo. Durante a campanha, mais precisamente na noite duma quinta-feira, 21 de outubro de 2004, ele foi preso em flagrante durante uma operação desencadeada pela Polícia Federal de repressão às rinhas de galos num sítio localizado entre os bairros do Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Presentes ao local, a PF contabilizou mais de 200 pessoas, dentre elas, um vereador do PT-RJ que respondia pelo nome de Jorge Babu (Jorge Luis Hauat) – certamente amigo íntimo do Duda Mendonça. E por falar em “amigo íntimo”, também a título de registro, lembro aos amigos que em 2008, o então Secretário Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou numa entrevista coletiva sobre a operação contra a milícia no Rio de Janeiro, que o deputado estadual Jorge Babu (suspenso Sine die do PT), eleito em 2006, estava diretamente envolvido com a milícia. Como podemos observar, Duda Mendonça sabe escolher bem as pessoas com as quais anda e convive – tal conceito de escolha também vale para os candidatos com os quais trabalha nas campanhas políticas.

Voltando ao assunto principal. A “casa de sacrifícios das aves” era composta por três arenas para a realização das rinhas e por viveiros onde os galos de briga eram colocados antes (ainda vivos) e depois das disputas (mortos, ou quase mortos). A Polícia Federal encontrou no local aproximadamente 100 galos, grande parte deles apresentando ferimentos graves. Depois de pagar fiança no valor de R$ 1.000,00, Duda Mendonça obteve liberdade provisória da Justiça do Rio de Janeiro, concedida pelo Juiz substituto da 26ª Vara Criminal do RJ, Sérgio Luiz Ribeiro de Souza. Para fundamentar o pedido de liberdade provisória, o advogado de Duda Mendonça considerou: “Para todas as infrações é possível o arbitramento de fiança, e que, no caso, não estão presentes os fundamentos e requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva”. Duda Mendonça foi indiciado pelos crimes de Formação de quadrilha, Apologia ao crime e Maus tratos contra animais. Daí pra frente não aconteceu absolutamente nada e Duda Mendonça continuou cometendo os mesmos crimes, matando galos e elegendo criminosos. Duda Mendonça anda tranquilamente à margem das Leis brasileiras.

Num domingo, 07 de novembro de 2004, eu escrevi o texto a seguir, respondendo a seguinte pergunta: “Você é favorável à legalização da rinha, briga de galos?” – Há pessoas que tendem a valorizar o que é ilegal, e, se for legitimada a prática do que é contrário à lei, perde a graça. Por isso, sou absolutamente favorável à ideia de legalização da rinha, briga de galos, desde que as aves façam curso de defesa pessoal, sejam inscritas no MMA, UFC, tenham plano de saúde e, sobretudo, plano funerário. Não fosse a notoriedade do Duda Mendonça e a sua prisão em flagrante, numa operação da Polícia Federal às rinhas de galo, num sítio localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, este caso jamais teria tomado tamanha dimensão. Segundo a Legislação Ambiental, essa prática é tida como crime ambiental, enquadrada no seu Artigo 32, que prevê pena de detenção de três meses a um ano (podendo ser aumentada de um sexto a um terço, se ocorrer morte do animal), além de multa. O Artigo 32 condena, ainda, “o ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”. Duda Mendonça como Marqueteiro do “Lulalá”, especializou-se em domesticar sapos para alegrar o povo; mexer com galos, definitivamente, não é a sua melhor praia, porém, tem pronto um projeto para a criação de galinhas de raça na Granja do Torto (*) que serão soltas no Congresso em dias de plenárias, que se juntarão aos chamados “galinhas parlamentares”, biscateiros de plantão. (*) A Residência Oficial da Granja do Torto é uma das residências mantidas pela Presidência da República Federativa do Brasil. É uma propriedade com características de casa de veraneio, localizada no Bairro da Granja do Torto que, assim como o Palácio da Alvorada, situa-se fora do Plano Piloto de Brasília. Excelente escolha do Duda Mendonça; as aves terão muito espaço para ciscarem à vontade. Um fofoqueiro infiltrado me confirmou a notícia de que empresas especializadas no segmento avícola estão se cadastrando para o fornecimento de ração e milho, e que Duda Mendonça teria sido sondado para prestar consultoria quanto ao esquema de concorrências fraudulentas. “Não confirmou, ainda, se aceita o convite”, disse o mexeriqueiro brasiliense introduzido.

Nota de rodapé: Na madrugada da terça-feira, 25/10/2016, eu sonhei com o primeiro “marqueteiro oficial” de Lula (2002), o espertalhão do Duda Mendonça. Um sonho nada convencional: Sonhei que Duda Mendonça estava comendo (ato sexual) a ex-presidente Dilma Rousseff na Granja do Torto, literalmente vestida com fantasia de galinha caipira. Se fosse de galo, certamente colocaria Dilma numa rinha, e, se fosse pego pela Polícia Federal novamente, pediria ao presidente nacional do PT, Rui Falcão, para pagar a fiança, porque o tesoureiro do partido está preso porque deixou as “galinhas parlamentares” com fome.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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