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Esportes

Adeus “Capita”

12“Com enorme pesar, a CBF lamenta que o mundo do futebol tenha sido surpreendido, nesta terça-feira (25), pelo falecimento de Carlos Alberto Torres. Lenda da Seleção Brasileira, o Capitão do Tricampeonato de 1970 morreu no Rio de Janeiro, vítima de um infarto. O velório será realizado no prédio da CBF, na Barra da Tijuca. Os detalhes serão informados em breve. O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, declarou luto oficial de três dias. As bandeiras da sede da entidade estão a meio-mastro. Todas as partidas das competições organizadas pela CBF terão 1 minuto de silêncio. Aos 72 anos, Carlos Alberto Torres deixa um enorme legado de conquistas e colaboração intensa para o desenvolvimento do nosso futebol. Obrigado, Capita. Sua história estará para sempre entre nós”.

Quando soube da morte do eterno Capitão do Tri, veio à minha cabeça algumas recordações. A primeira delas uma frase que ele me falou dias depois da morte de um amigo em comum: “Não dá pra ficar triste com a morte de quem foi feliz na vida!”. Eu não estou triste, apenas com sentimento de perda, um espaço que não se recompõe, um vazio que fica.

Não falarei do ídolo que você foi para o Brasil e para os brasileiros. Não falarei de futebol, da arte que você quis aprimorar, mas que faltaram artistas, telas e pinceis. A mídia acompanhou a sua história, a sua trajetória profissional, de modo que à disposição de todos existe um grande acervo.

Em 1970, outra recordação que trago, estava na Força Aérea Brasileira (FAB) servindo no Esquadrão de Polícia da Aeronáutica (S1QIGPM-69.6001.048), na Base Aérea do Galeão, justamente o local onde a Seleção do Tri desembarcaria, naquela terça-feira, 23 de junho de 1970. O meu comandante, tenente-coronel de infantaria, Amâncio, pediu-me para permanecer no esquadrão e comandar um pelotão de segurança até a saída do carro de bombeiros pela ponte da Ilha do Governador. Em marcha acelerada fizemos todo o trajeto de poucos quilômetros. Lembro-me que ajudei alguns jogadores a subir no caminhão, inclusive você “Capita”. Queria tocar na Taça Jules Rimet, mas foi impossível.

Leia-se matéria de imprensa: “Após o fiasco do Brasil no Mundial de 1966 na Inglaterra, quatro anos depois veio a conquista definitiva da Jules Rimet — que acabaria sendo roubada na sede da CBF, no Rio, em 1983. Era a apoteose de um país que começava a ver em massa a Copa pela TV. Mesmo que em preto e branco: o aparelho em cores já existia, mas não em tantos lares brasileiros. A exploração política da vitória no México em 1970 envolveu também o centro do poder nos anos de chumbo. No auge da ditadura militar (1964-1985), os craques do tri levaram o troféu para a foto oficial no Palácio do Planalto, em Brasília, para só depois chegarem ao Rio, onde foram recebidos pelos torcedores em êxtase. O cortejo foi do Galeão até Copacabana, passando pela Avenida Rio Branco, com Pelé acenando para a multidão em cima do carro dos bombeiros. Na capital, onde uma multidão também lotou a Praça dos Três Poderes para ver os craques, eles almoçaram com o presidente Emilio Garrastazu Médici, receberam prêmios e condecorações. O general decretou ponto facultativo no país por dois dias: era o carnaval em junho. Médici via na felicidade do povo com o futebol tricampeão o mais puro sentimento patriótico”.

Anos depois, isso em 1998, estava Gerente de Operações de Marketing da Coca-Cola (Grupo Simões / Região Norte), e, por força do destino, tive a grata oportunidade de rever o “Capita”. A Coca-Cola estava patrocinando a Copa do Mundo FIFA de Futebol de 1998 (16ª Edição) na França, a primeira a contar com 32 seleções. Uma das atrações promovidas pela Coca-Cola aqui no Brasil foi apresentar em todas as capitais a réplica da Taça criada pelo escultor italiano Silvio Gazzaniga. Chegou a vez de Manaus, capital do Estado do Amazonas. Houve uma belíssima apresentação na sede do Grupo Simões (NAA), com a presença de autoridades e, sobretudo, do Capitão da Seleção Brasileira de Futebol de 1970, Carlos Alberto Torres. Lembro perfeitamente que sugeri à Ieda Pinheiro, organizadora do evento, que colocasse no script o Hino “Pra Frente Brasil” (Copa de 1970). Para tanto, eu forneci o disco. Portanto, Carlos Alberto Torres foi recebido no auditório ao som daquele Hino, que causou arrepios na pele. A partir dali, após dias de contatos pessoais em Manaus, fizemos uma boa amizade.

Já na cidade do Rio de Janeiro, em 2001, volto a rever o amigo Capitão. Naquela época estava desenvolvendo trabalhos de Consultorias Marketing/Comercial para a Cervejaria Kaiser. Costumávamos almoçar na Churrascaria Estrela do Sul, em Botafogo. Lembro que no primeiro almoço falamos sobre o “apagão” que deu na Seleção Brasileira na Copa da França, cujo país conquistou o seu primeiro título mundial, vencendo o Brasil pelo placar de 3 a 0, em partida realizada no dia 12 de julho (21:00 horas) no Estade de France, com dois gols de Zinédine Zidane no primeiro tempo e um gol de Emmanuel Petit aos 48 minutos do segundo tempo. Motivo de muitas risadas foi a frase de Ronaldo, o ex-fenômeno, sobre o problema de saúde que teve no dia da final contra a França: “Não estava nervoso. Já joguei decisões e essa era a que eu mais esperava. Não iria amarelar. A única coisa que aconteceu foi a indisposição. Não fiquei com medo de jogar”. Eu e o Capitão concordamos num ponto: As únicas coisas que aconteceram foram a falta de patriotismo, a falta de amor à camisa e o peso do dinheiro no bolso do jogador. Carlos Alberto Torres evitava falar de política, muito embora tenha ocupado cargo público – foi vereador pelo PDT no Rio de Janeiro entre os anos de 1989 a 1992.

Em quase todas as vezes que estávamos juntos, em encontros informais, eu fazia questão de lembrar as suas jogadas quando ele ocupava a posição de lateral-direito na Seleção Brasileira na conquista do Tri no México, do seu rigor na cobrança de desempenho dos colegas em campo, e, sobretudo, do gol de placa que fez contra a Itália. Leia-se: “Pelé finalizou sua grande performance saindo da marcação da defesa italiana e assistindo Carlos Alberto Torres no flanco direito para o 4º gol, e derradeiro. O gol de Carlos Alberto, após uma série de passes da seleção brasileira da esquerda para o centro, é considerado pela BBC o gol mais bonito de todos os tempos. Dos onze jogadores do time brasileiro, dez tocaram na bola antes do gol”. É com essa imagem da Copa de 70, viva na minha memória, que eu me despeço de você Capitão, com respeito e admiração. Em 1970, em razão da euforia do tricampeonato, o então presidente Emilio Garrastazu Médici declarou que os brasileiros mereciam um carnaval extra, fora de época. “Ninguém segura este país” – disse ele, tirando proveito político do evento. Hoje, o Brasil fica em silêncio, a Pátria de chuteiras chora! A sua última aparição, domingo, 23 de outubro de 2016, no Canal Campeão, SPORTV, como comentarista do programa Troca de Passes também ficará gravada para sempre. Infelizmente, eu não poderei mais ligar para o número do seu celular que terminava em 7070 – ele ficou mudo como um estádio vazio.

Augusto Avlis

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Pra Frente Brasil (Copa De 1970)

Noventa milhões em ação

Pra frente, Brasil

Do meu coração

 

Todos juntos vamos

Pra frente, Brasil

Salve a Seleção!

 

De repente é aquela corrente pra frente

Parece que todo o Brasil deu a mão

Todos ligados na mesma emoção

Tudo é um só coração!

 

Todos juntos vamos

Pra frente Brasil, Brasil

Salve a Seleção!

 

Todos juntos vamos

Pra frente Brasil, Brasil

Salve a Seleção!

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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