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Política

Olha o trem!

Olha o trem!

Local: Centro do Rio de Janeiro, cruzamento das Avenidas Rio Branco e Getúlio Vargas. Imaginemos a seguinte situação: Um maluco de cima de um prédio joga um saco lotado de dinheiro. Lá embaixo, uma multidão alucinada corre para pegar o maior número possível de notas, sem sucesso, porque a confusão era grande e o vento forte. O trânsito estava intenso na região e alguém grita: “Olha o trem!”. E todos correm desesperados, tudo atropelando. Entre mortos e feridos salvam-se todos. Quem conseguiu segurar algumas notas percebeu mais tarde que eram falsas, quando rejeitadas pelo primeiro comerciante. E o trem nunca passou.

O povo brasileiro, por cultura e por carregar um DNA maldito, não mede esforços para se dar bem em qualquer situação – claro, existem raríssimas exceções. E tem mais um probleminha. De acordo recente estudo (Perils of Perception – Perigos da Percepção) realizado pelo Instituto de pesquisas britânico Ipsos Mori, em 33 nações de todos os continentes, concluiu que o Brasil é o 3º país mais ignorante do mundo (!). O Instituto mediu o que as pessoas sabem sobre si mesmas, os paises que menos sabem sobre a sua própria situação. Mais ignorantes do que o Brasil ficou o México em 1º lugar e a Índia em 2º lugar.

Sem entrar em detalhes, ficamos perplexos só de saber que esse pessoal tem o poder do voto, decide eleições em todos os níveis de representação. A cada pleito a situação se agrava. Na campanha da reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2014, o seu marqueteiro, João Santana, vendeu carne de coelho aos brasileiros e entregou carne de gato em 01/01/2015. Depois de reeleita, a dentuça infeliz teve que se defender no PROCON político. Deu no que deu. Muitos dos eleitores brasileiros que votaram em Dilma até hoje insistem na tese de que realmente degustaram carne de coelho e juram que leram o rótulo da embalagem. A desgraça poderia ter sido bem maior.

Instalou-se no Brasil uma crise Institucional sem precedentes, sem contar com a instabilidade profunda verificada nos setores econômicos. Um dos grandes erros do PT foi achar que a vitória da reeleição de Dilma podia ser comparada a uma partida de futebol disputada sob o olhar de uma única torcida, nesse caso vestida de vermelho, o que certamente daria a ela significativo respaldo aos desmandos e à sua incompetência administrativa. Demitida do cargo, a filha política do Lula abandonou o barco Brasil à deriva em denso nevoeiro noturno, em águas turbulentas repletas de rochedos. Agora aposentada em tempo recorde, em menos de 24 horas após ter assinado a Notificação do Senado Federal sobre o seu Impeachment, com a remuneração mensal de R$ 5.189,82, teto da Previdência Social, Dilma Rousseff comprou uma passagem de trem, só de ida, para Porto Alegre, Rio Grande do Sul, e de lá, aguardará a chegada de outro trem que está vindo do exterior. Ouve-se o apito.

Quem gritou “Olha o trem!” foi identificado mais tarde e espancado pela multidão quase até a morte. Moral da história: Não existe linha férrea no Centro do Rio de Janeiro, e o trem nunca passou no cruzamento das Avenidas Rio Branco e Getúlio Vargas. Mas, o trem que está vindo do exterior virá lotado de dinheiro, verdadeiro, a maior parte proveniente do crime organizado, da quadrilha que assaltou a Petrobras e demais estatais, logo após a aprovação do Projeto de repatriação de dinheiro de brasileiros no exterior. Para não ser espancado, ninguém gritará “Olha o trem!”, que já tem estação certa para parar e o destino da carga previamente escolhido.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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