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Política

Bonecas infláveis

Bonecas infláveis

Depois de um dia daqueles que a gente torce para passar rápido, logo acabar, resolvi beber umas cervejas no bar da esquina – no Bar Escritório – com a intenção de dar uma relaxada. Há quem prefira “tomar” cerveja. Por pouco não fico só na intenção. Puta que o pariu, ninguém merece ficar sem beber!

Mal coloquei os pés dentro daquela espelunca, não demorei muito para perceber que o papo que rolava não poderia ser outro senão política. Antes de dar o primeiro gole na cerveja de outra marca, porque Brahma me faz lembrar o Lula, ouvi a seguinte conversa de um cara que estava sentado noutro lado do balcão:

“Olha aí cara, na noite passada sonhei que eu era um herói brasileiro, do tipo Chris Kyle, o Sniper americano. O Brasil está precisando de heróis de verdade. Se Lula e Dilma fossem mortos por um atirador de elite, sósia do Chris Kyle, certamente a Justiça lhe concederia a Legítima defesa, segundo Artigo 25 do Código Penal Brasileiro”.

Pensei comigo mesmo, esse deve ser aluno do curso de Direito. É lógico que todo mundo tem o direito de falar merda antes de pensar. Fala, mas assuma o que falou, segura a onda, não transfira responsabilidades que são suas, somos o que somos, porque escolhemos assim, uma questão de opção. Contudo, diante de tanta coisa escabrosa que está acontecendo no sistema realmente dá vontade de extravasar, sem limites.

Um sujeito ao lado considerou:

“É. Realmente o Brasil está carente de heróis. O que vemos à frente? O que vemos? Um punhado de órfãos do patriotismo, sem sangue nas veias, sem vergonha na cara. Se o Sniper brasileiro desse um tiro certeiro na cabeça do Lula e outro na cabeça da Dilma, no mínimo, 50% dos problemas do Brasil acabariam. Se o Renan Calheiros pegasse uma bala perdida poderíamos aumentar para 70%, como também aumentaria a chance da Justiça julgar a ação como Legítima defesa – possibilidade não descartada, salvo se os membros da Justiça também não forem alvo de outro Sniper, contratado pelos réus da Lava-Jato”.

Eu só escutando. Um quase bêbado mandou essa:

“Esses três aí, Lula, Dilma e Renan, são apenas mais três de uma grande quadrilha que assaltou os cofres públicos durante mais de uma década. Além do mais, é impressionante como ainda não foram presos até agora, e como conseguem escapar da Justiça. Chego à conclusão que precisamos mais de um Sniper, talvez uma centena para fazer a limpeza geral. Os partidos políticos corruptos são praticamente todos, ninguém escapa”.

Falou um freguês que estava com a cara lambuzada de torresmo:

“Escultores da Grécia Antiga conseguiram esculpir obras maravilhosas no mármore, como a estátua da Vênus de Milo, por exemplo. Não entendo porque as Cláusulas Pétreas, ou seja, Dispositivos Constitucionais imutáveis, da nossa Constituição não podem ser esculpidas novamente, afinal, elas, as Cláusulas Pétreas, não são tão duras como o mármore, que impeça o seu aperfeiçoamento. Como conferir aos criminosos pegos na Operação Lava-Jato a presunção de inocência, ainda que seja uma das mais importantes garantias constitucionais? Para esses grandes filhos das putas não deveriam existir direitos dentro da chamada relação processual”.

Porra! O papo está ficando em alto nível, portanto, acho que é hora de ir embora. Nesse meio tempo já tinha bebido três garrafas de cerveja de outra marca. Pedi a “saideira”, mas ouço bem ao lado alguém se manifestar:

“O Brasil é um país que tem todas as condições para que a corrupção prospere, entre outros crimes. Veja só, o Brasil tem um clima tropical, quente, que faz com que as pessoas fiquem mais agitadas e aguçadas a fazer coisas que não devem, ao contrário do frio da Europa que prende as pessoas dentro de casa, deixando-as sem ação e quietinhas”.

Juro que eu não consegui entender o que o calor e o frio têm a ver com a corrupção. Na cabeça napoleônica desse cara, o fator temperatura externa pesa mais do que a consciência do ladrão antes de planejar o roubo. O dono da espelunca me falou que ele gosta de “tomar” cerveja na temperatura ambiente e não costuma pagar a conta. Tá explicado.

É bem verdade que o Brasil é o país do futebol, parece que a maioria das pessoas vive em torno da bola, levando bola ou não. A maior parte do tempo da conversa gira em torno disso. O Brasil é o país do Carnaval, por isso, não dá pra levá-lo muito a sério. O Brasil é o país das sacanagens políticas explícitas, tanto que até os recursos destinados à compra da merenda escolar são desviados por Estados e Prefeituras Municipais. Roubar comida das crianças virou moda. Depois disso, só vomitando na privada imunda, jogando pra fora todo o líquido ingerido.

Caminhando até a privada imunda, percebo que numa mesa conversava um grupo de garotos imberbes, meninos na plenitude da punheta. Fiquei curioso e parei para ouvi-los.

Um deles fala:

“Precisamos dar um presente a dois dos nossos amigos, cegos de nascença, que nunca tiveram relação sexual, nem com cachorra”.

“Dar o quê?” – pergunta o colega.

“Uma boneca inflável para cada um” – responde o proponente.

Parece que houve consenso entre os garotos. No dia seguinte eles compraram duas bonecas infláveis, devidamente infladas, conforme sugerido e presentearam cada um dos dois colegas cegos, mas exigiram de antemão que eles comentassem como tinha sido a experiência. Os cegos passaram uma primeira e longa noite de amor com as companheiras de borracha.

Conforme combinado, os dois cegos foram convocados para uma reunião de grupo na qual contariam detalhes daquela primeira experiência sexual.

O primeiro cego foi chamado a falar:

“Eu penetrei no ânus, mas acho que comi um defunto, porque estava frio, não falava e não se mexia o tempo todo. Gozei dentro e não se levantou da cama para se limpar”.

Foi a vez do segundo cego:

“Você foi mais feliz do que eu. Depois que eu mordi a minha mulher ela começou a voar e saiu pela janela. Eu acho que comi uma bruxa”.

Fiquei sabendo que os filhos das putas dos garotos só não disseram aos cegos que a primeira boneca inflável tinha a cara do Lula, e a segunda, a que voou, a cara da Dilma.

Ainda bem que o Sniper, que a 1500 metros de distância aguardava para atirar, não desperdiçou munição, porque descobriu a tempo que Lula e Dilma não eram de carne e osso.

Augusto Avlis

Nota de rodapé: Adaptado do livro American Sniper: The Autobiography of the Most Lethal Sniper in U. S. Militar History, este filme conta a história real de Chris Kyle (Bradley Cooper), um atirador de elite das forças especiais da marinha americana. Durante cerca de dez anos, ele matou mais de 150 pessoas, tendo recebido diversas condecorações por sua atuação.

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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