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Polícia e Segurança Pública

Pensando na privada

Pensando na privada

Os espaços públicos deveriam ser públicos, cuja ocupação um direito de todos, por princípio universal. Como tese filosófica este conceito tem sua validade, funcionando na teoria, mas na prática não é bem assim. Se vivêssemos numa sociedade onde o respeito prevalecesse sobre os interesses, independente de filosofias discutidas, teorias funcionais e práticas duvidosas, onde os indivíduos estabelecessem harmonia na convivência comum, talvez, quem sabe, nós não precisaríamos de Leis para regular as regras, que na prática deixam de funcionar porque as punições previstas não intimidam quem se predispõe a quebrá-las, por razões outras fora dos padrões educacionais. O real “mundo cão” continua de portas abertas para que os homens de maus instintos entrem segundo sua vontade, e lá permaneçam enquanto queiram.

Mas, o que este posicionamento filosófico tem a ver com o tema “vagas reservadas para idosos e deficientes físicos”? Acho que tudo, na medida em que estou falando de teoria, prática e, sobretudo, comportamento, não casual, e sim estruturado por regras pessoais. Os espaços públicos (livres) estão ficando cada vez menores, na medida e na proporção em que cresce a cidade de concreto. Até as árvores são ameaçadas pelos indivíduos de carne e ossos numa disputa desigual, quando o verde indefeso da natureza acaba perdendo a guerra – os pássaros estão dormindo em pleno vôo. Aí entram na contenda diária velhos e jovens, idosos e não idosos separados e qualificados por regras que não precisavam regular o “quantitativo da vida”, segundo tempo pregresso ou futuro, para resguardar direitos ou simplesmente colocar no seu devido lugar quem ou aquele que não respeita o próximo, simplesmente isso. Filosofia.

Para tentar colocar ordem na casa o Estado cria Leis para não serem cumpridas porque faltam punições adequadas a cada falta ou crime cometido. A falta de educação generalizada é o principal ingrediente do atraso, que por sua vez desqualifica a cidadania. As nossas cidades e estradas estão cheias de limitadores de velocidade (pardais e quebra-molas), olhos de gato para guiar os “motoristas cegos”, buracos por todos os lados, inclusive nas calçadas públicas para propiciar tombos das pessoas que andam sem olhar pro chão. Faixas de pedestres que não são respeitadas pelos motoristas apressados. Pagamos impostos e recebemos como troca péssimo serviço público ou nenhum. De nada adianta querer punir quem ocupa indevidamente vagas reservadas. Estamos vivendo tempos difíceis com total inversão de valores. Balas de fuzis são disparadas diuturnamente tendo como alvos os inocentes que passam.

Dia desses, no estacionamento de um supermercado, fui agredido verbalmente por um jovem que ocupava vaga reservada para idosos depois que chamei sua atenção. “Olha aqui, ocupei e está ocupada, venha me tirar daqui se for capaz” – disse ele pra mim. Pensei três vezes antes de aplicar-lhe alguns golpes quase fatais em defesa da honra – melhor não ter feito, porque muito provavelmente não estaria aqui pra contar a história e, o “bonitão”, com certeza, deitado num leito de hospital ou na cova de algum cemitério como destino merecedor. Como criar uma família nesse “mundo cão”? Pequenos malfeitores de hoje, grandes criminosos amanhã. Fazer o quê? Só nos resta a defesa com as próprias mãos, caso tenhamos oportunidade. Por onde quer que você ande, se bobear, vira vítima de agressão por parte de pessoas comuns, dos bandidos, como vinda da própria Polícia. Deus não quer mais ouvir nossas reclamações.

O crime generalizado no Brasil está vencendo a Polícia e a Justiça, prova disso, o Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, pediu demissão do cargo e a sua exoneração foi confirmada nesta terça-feira, 11/10/2016, pelo governo do RJ. O tiroteio que deixou 03 mortos e feriu o comandante da UPP Pavão-Pavãozinho na data de ontem, segunda (10), foi a gota d’água para a saída de Beltrame, que alegou cansaço depois de quase 10 anos no cargo. Houve uma intensa troca de tiros entre policiais e traficantes na comunidade Pavão-Pavãozinho depois que a UPP foi atacada pelos bandidos. Bairros da Zona Sul como Ipanema, Lagoa e Copacabana viveram momentos de pânico. Infelizmente, não há futuro melhor, digo isso com destacada certeza porque já vivi dezenas de situações idênticas no meu Rio de Janeiro e agora em outras cidades brasileiras. Estamos literalmente num mato sem cachorro. Pensando na privada temos uma aparente paz – desde que não saiamos de lá.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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