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Política

A máscara do Ardipithecus ramidus

A máscara do Ardipithecus ramidus

As pessoas se revelam como são, verdadeiras, sem retoques, sem rebuços, transparentes, ainda que mutantes por natureza imposta – condição que as torna individualmente diferentes da sua própria espécie. Dentro do critério da razoabilidade, esta máxima deveria prevalecer, mas, não é bem assim que as coisas funcionam, não é bem assim que a banda dos brasileiros toca no palco Brasil. Na coexistência, o que de fato predomina é o conveniente ou o oportuno, revelando o que cada qual guarda dentro de si. Por teoria, máscaras existem para serem arrancadas segundo comportamentos extemporâneos – umas sim, outras não. Na prática, o que observamos na lide diária é a luta constante do homem pela sobrevivência junto aos seus aparentemente iguais. As coloridas e representativas máscaras opõem-se ao realismo, seja na materialidade ou seja na virtualidade, elas podem ser utilizadas de diferentes formas, porém, são capazes de revelar e ao mesmo tempo esconder a identidade de quem a veste – a rigor, as máscaras têm o poder transformador e jamais jogam luz no lado obscuro do ser humano.

Talvez estejamos saturados de nós próprios como o resultado do uso excessivo de sal na água. A formação da consciência decorre de um processo seletivo e por vezes instintivo – ideia colocada à discussão para quem queira defender a sua tese. O necessário reconhecimento dos fatos esbarra nas paredes das conveniências; padecemos quando tudo dá errado, e nada há o que fazer se não queremos por autodefesa ou simplesmente por manifestação primitiva. Isso nada tem a ver com força inata. A evolução não pegou a família Hominidae de surpresa. O “elo perdido” está mais presente entre nós hoje do que ontem; com orgulho, saímos às ruas de mãos dadas com o Ardipithecus ramidus, apelidado de “Ardi”, e ainda fazemos questão de apresentá-lo aos amigos mais próximos na certeza de incluí-lo no grupo social.

Nesses últimos 08 meses de andanças por roteiros incertos, quase improváveis, não fumei maconha ou fiz uso de outras substâncias proibidas pelas Leis brasileiras. Vi com os meus próprios olhos muita gente (boa e ruim) se drogando e/ou traficando o ilícito livremente sob o olhar complacente das autoridades. Dei uma de “Maluco Beleza”. Talvez, de modo implícito, quisesse viajar na maionese, na tentativa de entender o que estava acontecendo com as pessoas que circulavam livremente, no seu lado mais explícito, independente das motivações. Pensamentos vão e vêm, uns fazem sentido, outros não – são como nuvens dispersas em céu de tempestade. Vi indivíduos correndo de um lado pro outro como as formigas depois que explode uma cabeça-de-nego na entrada do formigueiro. Nem de longe tentei acompanhá-las. Nessa sociedade consumista e politicamente correta, quem é o verdadeiro maluco? Quem é o dono da verdade? Quem é melhor do que os outros? Faça o julgamento você mesmo, ou se dê uma chance.

Quer saber duma coisa? Deixa pra lá. Tudo isso aí é besteira. Ninguém me dará mais ou menos valor lendo parte disso que acabei de escrever – ouvir muito menos ainda. Chutando pedras ou latas vazias espalhadas pelos caminhos por onde andei, cheguei à conclusão que tá tudo certo e fazemos por merecer os atuais e futuros fatos. Com máscara ou sem máscara, eu afirmo que é impossível identificar na multidão alguém capaz de mudar os rumos da história. Um amigo português um dia me falou que depressão você cura com “pau no cu”, caso não consiga, mate-se. Não adianta pronunciar “porra nenhuma” aos mil ventos, ou, “deixe-me fora disso”. Pro Inferno de Dante aqueles infelizes omissos que não terão direito ao Paraíso no Happy End da peça teatral. A loucura pode ser a salvação do espírito atormentado.

Voltando à realidade material, tirando a máscara do “Maluco Beleza”, diante da “menos ruim” TV paga – porque a TV aberta brasileira é uma imensa bosta, um grande lixo fétido –, na noite de domingo, 02/10/2016, caí na besteira de acompanhar o resultado do 1º turno das Eleições Municipais de 2016. Constatei algumas realidades: 1ª. A indústria política Made in Brazil continua produzindo candidatos da pior espécie, produtos de quinta categoria que são colocados no mercado eleitoral como se fossem de primeira qualidade, o pior é que têm consumo certo; 2ª. Os pré e pós discursos políticos proferidos, por parte de quem ganha e de quem perde a eleição, continuam rocambolescos, dirigidos à massa de ignorantes sequazes; 3ª. Nada de novo sob o céu de primavera, de modo que o crime de “Caixa 2” continua sendo praticado com fortes toques de criatividade tropical; 4ª. O ciclo volta a se completar na medida em que os “Caixas” das Prefeituras estarão vazios no dia 01/01/2017 e as promessas de campanha não serão cumpridas boa parte em razão deste problema, o pior disso tudo é que o povo continuará acreditando nos milagres dos seus santos salvadores; 5ª. Os políticos não tiraram a máscara de “corrupto”; os eleitores que declararam voto útil vestiram a máscara do “idiota”; os eleitores que foram responsáveis pela estatística de abstenções, votos nulos e em branco vestiram a máscara do “inteligente”; 6ª. O Ardipithecus ramidus não sabe com qual dos dois, o político corrupto ou o eleitor idiota, sairá às ruas de mãos dadas em passeata gloriosa, e tem dúvida qual deles presenteará com a máscara do “Ardi”. Seria a “Evolução” uma teoria? O novo prefeito de São Paulo, João Doria Jr., já provou que sim.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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