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Política

Implosão é a solução

1Amanhecemos na segunda-feira, 09 de novembro de 2015, com uma “greve discreta” de caminhoneiros que ameaçava parar o Brasil parcialmente. A notícia não mereceu destaque por parte dos telejornais, exceto por parte da imprensa regional. O rompimento de duas barragens de rejeitos da Samarco Mineração, Fundão e Santarém, ocorrido na quinta-feira, 05 deste mês, no distrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana, Região Central de Minas Gerais, foi a manchete principal. Não poderia ser diferente, face à gravidade da tragédia – até quinta-feira (12), 08 mortes haviam sido confirmadas e 19 pessoas continuavam desaparecidas, além dos imensos danos ambientais causados na bacia do Rio Doce que deverão se estender até o litoral do Espírito Santo, em Barra de Regência (foz), município de Linhares. O Rio Doce está praticamente morto. Independente da conotação que se queira dar ao assunto, os dantescos fatos que se sucedem no Brasil, de certa forma ajudam a desviar o foco de vários outros problemas atormentadores, sobretudo na política. É muita coisa pra gente digerir ao mesmo tempo; não sei, mas, eu acho que é por isso que há tanto desinteresse por parte da população em razão do coquetel de informações disponibilizadas. Não dá pra acompanhar tudo.

A “greve discreta” dos caminhoneiros não teve uma liderança nacional para que ações isoladas e a consequente dispersão do movimento fossem evitadas. Nesse sentido, as eventuais negociações com o governo federal ficariam prejudicadas, caso a greve fosse considerada legal. A classe exigiu a renúncia da presidente Dilma Rousseff, protestou contra a carga de impostos e o preço dos combustíveis; outra questão colocada foi o pedido de aumento do valor do frete. O movimento grevista foi promovido por motoristas autônomos, sem qualquer ligação com representantes oficiais (Sindicatos), convocados pelo Comando Nacional dos Transportes. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os caminhoneiros bloquearam trechos de importantes estradas federais e estaduais em pelo menos 14 Estados (Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins). A Confederação Nacional dos Transportes Autônomos e a União Nacional dos Caminhoneiros discordaram dos bloqueios, considerando que o “foco” dos protestos não coincidiu com a pauta de reivindicações da categoria. Muito jogo político dentro e fora dos movimentos grevistas, o que prova que até para fazer protestos falta competência aos brasileiros. Os caminhoneiros contrariados deveriam seguir em carreata até Brasília e, uma vez lá, bloquear os acessos à capital federal e promover um ensurdecedor buzinaço na Praça dos Três Poderes, da Republiqueta chamada Brasil.

Já a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística da CUT (CNTTL), não só concordou com a Confederação Nacional dos Transportes Autônomos e com a União Nacional dos Caminhoneiros, como também alegou a existência de manobras articuladas com propósitos políticos. Praticamente 70% da carga brasileira são transportados pelas estradas, a maioria em péssimo estado de conservação. O temor do governo foi um só, que outros setores se incorporassem ao movimento dos caminhoneiros e com isso o acirramento dos protestos, que poderiam ficar totalmente sem controle. Edinho Silva (PT-SP), ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Dilma Rousseff, disse numa entrevista coletiva nesta última segunda-feira, 09, que o movimento grevista teve como objetivo “desgastar” o governo politicamente. Só pode ser brincadeira. Edinho Silva não levou em conta que a corrupção é o principal corrosivo do governo federal – jamais ele admitiria tal fato. Como ex-tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff em 2014 ele, Edinho Silva, sabe perfeitamente o que estou falando e o que a Operação Lava-Jato está apurando, tanto que o juiz Sérgio Moro acatou pedido do Ministério Público Federal e autorizou, nesta semana, a quebra do sigilo telefônico da sede nacional do PT. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto teria usado pelo menos seis números de telefones para transacionar as propinas oriundas do esquema de corrupção na Petrobras para alimentar as campanhas políticas de 2010 a 2014. A meu sentir, essa decisão já deveria ter sido tomada antes, mas, não com atraso que impeça a revelação dos fatos. É bom lembrar que o presidente nacional da facção criminosa PT, Rui Falcão, sempre alegou que todas as doações feitas ao Partido dos Trabalhadores são legais, contabilizadas e declaradas ao TSE. Dá pra acreditar nesse ex e atual terrorista?

Em retaliação ao movimento dos caminhoneiros o governo partiu pra guerra, fez prevalecer a sua força. Começou a vigorar a partir da quarta-feira, 11 de novembro de 2015, uma Medida Provisória (MP) que aumenta o valor das multas. O caminhoneiro que obstruir rodovias pagará multa de R$ 5.746,00 (antes era de R$ 1.915,00); os organizadores das greves ilegais pagarão multa de R$ 19.154,00. Na MP também consta outra punição criativa, além de coercitiva: os motoristas que forem flagrados em ações que prejudiquem os fluxos das vias de trânsito não terão direito à linha de crédito para a compra de veículos pelo prazo de 10 anos. “Interditar estradas, comprometer a economia popular, desabastecendo de alimentos e combustíveis, isso tem componente de crimes já previstos. Vamos garantir que não haja qualquer prejuízo para a economia popular. Obstruir é crime” – comentou Dilma Rousseff. Senhora presidente, não cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal também é crime; abuso de poder econômico nas eleições também é crime, senhora presidente; ter a campanha política irrigada com dinheiro roubado da Petrobras também é crime, senhora presidente; destruir a economia do país também é crime, senhora presidente. Irresponsabilidade, desgoverno e incompetência de gestão, eu, pessoalmente, também considero como crime, tipificado pela sua insistência em permanecer no cargo. Senhora presidente, desça da sua arrogância e deixe os caminhoneiros e o Brasil em paz, volte para Belo Horizonte e abra uma nova loja de R$ 1,99. O momento é propício.

Alguém tem que fazer alguma coisa, tomar a iniciativa da “espontânea pressão” para que algo de fato aconteça nesse país, porém, o grito é fraco e ninguém escuta. A impressão que se tem até agora é que o horizonte de mudanças foi apagado da visão dos brasileiros. Os problemas estão sendo empurrados com a barriga, ficando tudo por isso mesmo. Todo mundo de braços cruzados esperando nascerem dentes em galinhas. O Brasil é um país com dimensões e fronteiras continentais, por isso, acho pouco provável a realização de uma greve geral, uma parada absoluta de todas as atividades produtivas, de comércio e de serviços. O poder de mobilização é questionável e incipiente para se pensar nisso, não tem força suficiente. Na verdade, o que têm chances de prosperar são as manifestações populares, no mínimo, a exemplo daquelas ocorridas em junho e julho de 2013, com ou sem Black blocs. “Vem! Vem pra rua! Vem!”. “O Gigante Acordou”. “Não é por 20 centavos”. Intenções fragmentadas geram ações fragmentadas sem resultados práticos, por isso, cabeças pensantes planejam melhor.

Amigos leitores, há muito tempo eu venho comentando que o Brasil não tem mais jeito, uma nação sem solução, inviável política, econômica e administrativamente. Essa é a minha visão nesse momento. Não há nada que possa ser feito dentro da Ordem Constitucional, porque tudo parece abstrato. Eduardo Cunha é concreto, real, verdadeiro – a crônica do absurdo lida pelo Palácio do Planalto, que agradece a mudança de foco para o presidente da Câmara dos Deputados, que não precisa disputar holofotes no palco da política. “Brasil! Mostra tua cara. Quero ver quem paga. Pra gente ficar assim” (Cazuza – Brasil). O pior ainda está por vir. O que fazer então? Fechar o Congresso para depuração? O país parará, mas ele já está parado. Esperar as eleições de 2018 para renovar radicalmente o quadro de parlamentares? Não vejo sentido nisso porque os candidatos não darão provas da sua honestidade aos eleitores, que continuam votando mecanicamente, até porque quem indica os políticos candidatos são os Partidos e esses, como sabemos, perderam totalmente a credibilidade perante a sociedade em razão dos escândalos de corrupção que emergem da prática política.

O Congresso Nacional possui 594 parlamentares que exercem cargo eletivo. Na Câmara Federal são 513 deputados federais e no Senado Federal são 81 senadores. Fala-se que 70% deste efetivo, ou seja, 416 parlamentares, de alguma forma estão envolvidos com corrupção, estão mergulhados em denúncias, eventualmente alvos diretos do Ministério Público Federal (MPF) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Estando correta a estatística, todos esses 416 “criminosos eventuais” gozam, por imposição de Lei, de tratamento especial, Foro Privilegiado (Único foro em que podem ser ajuizadas certas demandas contra determinadas pessoas, em virtude do alto cargo que ocupam na organização do Estado). Somente o STF poderá julgá-los. A situação é difícil de resolver levando-se em conta o tempo que demandará para a aceitação das denúncias, investigações, ações penais, julgamentos, etc. Esta geração já terá morrido. Do outro lado da praça, o governo federal também está paralisado, não funciona, está atolado nesse mar de corrupção. No caldeirão de problemas são jogadas as crises políticas, as crises institucionais, as crises econômicas, as crises éticas e morais, as crises de governabilidade, mas ninguém acende o fogo, portanto, o caldeirão continua sobre o fogão com água fria e não teremos sopa para alimentar todo mundo . O “Apocalypse Now” Made in Brazil se mostra mais real – resta saber se aparecerá alguém disposto a assumir a missão para matar a versão do renegado e presumido insano Coronel Walter E. Kurtz, das Forças Especiais Americanas. Até para quem entende do assunto fica difícil opinar. Enquanto isso, no Mapa da violência 2015: “50,3% dos homicídios de mulheres no Brasil são cometidos por pessoas próximas. Um, em cada três assassinatos de mulheres, foi cometido pelo marido ou ex-parceiro”. Não vamos esperar que isso aconteça na política.

Pensamento do Eremildo, “O Idiota”, não tão idiota assim: Vamos esperar uma sessão do Congresso Nacional (reunião conjunta da Câmara e Senado), com quorum próximo dos 100%, avisaremos previamente 1% dos parlamentares considerados honestos (ou quase), para que tenham tempo de se salvarem, e aí mandaremos detonar os explosivos. Na possibilidade de alguns ratos escaparem, os perseguiremos, os prenderemos numa gaiola, jogaremos gasolina não aditivada e atearemos fogo, sem dó e piedade – os ratos queimarão em praça pública, preferencialmente na Praça dos Três Poderes da Corrupção, ou, na parte que sobrará dela. Invadiremos o palácio, decapitaremos a rainha, jogaremos os seus seguidores aos leões, e ponto final. Quebraremos o sistema, implantaremos a anarquia geral e irrestrita. Os justos vencerão e os ímpios desaparecerão! Não queremos curar a podre política como um médico quer tratar, com solução tópica Merthiolate (digluconato de clorexidina 10 mg/ml), a perna gangrenada de um paciente. O uso sistemático de um antisséptico de uso geral para curativos não resolverá o problema, senão a amputação da perna pelo estado que chegou. Não acreditamos em mais nada, estamos pagando pra ver algo mudar no Brasil a nosso favor e que dê sentido ao tempo de espera. A ponte para o futuro está interditada face ao adiantado estado de ruína, portanto, a implosão é a solução.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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