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Política

Bobos da corte no Baixo clero

Bobos da corte no Baixo clero

O tempo passa rapidamente, o tempo voa como o forte vento sobre a terra. São assim as pessoas. O folclórico pernambucano Severino José Cavalcanti Ferreira, 84, (nasceu em João Alfredo, a “Cidade Feliz”, em 18 de dezembro de 1930), filiado ao Partido Progressista (PP), é um exemplo disso. Eleito deputado federal em 1º de fevereiro de 1995, permaneceu no cargo até 21 de setembro de 2005 quando renunciou ao mandato para escapar de um processo de cassação. O pitoresco, mas desprovido de seriedade, Severino Cavalcanti, chegou a presidente da Câmara dos Deputados do Brasil (de 14/02/2005 a 21/09/2005), cujo antecessor foi o famoso deputado petista corrupto João Paulo Cunha, réu no processo do Mensalão, Ação Penal 470. O tempo passa, o tempo voa.

Na ocasião em que concorreu à presidência da Câmara Federal, Severino Cavalcanti derrotou o candidato oficial do governo Lula, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), outro maluco ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) – foi uma vitória do contra-senso. Por suas posições polêmicas, o “cabeça chata” (e oca) desagradou os seus pares no Congresso e, sobretudo, setores da sociedade civil. Ele era radicalmente contrário à prática do aborto e à homossexualidade em todos os níveis e posições, colocando-se como fiel representante dos católicos naquela Casa de Leis republicanas. Como bom católico, defendia de peito aberto e fé desmedida o constante aumento nos salários dos parlamentares. Mas, a sua constante prática de corrupção o pegou de calças curtas. A Procuradoria da República no Distrito Federal pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) que o festivo Severino Cavalcanti fosse investigado por “nepotismo” pelo fato de ter empregado vários parentes em seu gabinete – até aí um crime de gravidade relativa. Foi quando no início do mês de setembro de 2005 (faz dez anos), no momento em que a Câmara se preparava para julgar os políticos envolvidos no Mensalão, surgiram contra ele denúncias do tal “Mensalinho”, um esquema quase particular de pagamento de propinas no qual Severino Cavalcanti estava envolvido. A atenta mídia mostrou em rede nacional uma “cópia ampliada” do cheque compensado, utilizado para pagar-lhe o não suposto “Mensalinho”.

A pouca vergonha que ainda lhe restava na cara o fez renunciar ainda dentro daquele desgraçado mês. O real “Mensalinho” embolsado mensalmente pelo suposto honesto Severino Cavalcanti era extorquido do empresário Sebastião Augusto Buani, que explorava duas lanchonetes no prédio da Câmara. Sebastião Buani acusou formalmente Severino Cavalcanti de lhe cobrar a mensalidade de R$ 10 mil, sob a ameaça de fechar o seu negócio. Pouca gente se lembra desse episódio. Mesmo com todas as provas de falcatruas e outras coisas mais, os eleitores da cidade natal de Severino Cavalcanti o elegeram prefeito de João Alfredo, a “Cidade Feliz”, em 2008 – cumpriu só um mandato (1º de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012). Severino Cavalcanti quis se reeleger prefeito em 2012, mas teve a sua candidatura impugnada pelo juiz eleitoral de João Alfredo, que tomou a decisão baseado na Lei da Ficha Limpa. Se dependesse do povo “cabeça chata”, Severino Cavalcanti sairia vencedor das urnas “encabrestadas”. Severino Cavalcanti passou por 09 (nove) Partidos Políticos, UDN (1962–1966), Arena (1966–1979), PDS (1980–1987), PDC (1987–1990), PL (1990–1992), PPR (1992–1993), PFL (1994–1995), PPB (1995–2003) e PP (2003). Este fato reforça o meu conceito: Os ratos migram.

Amigos leitores, leiam, abaixo, o que eu escrevi num sábado, 05 de março de 2005, poucos dias depois de Severino Cavalcanti se tornar presidente da Câmara dos Deputados:

Não deixo de ler diariamente a coluna “Carta do leitor” e o “Fórum” aos domingos, até porque as charges do Amarildo são imperdíveis, editadas na mesma página. Devo reconhecer o bom nível dos textos. Pela primeira vez externo opinião sobre um deles, “Baixo clero”, de Walmir da Hora, A GAZETA (26/02/2005). Estamos o tempo todo discriminando ou condenando alguém, ou alguma coisa, mas, nessa atitude, vê-se uma via de duas mãos – um procedimento não inconsciente. Realmente, as peças que assistimos no teatro da política brasileira nos mostram situações hilariantes e a imprensa cumpre o seu papel em divulgá-las, sempre que perdemos algum ato, ao vivo, preservando, é claro, a seriedade que o assunto requer, e esperamos que em nenhum momento houvesse omissão, para que nós, os espectadores, possamos aplaudir ou vaiar. Nas empresas privadas, quem nunca ouviu a expressão “Raia miúda”? Um pescador separa os peixes pequenos. Brizola cansou de usar o termo “Sapo barbudo” quando se referia a Lula. A natureza se encarrega da “seleção natural”. Os homens promovem a “seleção imposta”, por natureza. Assim como a dor está no corpo de quem a sente, a incompetência é demonstrada por quem a pratica e achamos que a competência nunca saiu do nosso lado. Somos desatentos e a ênfase, nesse caso, é indispensável. As próprias pessoas se estigmatizam pelo que são, ou aparentam. Produto ruim leva rótulo ordinário. Tem que levar. Facilita a escolha. Severino Cavalcanti é mais um “agente-político-abjeto” do poder, enquanto nós eleitores, somos rotulados de “objetos-passivos-dominados”. O que tem que ser dito, e pensado, é que, tanto o alto, quanto o baixo clero, já nos conferiu, há muito, o título honorífico de “Bobos da corte”.

O tempo passa rapidamente, o tempo voa como o forte vento sobre a terra. São assim as pessoas. Diante dos escândalos, o destino de Severino Cavalcanti foi definido em poucos dias, ao contrário da sorte do atual presidente da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que continua desafiando o alto clero. De 2005 pra cá a prática política, como dever de ofício, só se agravou, causando grandes danos ao país. Severino Cavalcanti ficou apenas 07 meses e 07 dias na presidência da Câmara dos Deputados; Eduardo Cunha já está lá faz 09 meses e 02 dias (posse em 1º de fevereiro de 2015). A única coisa de diferente entre Severino Cavalcanti e Eduardo Cunha é o montante da corrupção: R$ 10 mil mensais contra US$ 05 milhões (até agora) – os conceitos operacionais são os mesmos. As Instituições mudaram pra pior? A corrupção se sofisticou? Os bobos da corte fizeram herdeiros? William Shakespeare foi feliz quando escreveu: “Há algo de podre no reino da Dinamarca” – Hamlet.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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