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Política

Lula e os ratos

Lula e os ratos

O Partido dos Trabalhadores desmoralizou o roubo, desqualificou a profissão de ladrão, aquele ladrão dantes representado por uma figura com máscara preta nos olhos e tapando boa parte do rosto. Mas isso foi num tempo romântico, Madame Satã (o transformista João Francisco dos Santos) era vivo – ele morreu logo após a sua última saída do presídio da Ilha Grande (baía de Angra dos Reis, RJ), em abril de 1976. Madame Satã foi um marginal carioca respeitado no meio da pilantragem e os ladrões de máscara preta também. Os ladrões de hoje, vigaristas eleitos pelo povo, são representados por políticos engravatados, no auge dos seus mandatos, com a cara totalmente exposta, roubando à luz do dia, na mão grande, não aquela “mão de veludo” de outrora. Os políticos ladrões não se importam com nada e despreocupados se serão descobertos pela Polícia e identificados pela população. Os ladrões de ontem respeitavam as autoridades, os ratoneiros de hoje as corrompe.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, defende a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no pleito de 2018. Muita pretensão da parte dele, considerando a revelação de fatos novos pela Operação Lava-Jato que comprometem Lula e sua família. O lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como um dos operadores do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras, em delação premiada homologada pelo ministro Teori Zavascki (STF), disse que pagou despesas pessoais de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, da ordem de R$ 2 milhões. Lulinha é o filho mais velho de Lula, e está virando velho hóspede das páginas policiais. Como se observa, o castelo da corrupção, onde reinam livremente as mais impolutas ratazanas do país, está ruindo aos poucos e não restará pedra sobre pedra.

Só de imaginar que Lula pode se lançar candidato em 2018 dá calafrios. Bem antes disso o Palácio do Planalto terá sofrido um profundo trabalho de desratização. Admitir a “volta de Lula” é apostar no continuísmo da roubalheira patrocinada pelo PT e acreditar na perpetuação da impunidade. Ouvir Rui Falcão falando dá uma sensação de asco. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), e o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), também despertam sentimentos profanos quando abrem a boca em defesa das ações do governo enquanto negam as falcatruas dos seus pares. Rattus rattus. Todos juntos numa mesma toca professam a condenação da direita golpista. Passar o Brasil a limpo é pouco, ele precisa ser redescoberto – não reinventado como alguns defendem.

Sem pudor algum, Lula aconselhou sua afilhada política, Dilma, a atender a todas as súplicas do PMDB, mesmo que isso implique em diminuir consideravelmente o espaço do PT no governo por obra da reforma ministerial. “É melhor perder ministérios do que a Presidência” profetizou Lula ao pé de ouvido da falsa petista. O aparelhamento do Estado e o loteamento da máquina pública, como forma de sustentação política, reforçam a tese de que o ladrão precisa de comparsas para bem desempenhar a gatunagem, caso contrário, não consegue carregar sozinho o peso roubo – metaforicamente pode ser definido de várias formas. Deixar de aplicar os recursos públicos em serviços essenciais para a população é uma delas, sobretudo quando o dinheiro dos nossos impostos vai parar nos bolsos dos políticos que formam os partidos da base aliada e realimenta o processo corrupto.

Será que o ex-ministro da Educação Cid Gomes estava certo quando disse durante uma visita à Universidade Federal do Pará (UFPA) que o Congresso abriga de 300 a 400 parlamentares achacadores? Questionado na Câmara em março deste ano sobre as suas declarações, Cid Gomes soltou mais uma pérola: “Isso não quer dizer que concordo com a postura de alguns, de vários desses, que mesmo estando no governo têm postura aqui de oportunismo. Partidos de situação têm o dever de ser situação, larguem o osso e saiam do governo”. O PMDB age como carrapato de tubarão e será esse o Partido Político que tirará Dilma do governo. O PT sangrou o país e os seus “aliados” querem sugá-lo até a última gota. Não há solução política para o Brasil, senão um inadiável e profundo trabalho de desratização.

O economista Delfim Neto tem criticado severamente as medidas adotadas pelo governo da petista Dilma Rousseff no que tange ao ajuste fiscal e à proposta de Orçamento 2016 com déficit. “A Dilma é simplesmente uma trapalhona”, disse ele. Ao pensar que Lula, o ex- esquálido retirante nordestino, foi o autor disso tudo, me dá uma vontade danada de começar o serviço de desratização a partir dele. Todavia, a vez dele chegará. O procurador-chefe (MPF) da força-tarefa da Operação Lava-Jato, Deltan Dallagnol, disse recentemente que os desvios na Petrobras podem ultrapassar os R$ 20 bilhões, por enquanto, uma vez que as investigações continuarão por mais um ou dois anos. Esse dinheiro, fruto de corrupção, não serviu apenas para financiar campanhas políticas dos aliados do governo, e dele próprio, ele teve como objetivo principal enriquecer os líderes da quadrilha, sobretudo os Rattus rattus que habitam o cume da pirâmide criminosa – até então uma hierarquia intocável. A Petrobras é apenas a ponta do iceberg revelada na Operação Lava-Jato, apenas uma estatal no meio de tantas outras igualmente envolvidas em esquemas de corrupção como a Eletrobras, a Eletronuclear, Furnas, BNDES, bancos públicos, etc. Teori Zavascki, ministro do STF e relator do Petrolão, tratou de tirar das costas do juiz Sérgio Moro o tubo de oxigênio que o permitia mergulhar no mar da corrupção para investigar o segundo degrau do iceberg, ainda submerso. Infelizmente, Lula e os seus fieis ratos gozam de proteção fora d’água.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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