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Política

Instituto Lula – A Bomba

1As histórias se cruzam na linha do tempo. Coincidências há no cruzamento dos fatos. Nada acontece por acaso, se formos parar para pensar chegaremos à conclusão que sempre há motivação articulada pregressa. Tudo é pensado milimetricamente, nos mínimos detalhes, de modo que as operações não podem dar erradas e os objetivos sempre alcançados, ainda que parcialmente. Na ocorrência de situações imprevisíveis um segundo plano é colocado em ação, em seguida um terceiro, e talvez uma quarta construção de ideias. Em qualquer evento planejado temos as figuras do mentor (aquele que idealiza), do projetista (aquele que produz o cronograma), dos operadores (aqueles que praticam a ação), do analista (aquele que mede os resultados, não as consequências) e a figura do mandante (aquele que bate o martelo). Outro personagem se destaca no contexto, o observador invisível (pode ser mais de um) – esse ninguém consegue identificá-lo –, aquele que acompanha atentamente o desenrolar dos acontecimentos mantendo a cúpula do poder a par de tudo, sobretudo com relação às insubordinações. Na prática, difícil acreditar que todos saibam de tudo, que tenham pleno domínio do fato; apenas todos detêm parte das informações do crime a ser praticado – assim como ninguém (sozinho) sabe a integralidade da fórmula da Coca-Cola, exceto o governante que sabe o código secreto para lançamento dos mísseis nucleares. Acima do “mandante imediato” pode haver a figura do “mandante superior”, e, ainda, acima deste, a figura do “mandante general”. Uma questão de hierarquia demonstrada no organograma funcional, esta ordenação das autoridades respeitada para o bem de todos e para a felicidade geral da nação. Regra geral há severas punições aplicáveis àqueles que quebram pactos, inclusive de silêncio – quando as investigações se aproximam das “revelações dos fatos”, podem acreditar que um nome da quadrilha vizinha já foi selecionado para assumir a culpa.

Um grande quebra-cabeça desafia a nossa inteligência, porém, a depender de como dispomos as pedras do jogo no tabuleiro, podemos melhor montar o quadro com imagens mais nítidas. Para tudo tem uma lógica. Fato indiscutível. Impressionante como as coisas acontecem, numa sucessão cronológica, facilitando interpretações, ou, outras coisas surgem prejudicando julgamentos. Por que compramos uma primeira versão dos fatos? Provavelmente porque outros “pratos quentes” aguardam na fila para a nossa má degustação – temos pressa diante da enxurrada de informações que sobrecarregam o nosso “HD cerebral”; embaralhamos tudo e, no fim, não ficamos sabendo de nada satisfatoriamente. O que é fato muitas das vezes não é a “verdade absoluta”, de modo que resultados acabados, ou que estão prestes a serem consumados, podem não caracterizar uma “realidade comprovada”. Um fato em si não pode ser mudado, mas, o que foi “finalizado” pode sofrer alteração processual dependendo dos propósitos. Por teoria, as vítimas são as que menos sabem, aos supostos culpados lhes é dado o direito da dúvida, aos criminosos a compra do silêncio antes que se tornem confessos. Os questionamentos são sempre bem vindos quando não respondidos na sua essência.

Duas ‘balas de prata’ estão no tambor do Colt. O ex-diretor da área de Serviços e Engenharia da Petrobras, Renato Duque, preso em Curitiba-PR desde março deste ano, pretende fazer um acordo de delação premiada no Ministério Público Federal depois que viu o seu sonho de impunidade virar pesadelo de condenação. Duque contratou o advogado Marlus Arns para intermediar os termos da delação junto ao MPF na última tentativa de conseguir benefícios legais que levem à redução das penas (vários crimes e vários processos). O advogado Marlus Arns foi o responsável pelas defesas dos ex-executivos da Camargo Corrêa, Eduardo Leite e Dalton Avancini. Lembro, ainda, que Renato Duque foi o “homem do PT” dentro da Petrobras (2003 a 2012), indicado pelo ex-ministro José Dirceu, que nega peremptoriamente como se isso não fosse comprovado. Na sua gestão, Renato Duque, em troca de gordas propinas, permitiu que empresas fornecedoras da estatal formassem cartel para combinar preços e dividir obras. A delação premiada de Renato Duque ferirá de morte o Partido dos Trabalhadores e, na paralela, arrancará a máscara do ex-presidente Lula, puxando-o para a parede do olho do furacão – quem sabe levando-o à prisão. A segunda ‘bala de prata’ leva a assinatura de Lula e está reservada para ele. Lula pede a Deus que o poupe da morte antecipada, prefere a morte natural por conta de um câncer mal curado na laringe (diz que curou) e outro novo câncer que apareceu em um órgão vital (não revelado), descoberto logo no início de 2014. Lula está sendo investigado pelo Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal de Brasília por tráfico de influência internacional entre os anos de 2011 a 2014, já fora da presidência. O “lobista” Lula ajudou a Odebrecht, maior construtora do país, a obter contratos na América Latina e na África valendo-se de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES). Lula documentou e esquentou o recebimento das “vantagens financeiras” alegando honorários por palestras proferidas. Mentira. Segundo o Procurador Regional da República Rogério Tadeu Romano, em seu trabalho “O Tráfico de Influência como crime contra a Administração” escreve: “Estamos diante do antigo crime de exploração de prestígio, que a doutrina cognomina como ‘venditio fumi’ (venda de fumaça) ou influência jactanciosa. Com a nova redação que lhe foi dada pela Lei 9.127, de 16 de novembro de 1995, deve ser observado o núcleo verbal: solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função. A pena é de dois a cinco anos e multa. […]”. Lula nunca deixou a presidência da República, tanto que participava de reuniões com a presidente Dilma Rousseff, representava-a em diversas frentes de governo, sobretudo em missões oficiais. Desta feita, pode perfeitamente ser responsabilizado pelas ações delituosas cometidas em nome do Estado brasileiro como se na ativa estivesse.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (“Velho” PT) procurou o famoso médium João de Deus, fundador da Casa Dom Ignácio, localizada na cidade de Abadiânia, Goiás (GO), para curá-lo da reincidência do câncer. Uma vez curado definitivamente, reuniria forças para fundar o “Novo” PT como último suspiro político. Neste interregno, Lula tem se ajoelhado aos pés da estátua do Padim Ciço (Cícero Romão Batista, sacerdote, católico brasileiro, conhecido como Padre Cícero) rogando-lhe que as ‘balas de prata’ disparadas de um velho Colt não o acertem. O criminoso tem várias facetas, assim como o Diabo várias faces. Na literatura policial é comum registro de criminoso que se auto-flagela após o cometimento do crime para não ser incriminado, para fugir da autoria, atira contra o próprio corpo com uma segunda arma para caracterizar legítima defesa, causa hematomas generalizados (bate com a cabeça na parede, cai da escada, pede alguém para aplicar-lhe uma surra danada). O que não falta é cúmplice, sempre encontra um. O PT de Lula e ele próprio têm que fazer alguma coisa para desviar a atenção da opinião pública da gravidade dos fatos que os comprometem e nada melhor do que criar um clima de vitimação. Se fazer de vítima, se prejudicar, se danificar para se fazer de vítima, é estratégia pensada de Lula, uma vez que os seus cânceres não comoveram os brasileiros. Tudo tem um sentido. Será que as investigações apontarão a participação direta e exclusiva do Partido dos Trabalhadores no suposto “atentado terrorista” contra o Instituto Lula na noite de quinta-feira, 30 de julho de 2015? Muito estranho que um “atentado” desta natureza aconteça justamente às vésperas do PT e Lula sofrerem duros reveses por conta da Operação Lava-Jato. Só o tempo dirá – as histórias se cruzam nessa linha. Assista, abaixo, ao vídeo da “bombinha caseira” sendo jogada na sede do Instituto Lula.

Câmeras de segurança registraram o exato momento (22h18min da quinta-feira, 30 de julho de 2015) em que um artefato explosivo é atirado de dentro de um carro em movimento contra o portão da sede do Instituto Lula, no bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo, causando pequenos estragos materiais (um buraco e alguns arranhões na porta da garagem). Graças a Deus ninguém ficou ferido em decorrência da explosão, caso contrário seria o início de um conflito civil de grandes proporções. Um enredo de mau gosto que mexe com a nossa imaginação. Para Celso Marcondes, diretor do Instituto Lula, a ação se trata de “ataque político” e espera que os responsáveis sejam identificados e punidos. “O ataque ao Instituto Lula é uma agressão à democracia. […] São inaceitáveis esses atos de violência e intolerância no nosso país. […] O Brasil tem um histórico de diálogo pacífico e rejeição a atos violentos, que esperamos que continue e seja ampliado” – Disse, em nota, Miguel Rossetto, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. Digamos que o autor do “ataque político” seja capturado e resolva fazer uma delação premiada e confesse que isso é coisa dos próprios petistas? Temos razões para pensar assim, de todo modo, as suspeitas recaem sobre o Partido dos Trabalhadores por conta do currículo terrorista-guerrilheiro dos seus membros. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, foi militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) ao lado de Dilma Rousseff, e, ambos, sabem perfeitamente do que eu estou falando. A VAR-Palmares foi uma organização política armada brasileira de extrema esquerda que combateu a Ditadura Militar brasileira (de 1964 a 1985), cometendo vários crimes (de morte, entre outros), utilizando-se de táticas de guerrilha urbana com o objetivo de instaurar o regime comunista no Brasil. Integrantes da atual “esquerda banana” falam em “ato terrorista” o atentado a bomba ao Instituto Lula. “A intolerância é o caminho mais curto para destruir a democracia. […] Jogar uma bomba caseira na sede do Instituto Lula é uma atitude que não condiz com a cultura de tolerância e de respeito à diversidade do povo brasileiro” – Disse Dilma Rousseff em suas contas no Facebook e no Twitter. “Ataque ao Instituto Lula é terrorismo de direita, estimulado pelo massacre midiático contra Lula. Os fascistas se sentem legitimados” – afirmou o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT). Tal modelo de comportamento só faz ratificar a minha opinião. A seguir nessa toada o PT vai sucumbir mergulhado no rancor e na ira. Na falta de reais perspectivas os cidadãos comuns se irritam, apegam-se a pormenores e os transformam em declaração de guerra. As histórias se cruzam na linha do tempo. Coincidências há no cruzamento dos fatos.

3Na noite de 30 de abril de 1981, mais de dez mil pessoas assistiam a um show do Dia do Trabalhador no Riocentro, no Rio, quando uma bomba explodiu dentro de um Puma de placa fria no estacionamento. A explosão matou o sargento Guilherme Pereira do Rosário, que estava no banco do carona, e feriu gravemente o capitão Wilson Luís Chaves Machado, na direção. Ambos pertenciam ao DOI-CODI, do I Exército. Dez minutos depois, outra bomba explodiu na casa de força do Riocentro, sem danos maiores.

O corpo do sargento, que segurava a bomba no colo, ficou mutilado, e o capitão, com o braço direito dilacerado e as vísceras expostas, foi socorrido por Andréia Neves (neta do então senador Tancredo Neves) e o namorado dela. Imediatamente, o comandante do I Exército, general Gentil Marcondes Filho, saiu em defesa de seus homens. Guilherme do Rosário foi enterrado com honras militares, na presença do general, que também visitou o capitão no hospital. Tentando justiçar a ação, o secretário de Segurança, general Waldir Muniz, disse que um chamado Comando Delta ligara para o Riocentro avisando das explosões uma hora antes. Por isto, os militares teriam seguido para lá. Ao achar a bomba, segundo ele, o sargento a recolheu e ela explodiu.

O presidente da República, general João Figueiredo, chegou a afirmar que, se fosse uma ação de esquerda, não poderia ter sido mais inteligente, mas, se tivesse sido feita por gente do Exército, teria sido muita burrice. No inquérito policial militar (IPM) encerrado em 1981, o então coronel Job Lorena de Sant’Anna (depois chegaria ao posto de general) desprezou provas periciais e concluiu que os dois militares tinham sido vítimas de um atentado promovido por grupos de esquerda (VPR ou MR-8) ou de direita (Comando Delta). A conclusão não convenceu ninguém. “A bomba explodiu dentro do governo”, sintetizou o ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel.

Até o episódio, houvera dezenas de atentados praticados pela direita com o objetivo de bloquear o processo de abertura política. O caso Riocentro foi reaberto em 1999, quando um novo IPM mudou a versão que perdurara por 18 anos. Foram indiciados o coronel Wilson Machado, por homicídio qualificado (pena de 12 a 30 anos), e o general da reserva Newton Cruz, ex-chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI), por falso testemunho (pena de dois a seis anos) e desobediência (de um a seis meses).

Em 2010, depoimentos de militares ao GLOBO indicaram que o grupo que praticara o atentado do Riocentro também enviara cartas-bomba para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a SUNAB, mas nada ficou comprovado.

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À época, um jornal de tendência esquerdista escreveu (trecho): “Um dossiê divulgado na última semana comprova o envolvimento dos militares com o atentado em 30 de abril de 1981, no Centro de Convenções Riocentro, no Rio de Janeiro. O dossiê é constituído de registros de militares envolvidos no atentado e na operação de acobertamento do plano, que consistia em atribuir à esquerda o atentado terrorista. O objetivo do atentado da ala ‘linha dura’ do Exército era convencer a outra ala a endurecer a repressão contra as organizações de esquerda e fazer durar mais tempo o regime militar, que já estava em crise. O que mostra o que a direita é capaz de fazer para preservar seus interesses. Cerca de 20 mil pessoas se encontravam no evento em que se comemorava o Dia dos Trabalhadores, no 1º de maio”.

No Brasil de hoje, o fato é que o estopim está aceso e queimando rapidamente. O fio utilizado para conduzir o fogo até a carga explosiva está embebido com nitroglicerina pura. O Partido dos Trabalhadores é ávido em provocar acontecimentos que estão gerando, na contrapartida, uma bateria de situações contrárias. Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Quem faz o que quer saiba de antemão que está sujeito a responder pelos seus atos. Estes são fatores que têm provocado confrontos diretos entre situação e oposição. A cautela passa longe. Nada acontece por acaso, se formos parar para pensar chegaremos à conclusão que sempre há motivação articulada pregressa. Vale à pena rever matéria do G1 – Eleições 2014, atualizada no sábado, 25/10/2014: Prédio da Editora Abril é pichado durante protesto contra revista Veja. Reportagem da revista diz que Lula e Dilma sabiam de desvios na Petrobras. Para Dilma, revista faz ‘terrorismo’. TSE suspendeu propaganda da ‘Veja’. O prédio onde fica a sede da Editora Abril, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, foi alvo de um ataque na noite desta sexta-feira, 24 de outubro de 2014, depois que a revista Veja publicou uma reportagem sobre o escândalo da propina na Petrobras.  A revista afirma que o doleiro Alberto Youssef disse, em depoimento à Polícia Federal, que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento de um suposto esquema de corrupção na Petrobras que abasteceria campanhas do PT. Naturalmente a “Direita” deve ter acusado a “Esquerda” por esse “atentado terrorista” contra a sede da Editora Abril. A presidente Dilma Rousseff (PT) esqueceu o “atentado” em si e limitou-se a acusar a revista Veja de terrorista: “Para Dilma, revista faz terrorismo”. Tudo, para o PT de Dilma, é golpismo. Será que o PT, algum dia, vai assumir a autoria de alguma coisa (como um gesto de decência), antes da sua extirpação do mundo político?

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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