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Política

Estupro auricular

Estupro auricular

Se colocarmos uma cerca em torno de Brasília, a capital brasileira vira hospício, se colocarmos uma lona sobre ela, vira circo. Agora, se ocuparmos as galerias do Congresso Nacional estaremos dentro do maior teatro de horrores existente no planeta Terra. Em certa ocasião eu disse que as duas Casas de Leis, Câmara e Senado, se transformaram em Delegacias de Polícia, porque são tantas as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que a missão de legislar acabou se desfigurando. Isso mesmo. Hoje um parlamentar não faz outra coisa senão cascavilhar crimes cometidos por políticos e partidos opositores, de modo que já virou principal dever de ofício. Para tudo, o Brasil, os projetos, as Instituições deixam de funcionar na sua plenitude. A CPI da Petrobras não passa de uma reedição de mau gosto. Da mesma sorte a CPI do BNDES e a CPI do HSBC (A propósito, o nome do apresentador Jô Soares foi citado no caso Swissleaks e está listado nas planilhas do HSBC de Genebra. Por isso, vem criticando Aécio Neves, e por tabela o FHC, que defende o pedido de impeachment da presidente Dilma, por achar que, agindo assim, o governo vá interferir na CPI a seu favor). Fora isso, somos obrigados – porque a mídia não deixa de noticiar fatos horrendos – a ver e ouvir besteiras das mais estapafúrdias, sobretudo quando os assuntos envolvem o presidente-evangélico da Câmara, Eduardo Cosentino da Cunha (PMDB-RJ), e o presidente-escorregadio do Senado, José Renan Vasconcelos Calheiros (PMDB-AL). De todo modo, eles fazem por merecer a bandeira do “Partido Moralizador De Bosta”. O PT já virou merda faz tempo. E por falar em merda, os políticos insistem em fazer dos nossos ouvidos pinico – prática antiga. Com essa cambada de lacaios e proxenetas no poder da República o Brasil está muito longe de ser um país sério. Leia, abaixo, o artigo que escrevi numa quinta-feira, 05 de maio de 2005, sob o título “Estupro auricular” – vem a provar que o Congresso Nacional é realmente uma “Casa de Putas” governada por sacanas.

Meu pai um dia me falou: “Meu filho, se um mamífero quadrúpede solípede lhe der um coice, não arranque a sua pata, porque esta é a sua condição – dar coices”. O cavalo não tem o direito de ficar ofendido porque não é o único que tem um só casco em cada pé. O sertão nordestino destaca-se por ser o maior produtor de jumentos, burros, ou de asnos. Como tudo é a mesma coisa, não precisamos, necessariamente, seguir esta ordem, e optar por “o nordeste dá origem a burros, asnos ou jumentos”. Há quem prefira dizer: “O nordeste fabrica asnos, jumentos ou burros”. O Severino Cavalcanti de lá vem – jamais pode negar as suas origens –, e junto com Lula forma uma inigualável dupla híbrida. Assim como não devemos extirpar a pata do equino quando este nos dá um coice, também não podemos arrancar a língua do Severino Cavalcanti, ou pelo menos pensar em fazê-lo, por falar impropérios. O ataque de frente é a arma preferida do presidente da Câmara, sempre num completo estado de entorpecimento da inteligência. Severino Cavalcanti, ao justificar sua posição contrária ao aborto, teve outra paralisia súbita: “O estupro é um acidente horrendo”. Mais tarde, reiterando que considera o estupro um “acidente”, saiu com essa: “Não é um acidente uma moça ser apanhada desprevenida e atacada por um louco?”. Por essas, e por outras que ainda virão, devemos pedir ajuda ao Chico Anísio para identificar os humoristas e separá-los de quem está falando sério – ou quase.

Qualifico a Câmara dos Deputados, Federais, uma verdadeira burrama, não só pelo fato de ter elegido Severino Cavalcanti seu presidente, como os parlamentares julgarem merecedores os eleitores brasileiros – talvez porque achem que também somos provenientes de cruzamentos de espécies diferentes. Por se encontrarem abertos, os nossos ouvidos serão estuprados uma infinidade de vezes, ainda mais que já começou a corrida eleitoral para 2006. Fiquemos antenados, porquanto Brasília terá uma safra recorde de indivíduos estúpidos, sem inteligência, grosseiros, cavalgaduras e teimosos – sobrarão parvoíces, burradas, asneiras, disparates e despropósitos. Doravante, chamarei Severino Cavalcanti, e seus congêneres, de jerico ou jegue, entendendo que deva aderir à substantivação. Tomarei alguns cuidados no palavreado para não ser mal-interpretado e para não “aguçar” o crime organizado instalado no Congresso – ao invés de falar “extravio ou sumiço de dinheiro”, “ladroagem”, no seu lugar, eu empregarei outras expressões como “descaminho de valores”, “desencaminhamento moral”, “desvio do bom procedimento”. Acredito, sinceramente, que dessa maneira estarei contribuindo para a elevação do nível da comunicabilidade do parlamento, ainda que, do decoro, seja impossível.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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