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Política

Sequestro da decência – 10ª parte

1A informação colhida nas diferentes fontes é a matéria-prima da notícia – a boa informação dá qualidade ao jornalismo. Por sua vez, a notícia é uma das principais matérias-primas dos meios de comunicação – a notícia, independente do conteúdo, é uma metodologia estruturada de divulgação de um acontecimento, de um fato, com o objetivo de alcançar determinado público alvo. Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, criticou duramente, em rede social, os encontros furtivos do ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, com advogados de empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato, e, por isso, defendeu a sua imediata demissão. Essa é uma informação socialmente relevante que mereceu publicação na mídia em geral, não só pelo fato de revelar um posicionamento de Joaquim Barbosa – cuja “antecipada” aposentadoria como ministro do STF foi publicada no Diário Oficial da União na quinta-feira, 31 de julho de 2014 –, como também pelo inoportuno envolvimento de um ministro de Estado no episódio, que produz desdobramentos imprevisíveis pela magnitude do escândalo. Obviamente que esses encontros furtivos não se tratam de quebra de legalidade, facilitação de tráfico de influência, mas sim de uma questão de descumprimento da ética pública por parte de quem deveria preservá-la, considerando-se as atuais circunstâncias, em razão da gravidade do cenário político, até porque o ministro José Eduardo Martins Cardozo por ser advogado deveria saber exatamente o que estava fazendo, tinha pleno conhecimento das implicações e dos riscos dos seus atos uma vez cometidos. Talvez por ser um político filiado ao Partido dos Trabalhadores agiu dessa maneira, tinha a proteção do guarda-chuva presidencial, porém, não acredito que tenha agido por conta própria, algum “superior na hierarquia partidária” deve ter pedido este especial favorzinho. No currículo de Eduardo Cardozo consta que ele é licenciado do cargo de Procurador do Município de São Paulo. Brasília tem lógica própria. Mais lenha será jogada na fogueira daqui pra frente.

Estamos diante de uma grave crise institucional. O governo a vê com os olhos da normalidade, qualquer expediente sujo empregado para contê-la é pertinente. Segundo o jornal O Globo, o ministro José Eduardo Martins Cardozo se encontrou no dia 05 de fevereiro próximo passado com representantes da empreiteira Odebrecht, Maurício Roberto Ferro (vice-presidente jurídico da Odebrecht), Pedro Estevam Serrano e Dora Cavalcanti (que trabalham para a construtora). Na agenda oficial do ministro da Justiça a tal reunião consta como “visita institucional”, sem, contudo, mencionar o nome da Odebrecht, citada na delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que confirmou que a construtora lhe pagou US$ 31,5 milhões em propinas entre os anos de 2012 e 2013. Segundo a revista Veja, Eduardo Cardozo também se reuniu na ante-sala do seu gabinete com Sérgio Renault, sócio de um escritório de advocacia que defende a UTC Engenharia. O que chama a atenção é o fato de o ministro Eduardo Cardozo ter afirmado que os advogados foram lhe entregar pessoalmente representações denunciando supostas irregularidades em “determinados” fatos que envolvem a Operação Lava-Jato. Quais irregularidades seriam essas? Vazamentos de informações? Vá saber. Por quais motivos o ministro da Justiça “colocaria o seu na reta”, dando solidariedade às empreiteiras participantes do esquema de corrupção na Petrobras? Seria verdade que o petista Eduardo Cardozo teria tranquilizado as suas importantes visitas? Há suspeitas. Por que então Eduardo Cardozo teria dito, naquele encontro, que haveria uma reviravolta no processo do Petrolão? Que reviravolta seria essa? Sérgio Moro ser afastado definitivamente do caso? O pensado assassinato do juiz Sérgio Moro, transformado em realidade, com o mesmo requinte empregado na morte do Promotor argentino Alberto Nisman, por ele ter feito denúncias contra a presidente da Argentina Cristina Kirchner? “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia” – William Shakespeare. Desde que o Partido dos Trabalhadores assumiu o poder da República em 2003, as relações do Estado Brasileiro com o setor privado se deram em ambientes dos mais espúrios possíveis, propícios a conexões bastardas. O que é público misturou-se com o privado a ponto de se tornarem a mesma coisa. Em 12 anos de governo o PT desqualificou a profissão de ladrão, instituindo a prática no “dever de ofício”. Roubar faz parte da atividade pública no conceito petista, assim como destruir as provas, corromper a Justiça e eliminar os acusadores são missões cumpridas pelos chefões das quadrilhas.

“Sobre as reações aos meus posts recentes sobre confusão entre Política e Justiça: meus críticos fingem não saber que hoje sou um cidadão livre. Livre das amarras do cargo público. Cidadão na plenitude dos seus direitos, pronto para opinar sobre as questões da ‘Pólis’. […] Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a Presidente Dilma demita imediatamente o Ministro da Justiça. Reflita: você defende alguém num processo judicial. Ao invés de usar argumentos/métodos jurídicos perante o juiz, você vai recorrer à Política? […] Os que recorrem à política para resolver problemas na esfera judicial não buscam a Justiça. Buscam corrompê-la. É tão simples assim” – disse o ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, em publicação em seu perfil no Twitter.

Joaquim Benedito Barbosa Gomes, simplesmente Joaquim Barbosa, não deve dar as costas ao “acaso”, porque algo ainda pode surgir ou acontecer tendo alvo definido, com motivo e determinação implícita. A meu sentir, ele, Joaquim Barbosa, antecipou a sua aposentadoria do STF motivada pelas várias ameaças de morte que recebeu de fanáticos petistas por época do final do julgamento do Mensalão quando as penas eram impostas aos réus condenados – sem dúvida foi uma “saída forçada”, jamais atribuída a uma suposta “perseguição branca” sofrida, sobretudo, no período que presidiu a Suprema Corte do país (2012–2014), muito embora eu percebesse claramente manifestações veladas de racismo. Quanto ao juiz Sérgio Moro, ele vem cumprindo o seu papel constitucional e prestando relevantes serviços ao Brasil, sobretudo quando prorrogou as prisões preventivas de quatro executivos das empreiteiras, Ricardo Pessoa (UTC), Eduardo Hermelino Leite (Camargo Corrêa), Dalton Avancini (Camargo Corrêa) e João Auler (Camargo Corrêa). Não há o que discutir. Segundo Sérgio Moro, as empreiteiras insistem em interferir nas investigações em curso, e eu vou mais além, o cerco está se fechando em torno de Lula e Dilma, e o governo, o PT e as “forças ocultas” farão de tudo para lançar armadilhas no caminho de Sérgio Moro, na expectativa que ele caia em alguma. Sérgio Moro não deve recuar, não deve ceder a pressões, mas deve agilizar o processo e apontar o quanto antes todos os criminosos, submetendo-os à Justiça – e deixe a execração por conta da população. Temos o direito de conhecer a exposição dos fatos e, sobretudo, os assaltantes da Petrobras. Um conselho a Sérgio Moro: Não ande sozinho, olhe sempre para trás e reflita que o caso do Joaquim Barbosa ficou só na ameaça. Sérgio Moro corre risco de morte. Numa segunda-feira, 25 de julho de 2005, já deflagrado o Mensalão, eu escrevi o artigo abaixo, sob o título “Pombinhas brancas”. Parece que a história está se repetindo; lá atrás o PT conseguiu sobreviver por conta dos 300 picaretas que habitavam o Congresso Nacional, vamos ver se agora, com a prisão daqueles que ainda restam, o PT encontre o destino que merece. Prevejo dias cinzentos na política brasileira, sinto cheiro de pólvora, a morte ronda.

POMBINHAS BRANCAS

A primeira imagem é aquela que fica. Outra máxima pode quebrar esta regra: “A última imagem é a que encabeça o testamento”. O PT está mais sujo do que pau de galinheiro, e por mais que se lave, o mau cheiro persiste em não sair, ficando o rastro. A única verdade do PT é a sua grande ‘mentira artificiosa’ para enganar, mas, ele, o partido político, tem plena consciência que o restante da granja está emporcalhada, e quem se aventurar visitá-la não tem como não se sujar. A legenda não será poupada dos diversos processos políticos que virão pela frente, sobretudo incitados pela radical “bancada de esquerda” do PT – um PT dentro de outro PT. Convenhamos, admiti-la dentro de um partido político de esquerda-socialista soa como um paradoxo. O Partido dos Trabalhadores está sendo execrado por ele próprio. Porém, o sistema político-partidário sempre apostou na ignorância do povo, na falta de formação política, na sua falta de capacidade de mobilização. Que mundo maravilhoso esse da política – onde pactos de silêncio são sacramentados; conchavos são regras do jogo; onde o arrefecimento da dúvida é imperativo –, no qual nos julgamos livres para fazermos as nossas próprias escolhas, acreditando na cidadania, na justiça social, no exercício da transparência democrática. As chances do PT de recuperar a sua imagem são ínfimas, entretanto, o Marketing político tem como tirar da cartola pombinhas brancas para distrair a massa – a mesma que interfere nas pesquisas de opinião. Uma vez construída uma imagem depravada, nem “Mister M conseguirá demovê-la. Mais cedo, ou mais tarde, a massa – que não sabe o que está acontecendo na real magnitude dos fatos e, portanto, não tem o devido conhecimento da gravidade do problema político pelo qual passa o Brasil, mas é a mesma massa que interfere nas pesquisas de opinião – verá que o PT a traiu em nome de interesses espúrios, e que na elaboração da cilada, estava o seu presidente de honra, que jamais assumirá mea-culpa. Órfão, sem a aclamação do povo, só restará ao PT uma pá de cal. No alvoroço das galinhas, as charmosas baratas atravessam o galinheiro, sãs e salvas – do lado de fora, ninguém tem coragem de pisar nelas. No cantar do galo garnisé, a produção de ovos de ouro continua em ritmo acelerado, enquanto na pocilga ao lado os porcos escarafuncham tranquilamente.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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