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Política

Manada

1Em meio à poeira levantada no Brasil árido, a presidente Dilma Rousseff chamou o seu “pai político” Lula para opinar sobre a reforma ministerial do seu segundo governo. A propósito, Dilma Rousseff lhe deve imenso favor – Lula a transformou num verdadeiro paradoxo. Deixo Dilma Rousseff para depois; agora falarei um pouco sobre Lula. Quem gosta de ouvi-lo é a mídia sempre que alguma autoridade política nasce enquanto outra morre. Lamentando a morte do advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, 79, na manhã desta quinta-feira, 20 de novembro de 2014, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, Lula emitiu uma nota (trecho): “O Brasil perde hoje não apenas um de seus melhores advogados criminalistas, mas um dos homens que mais lutou pela democracia e pelo Estado de Direito em nosso país. Em particular, nós perdemos um amigo”. Talvez a “nota” de Lula ganhe mais destaque na mídia do que propriamente a morte de Thomaz Bastos. Em que pese o razoável Português (língua) empregado pelo assessor de imprensa do Instituto Lula na “nota semi-oficial”, devemos virar a página, seguir em frente e pedir a Deus que Lula não morra antes da conclusão da Operação Lava-Jato, para que a sua “Nota oficial de falecimento” não fique incompleta e, ele Lula, desmerecedor da decretação de luto por sete dias – também por ter disseminado o ódio entre os brasileiros na última campanha eleitoral, fazendo-os (50% deles) acreditar em todas as mentiras que saíam da boca suja de Dilma Rousseff, Lula ficará sem as rezas de praxe.

Lula não me conhece, ele não sabe quem eu sou. O Governo é impessoal – não se refere a uma pessoa em particular. Lula é o sistema; uma forma de governo; uma teoria. De retirante nordestino a Hobin Hood tropical – como réu-confesso, senti-me incapaz de compreender tal metamorfose. Lula não enxerga o povo, assim como o ator não vê a plateia, quando ambos se fixam nos holofotes. Com ele estou sendo implacável. Fiz dele um pobre coitado; um desgraçado; um ser digno de pena, talvez por endossar as críticas acirradas do Diogo Mainardi, colunista da revista Veja, e da raivosa oposição – mas esta segue os ritos do oportunismo. Talvez Diogo Mainardi se prostrou ensandecido por basear-se em simples hipóteses, que de nada servem para explicar o evento Lula. Por mero acaso, Lula é o retrato-falado da massa; uma descrição fiel do seu pensamento, das suas atitudes e circunstâncias, das suas carências expressas. Vou parar de falar mal dele, porque Lula não passa de um princípio geral de uma típica arte. A sua habilidade com as regras da encenação é inquestionável, o que faz dele um artesão das verdades únicas, um arte-finalista das mentes débeis. Decidi não perder mais tempo. Concluí que não tenho poder de inverter a ordem natural das coisas. É loucura acreditar que o poste possa urinar no cachorro. A impotência corrói a iniciativa; tudo continua na mesma; o processo de mudança desenhou-se um sonho perdido na tela da perspectiva. Estou condenado por estar incluído numa minoria esclarecida, e sofro por isso. Do lado de fora deste círculo, a manada de humanos (gado com cangalha), guiada pela ignorância assistida, segue às cegas, e alucinadamente, o líder emblemático “touro sarabulhento”. No soar do chocalho, as instituições brasileiras tornam-se reféns de ideologias destrutivas, com a salvaguarda de políticos irresponsáveis. A nossa imagem projeta-se nítida na vidraça do atraso e da desordem. A esperança cedeu lugar ao pavor. O orgulho de ser brasileiro está morrendo, enquanto o mal ganha força e espaço junto ao rebanho de gado grosso. A manada segue o seu traçado caminho, com destino incerto – talvez rumo ao nada.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

4 comentários sobre “Manada

  1. Até para os imbecis resta a ESPERANÇA, depois do fracasso e dor de um povo, tudo que está passando é aprendizado e temos que ter paciência e deixar a história acontecer.

    Publicado por Nair Santos | 23/11/2014, 20:28
  2. Sempre tem, só não temos “homens patriotas”. Somos todos corruptos?

    Publicado por Nair Santos | 25/11/2014, 19:41
    • A máxima de que “cada homem tem o seu preço” não é a expressão da verdade máxima. Os sistemas são compostos por homens. No Brasil, terra na qual vivemos, os sistemas são corruptos por prática tradicional. Quando todos os indivíduos são colocados na mesma “vala comum”, e se aqueles que professam a honestidade aceitam isso sem esboçar reação, aí, tudo estará perdido, irremediavelmente perdido.

      Publicado por augustoavlis | 26/11/2014, 07:07

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