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Política

Bandeira manchada

1O Brasil que eu conheci ficou pra trás. O Brasil que eu conheço hoje me dá vergonha. Uma sensação de impotência se apoderou de mim, as poucas forças que me restaram não são suficientes para levantar a atual geração que se rendeu facilmente sem esboçar qualquer tipo de reação. Bem ou mal a minha geração passou; nasci, cresci, estudei, trabalhei, construí uma história da qual tenho orgulho. Valeu a pena ter passado por tudo que passei na vida. Se voltasse no tempo não mudaria absolutamente nada. Respeitei os meus pais e os amei muito e fui retribuído, de modo que os exemplos que nortearam o meu destino são os mesmos que uso para iluminar os caminhos dos meus filhos – os netos negam-se a nascer porque lá de cima estão vendo que aqui embaixo não está nada fácil. Também não sei se viverei o bastante para vê-los e brincar um pouco com eles, ser chamado de vovô. Deus é sábio, nada acontece por acaso; tudo na Terra está conectado, mas há uma íntima ligação com o divino.

Vejo jovens negando a origem, entregando-se às drogas e perdendo o sentido das coisas, sem rumo, sem objetivos, vazios, talvez estimulados pela cultura do abstrato, tão comum nos dias atuais. Pessoas que não se conhecem, a si próprias, mas que reivindicam melhor sorte sem, contudo, merecê-la, porque não fazem por onde, somente transferem problemas sem apresentar soluções. Aglomerados se formam, as cidades incham, as oportunidades restritas, indivíduos reduzidos à condição de submissos a sistemas doutrinadores. Se o governo quer consolidar o poder basta alijar o seu povo desqualificando o processo educacional. É a lógica de governos totalitários; se quero dominar as massas não as educo. Quando digo para os jovens que aos 12 anos estudava três idiomas (Inglês, Francês e Latim) eles não acreditam, ficam céticos quando acrescento outras matérias como Canto Orfeônico, Desenho Artístico, Literatura, História Universal, enfim, não dá para comparar currículo escolar. O ontem foi ontem e o tempo presente dificilmente as pessoas saberão identificá-lo para compreendê-lo; quem dirá o futuro, que se desenha incerto e negro. Algo me diz que nem tudo está perdido.

A dignidade dos cidadãos foi reduzida a farrapos; as pessoas estão deixando de ser dignas de respeito – a substituição de valores alimenta as suas “necessidades emocionais” momentâneas e a falta de regras as distancia do círculo familiar, social e, sobretudo, das Instituições. Fato é que o interesse, ou desinteresse, decorre do nível da vantagem que se pode obter numa ação, quando praticada. O coletivo cedeu lugar ao egoísmo. A intolerância nos cobra um preço tão alto que na maioria das vezes não conseguimos pagá-lo. Somos o que somos, as escolhas que fazemos são de nossa inteira responsabilidade – também se elas não derem certo tratamos logo de culpar alguém por isso. Regimes de exceção são formas de governo ditatorial ou de emergência que resultam de uma revolução ou golpe de Estado, porém, outros se manifestam através de processos subliminares de dominação sem lançar mãos às armas – canetas nas mãos certas e Leis assinadas no momento político certo dão o toque da opressão. Ditaduras brancas espalham-se assustadoramente na América Latina. Continuamos impassivos, não tomamos partido das situações, permanecemos indiferentes à dor dos semelhantes. No fundo, acho que merecemos tudo aquilo que nos é imposto, é empurrado pela goela abaixo. Por outro lado, apostamos no absurdo e fomos premiados.

Num período difícil da história política brasileira servi à Força Aérea Brasileira (FAB); uma época especial do ponto de vista do amor à Pátria, do orgulho de ser brasileiro, da emoção incontida aos acordes do Hino Nacional. Heróis sem rosto que arriscaram a própria vida em nome da liberdade, infelizmente mal interpretada por grupos que queriam exatamente o oposto. Desgraçadamente, o que vemos hoje são órfãos do patriotismo perambulando de um lado pro outro, cultuando contos de fadas, navegando na maionese e sorrateiramente entrando na fila para receber as benesses do governo – toda uma mão de obra inútil, subjugada ao governo e por ele jogada às ravinas da servidão. É mais fácil receber migalhas sem despender esforço do que arregaçar as mangas e trabalhar para suprir as necessidades básicas. A ordem natural das coisas foi subvertida. O brasileiro nos últimos doze anos foi conscientizado a ficar quieto, a contemplar os quadros de desgraças com as cores da normalidade. A corrupção sistêmica e endêmica, matizada verde e amarelo, ofusca a honestidade contida na cor azul e a paz na branca. A letra do Hino Nacional a maioria da população desaprendeu, não sabe, por isso não canta, não rende homenagens. Certamente um baile Funk é mais importante, ainda mais se regado a bebidas, drogas e sexo. Que se dane o resto. Resto da sociedade que acaba sendo a geração descompromissada com os valores nacionais.

Daqui a seis dias vamos ter a oportunidade de mudar tudo isso, resta querermos, só depende da vontade de cada um de nós. Se nós concordamos com o status quo reinante, então, cruzemos os braços e votemos no continuísmo. Se, por qualquer motivo, não aceitamos as práticas deletérias que tanto emporcalham o Brasil e empobrecem o povo brasileiro, então, façamos o que tem que ser feito nas urnas, arranquemos a fórceps os políticos corruptos que insistem em permanecer no poder; poder que pertence ao povo, tão somente ao povo. A nossa Democracia não é tão jovem a ponto de criar dúvidas e de impedir que tomemos a decisão certa. Sabemos da imensa dificuldade em mobilizar o país de ponta a ponta, todavia, plantemos uma semente nessas eleições próximas de 05 de outubro, porque um dia ela germinará e dará os frutos da tão sonhada mudança que queremos para o Brasil. Não vamos fraquejar, jamais, o Brasil tem salvação e é muito maior do que muita gente pensa – por mais que os políticos queiram sangrá-lo impiedosamente não conseguirão matá-lo. O vermelho que manchou a nossa bandeira tem dois simbolismos: pode representar o PT, bem como o sangue que derramamos pelas feridas que ele causou. É hora de lavá-la, em nome da honra.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

4 comentários sobre “Bandeira manchada

  1. É meu caro amigo, saudades dos anos dourados! Veja como as pessoas que tem um governo comunista como a china, estão querendo democracia, sabem o que é passar fome, sabem o que é trabalhar como escravo, porque passam por isso! Só mesmo um governo como temos na América latina e do sul que o povo deixa correr frouxo, sendo enganados como crianças , oferecendo balas, quero ver qdo acabar as balas, e o povo ver cortado todos os beneficios que recebem. E vivendo na miséria, Aí será tarde demais…É depois do doce vem sempre o amargo!!!! Vamos pedir muito a Deus que nos livre dessa energia negativa. Luz nas mentes e corações desse povo!!!

    Publicado por nair | 30/09/2014, 02:34
  2. Não sei bem porque, ou talvez saiba,mas acredito numa reviravolta,vamos acreditar e confiar num poder maior.Os sites sociais estão bombando, tomara que esta força vá fazer diferença!!!!

    Publicado por nair | 30/09/2014, 21:51
    • Nair,

      O mal não pode durar para sempre, seria a inviabilidade do bem. Acreditar para agir, agir para mudar, mudar para libertar!

      Divulgue este artigo nas redes sociais.

      Forte abraço,

      Augusto

      Publicado por augustoavlis | 30/09/2014, 22:08

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