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Esportes

Copa do Mundo – 19ª parte – Adeus!

1Continuamos achando que está tudo legal com o Brasil, com a Copa, com os nossos visitantes. Pensando bem, não poderia ser diferente, porque o efeito anestésico causado pelo futebol nos conduz para fora da realidade – a mídia sabe disso e trabalha nesse sentido. Depois que a ficha cair talvez mude alguma coisa, e também se não mudar não tem a menor importância. A melhor percepção é aquela manifestada pelos roedores, porque sabem a hora certa de sair da toca pra comer o queijo – isca manjada. A presidente da Copa & Cozinha, Dilma Rousseff, a mais vaiada do mês de julho, deve estar arrependida por ter dito que esta seria a “Copa das Copas”; uma Copa política que revelou ao mundo como anda a nossa desprezível política; uma Copa das incompetências; uma Copa de altíssimo custo social e contabilidade forjada. Para os organizadores da festa os objetivos maiores eram o lucro, a promoção própria, deixar a casa suja e plantar a semente que germinará novos eventos que produzam os mesmos frutos e idênticos efeitos. Para o restante do povo brasileiro, que não participou do festim licencioso, coube a tarefa de catar latinhas vazias, colocar as coisas nos seus devidos lugares segundo necessidades orgânicas. A cultura plural e heterogênea foi embora, partiu para os continentes de origem, não obstante, deixou para trás alguns ensinamentos que não serão aproveitados porque a nossa cultura é outra, é singular, mesmo assim agradecemos de coração – foi bom o convívio enquanto durou. Fomos mais observados do que observamos. Não, não há dúvida.

Os visitantes deste tempo talvez tenham crescido um pouco com o que puderam capturar da nossa sociedade, dos comportamentos de grupo, das mazelas tupiniquins (não vamos falar das manchas na reputação dos políticos) – atos e fatos cotidianos para serem comparados com outros modelos. Os visitantes deste tempo talvez tenham amado as mulheres e os homens brasileiros, enquadrados na idade da fertilidade; talvez tenham deixado mais saudades do que levado. Foram para casa porque estavam só de passagem – aventureiros do acaso, turistas das praias, do asfalto e das favelas. Os pacíficos grandes grupos de torcedores estrangeiros não precisaram da polícia do seu próprio país durante os passeios que fizeram em território brasileiro (cidades-sede da Copa), mesmo tendo à disposição um destacamento de policiais da mesma nacionalidade, sobretudo para servir de “intermediário” junto às autoridades brasileiras em caso de necessidade, conforme o estabelecido na PORTARIA Nº 88, de 26 de março de 2014 do Ministério da Justiça, regulamentando a estrutura do Sistema Integrado de Comando e Controle da Copa do Mundo FIFA 2014. Se os tais policiais internacionais vieram pra cá devem ter se misturado com os torcedores e com eles foram confundidos, de modo que eu não vi nenhum crachá que os identificasse, tampouco nenhum com cara de cachorro Bulldog inglês faminto. Reinou a paz eterna e todos ficaram inebriados com as sacanagens tropicais.

As centenas de torcedores chilenos que pularam as grades do portão 9 (exclusivo para acesso dos jornalistas, que ficaram assustados com o episódio) e invadiram as dependências de imprensa momentos antes do jogo entre Espanha e Chile, realizado na quarta-feira, 18/06/2014 (16h00min), no Estádio do Maracanã, foi um caso isolado, sem graves consequências. Por sorte, os torcedores vestidos com a camisa da Seleção Chilena não conversaram com os Black Blocs pela Internet. Por sorte, o Chile ganhou da Espanha pelo placar de 2 x 0, com gols de Eduardo Vargas e Charles Aránguiz. O quase pacífico grande grupo de torcedores estrangeiros só queria ter o “direito de participar” – todos estavam alegres, porém, não havia lugar pra todo mundo. Se existem culpados, seguramente podemos apontar o governo federal, os arquitetos, os projetistas, os engenheiros e as famosas empreiteiras contratadas. Na IV Edição da Copa do Mundo de 1950 o Estádio do Maracanã recebeu um público pagante de 173.850 pessoas (o maior registrado até hoje) naquela romântica Final contra o Uruguai, quando o Brasil perdeu por 2 x 1, precisando apenas de um empate para se sagrar campeão. Na XX Edição da Copa do Mundo de 2014 o “modificado” Estádio do Maracanã recebeu um público oficial pagante de 74.738 pessoas na Final entre Alemanha e Argentina, no domingo, 13/07. Que padrão FIFA é esse que reduz a lotação da Catedral do Futebol em 99.112 lugares? Vá saber! A população cresce e o número de cadeiras no “Circo Brasil” diminui – sobram palhaços.

Confesso que por um momento achei que daria Adeus às Copas do Mundo. Nasci no ano da Copa de 1950, justamente no local da sua realização, Rio de Janeiro. Quando ela aconteceu pela primeira vez no Brasil eu estava no ventre da minha querida mãe, que ainda não sentia as primeiras contrações. Pensei que iria morrer quando a Copa voltasse a ser realizada aqui no Brasil, 64 anos depois. Isso me faz recordar da história do escritor americano Mark Twain, que nasceu durante uma das passagens do Cometa Halley e morreu com 74 anos, pouco depois de o astro voltar a se aproximar da Terra – uma de suas últimas visões em vida. “Será a maior decepção da minha vida se eu não for embora com o cometa. O Todo-Poderoso disse, indubitavelmente: cá estão esses dois inexplicáveis fenômenos; eles chegaram juntos, e devem partir juntos” – Escreveu Mark Twain em 1909. Felizmente eu não morri, caso contrário não estaria escrevendo este artigo agora, e também não aceitaria morrer dez anos mais novo que Mark Twain – convenhamos. Deus permita que eu esteja vivo (quanto ao Zagalo eu não sei se ele estará) na Copa do Mundo da FIFA Rússia 2018 para testemunhar duas coisas importantes: um novo vexame da Seleção Brasileira de futebol – porque tudo indica que Dunga continuará técnico – e uma grande vitória do povo brasileiro por ter escolhido um presidente da República não pertencente à quadrilha PT, ainda que esteja no seu último ano de mandato em 2018, mas que poderá ser reeleito, mesmo com a provável derrota da Seleção canarinho – outras variáveis estarão em jogo e os eleitores terão aprendido alguma coisa. Espero.

Augusto Avlis

Post Scriptum: Samuel Langhorne Clemens (Florida, Missouri, 30 de novembro de 1835 – Redding, Connecticut, 21 de abril de 1910), conhecido internacionalmente pelo pseudônimo de Mark Twain, foi um escritor e humorista norte-americano. Notabilizou-se com a obra “The Adventures of Tom Sawyer”, de 1876, e sua sequência “Adventures of Huckleberry Finn”, de 1885, chamado de “O Maior Romance Americano”.

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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