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Esportes

Copa do Mundo – 18ª parte – É campeã, é campeã!

1Domingo, 20 de julho de 2014. Uma semana faz que a Copa do Mundo acabou, aos poucos, as coisas estão voltando à normalidade. Aparentemente, junto com ela, a Copa, e ao longo desse tempo, cessaram as manifestações de revolta, arrefeceram-se as críticas – hoje, pelo menos, esta é a minha sensação. Tive a oportunidade de comentar em outros artigos que tenho por hábito aguardar os ânimos se acalmarem para depois me posicionar acerca de os acontecimentos; uma estratégia pensada para não me expor desnecessariamente, não correr riscos e para não ferir suscetibilidades, até porque, certos comentários externados com honestidade geralmente são mal interpretados pelos radicais. Abespinhados torcedores de plantão ainda insistem em encher o nosso saco – propósito firmado pelos brasileiros que vivem no mundo da lua. A filosofia do bêbado é mais adequada: “O bom bêbado é aquele que bebe metade da garrafa de cachaça para degustar, e a outra metade para comprovar teoria”. No universo do futebol teorias viram regras sem que ocorra antes o fenômeno da experimentação.

Repetir tudo aquilo que a imprensa em geral já falou e escreveu sobre a Final da Copa do Mundo FIFA 2014, sobretudo sobre a vitória da Alemanha diante da Argentina, parece-me “chover no molhado”. Quando duas Seleções de futebol, representando as suas nações, chegam a disputar o Campeonato Mundial é porque fizeram por merecer, portanto, entram na disputa pela Taça em pé de igualdade, ambas têm as mesmas chances e, óbvio, precisam de um golpe de sorte. Foi isso que aconteceu. Nos 90 minutos normais de jogo o placar não saiu do 0 x 0, a partida foi para a prorrogação e aos 8 minutos do 2º tempo, ao receber a bola de André Horst Schürrle (Chelsea), o meio-campista e meia-armador Mario Götze (Bayern de Munique) dominou no peito e de “prima” mandou para o fundo do gol – indefensável para o goleiro da Argentina, Sergio Romero. Sacramentava-se naquele instante a vitória da Alemanha na Copa 2014. Um gol, apenas, que representou a posse da Taça FIFA pelos próximos quatro anos e a glorificação de Mario Götze, que entrou para a história do futebol mundial por ter dado o Tetracampeonato ao seu país. A Alemanha juntou-se à Itália no número de campeonatos mundiais de futebol, com quatro títulos cada uma. Alemanha: 1954, 1974, 1990 e 2014. Itália: 1934, 1938, 1982 e 2006.

Campeonatos dessa magnitude costumam ser cruéis e são decididos nos detalhes. O meia-atacante Ángel Fabián Di María Hernández (Di María) – que atualmente joga pelo time espanhol Real Madrid – fez muita falta no jogo contra os alemães e Messi se sentiu sozinho em campo, quase que órfão de pai e mãe, sem ter um parceiro que pensasse como ele para fazer as jogadas de mestre. A Seleção da Argentina perdeu algumas excelentes oportunidades que poderiam ter mudado a história do título se aproveitadas fossem. Num vacilo de Toni Kroos (joga pelo Bayern de Munique), que cortou erradamente uma bola alta na intermediária indo na direção do seu próprio gol, fazendo com que o atacante Gonzalo Gerardo Higuaín (joga pelo Napoli da Itália) pegasse a bola de presente, frente a frente com o goleiro Manuel Peter Neuer (Bayern de Munique), mas não soube aproveitar a real chance de gol, o que seria o primeiro da Argentina aos 20 minutos do primeiro tempo normal de jogo. Minutos depois, a segunda oportunidade de gol foi perdida por Lionel Messi, que invadiu a área alemã pela lateral esquerda, fez um cruzamento perigoso, e antes que o atacante Ezequiel Iván Lavezzi (Paris Saint-Germain) finalizasse, a bola foi cortada providencialmente na pequena área pelo atento zagueiro Jérôme Agyenim Boateng (Bayern de Munique). A terceira grande chance da Seleção Argentina foi desperdiçada no primeiro minuto dos quinze minutos finais da prorrogação; ela estava nos pés de Messi que invadiu novamente a área pela lateral esquerda, bateu rasteiro e a bola foi para fora – definitivamente, um lance que o craque argentino jamais perderia! O técnico Alejandro Javier Sabella ficou inconsolável. O futebol tem uma máxima: “Quem não faz, leva!”. Importante ressaltar que os três jogadores alemães citados acima jogam no Bayern de Munique, isso sem falar no cara que fez o gol, Mario Götze, que também joga – talvez aí um dos segredos do sucesso. A união faz a força; o autoconhecimento quando surge do convívio com o grupo de jogadores é um inexorável facilitador para a realização de “projetos éticos”, indispensáveis nas práticas esportivas.

Quando a maré não está pra peixe o pescador reza antes de entrar no barco, entretanto, nem sempre os santos atendem as suas súplicas. Tudo bem, a Argentina perdeu pelo menos três “gols feitos”, se os fizesse colocaria a mão na Taça FIFA. Certamente. Não era o dia, não era a Copa, não era o país. Como isso é possível? A ansiedade faz o noivo decepcionar a noiva no primeiro dia da “Lua de Mel”. Não há como falar em “pressão”, de modo que os argentinos são experientes, isso não pesou. A Seleção Argentina foi “secada” pelos quase 200 milhões de brasileiros, essa é a verdade – eu fiquei fora dessa torcida negativa. Eu não considero que o 2º lugar seja o primeiro dos últimos. A Argentina teve e tem os seus méritos. Por total falta de cultura e inteligência, ou mesmo ignorância explícita, torcedores há que extrapolam o conceito de rivalidade, indo muito além de uma simples disputa, de uma normal oposição, de uma leal concorrência entre Clubes Esportivos e Seleções (podendo ser entre pessoas físicas e jurídicas) que estão em busca das mesmas conquistas. Falando exclusivamente do torcedor brasileiro, ele vê o adversário como inimigo, uma real ameaça. O torcedor brasileiro gosta de “gozar com o pau dos outros” (já disse isso), e prefere ver o inimigo perder a ver o seu time ganhar – a derrota do outro é mais importante do que a vitória do seu time do coração, quando o outro time joga com outro time, desde que não seja o seu. Dizem que os flamenguistas são esse tipo de “torcedores especiais”. Tem boi na linha!

Voltando ao assunto da Copa do Mundo FIFA 2014, as campanhas das duas Seleções foram marcantes, considerando os diferentes graus de dificuldade que cada uma teve. Não querendo comparar performances, já comparando, a Alemanha foi a primeira colocada do Grupo G com 07 pontos ganhos – num jogo duríssimo com Gana empatou em 2 x 2, quase perdeu. Por sua vez, a Argentina foi a primeira colocada no Grupo F com 09 pontos ganhos – venceu as três partidas que disputou nesta fase. A Alemanha em toda a Copa fez 18 gols e tomou 04, com saldo positivo de 14 gols (só a Seleção brasileira contribuiu com 07 gols nessa estatística). A Argentina fez 12 gols e sofreu 06, com saldo positivo de 06 gols. Ambas as Seleções, Alemanha e Argentina, no tempo normal dos sete jogos da Copa, tiveram 04 vitórias, 03 empates e nenhuma derrota. Retrospectiva da Alemanha: Na fase de Grupo, venceu Portugal pelo placar de 4 x 0; empatou com Gana em 2 x 2 e venceu com certa dificuldade os EUA por 1 x 0. Nas Oitavas de Final, empatou com a Argélia em 0 x 0, vencendo na prorrogação por 2 x 1, outra partida difícil, não fosse o golpe de sorte da Alemanha, a Argélia teria vencido. Nas Quartas de Final, venceu a França por 1 x 0. Na histórica Semifinal venceu o Brasil pelo marcador de 7 x 1, que poderia ter sido de 8, 10 ou 12, sem nenhum exagero; prevaleceu o respeito ao mais fraco. Na Final, empatou com a Seleção Argentina em 0 x 0, vencendo-a por 1 x 0 no segundo tempo da prorrogação (outro golpe de sorte). Retrospectiva da Argentina: Na fase de Grupo, venceu a Bósnia pelo placar de 2 x 1; ganhou do Irã de 1 x 0 e venceu a Nigéria por 3 x 2 num bonito jogo. Nas Oitavas de Final, empatou com a Suíça em 0 x 0, vencendo na prorrogação por 1 x 0 em jogo tenso. Passou pela Bélgica pelo placar de 1 x 0 nas Quartas de Final. Na Semifinal empatou com a Holanda em 0 x 0 no tempo normal e na prorrogação, vencendo-a nos pênaltis por 4 x 2, com duas belas defesas do goleiro Sergio Romero. Na Final, o resultado já foi dito acima.

Em qualquer modalidade de esporte, sobretudo no futebol, para se justificar ou não justificar os resultados tem sempre aquela história do “Se” – e se tivesse acontecido isso ou aquilo, e se não tivesse acontecido aquilo ou isso, e se este ou aquele jogador não tivesse cometido a falta, e se o juiz não tivesse roubado, e se o bandeirinha não tivesse marcado impedimento, e se o técnico tivesse feito a substituição naquele momento do jogo. E daí pra frente… O certo é que não existem 100% de unanimidade nos acertos, nem 100% de contrariedade pelos erros. Encontrar um meio termo é que é impossível. Como bons torcedores que somos, lembremos de um lance interessante: primeiro tempo dos acréscimos, o zagueiro Benedikt Höwedes (Schalke 04) subiu sozinho na pequena área argentina aproveitando um escanteio cobrado pelo meia Toni Kroos, imaginemos “se” aquela bola não tivesse batido na trave esquerda do goleiro Romero e tivesse entrado. Será que a Seleção da Alemanha ganharia a Final por 2 x 0, aumentando assim a felicidade do capitão Philipp Lahm ao levantar a Taça FIFA? E por falar em Taça FIFA, vocês viram como a presidente da Copa & Cozinha, Dilma Perdedora Rousseff, arrancou a Taça das mãos do presidente da FIFA, Joseph Blatter, e a entregou ao capitão Philipp Lahm? Não, não viram? Então recorram ao YouTube e vejam o papelão da Dilma, uma cena deprimente. Foi vaiada duas ou três vezes sempre que apareceu nos telões instalados no Maracanã. O lindo, formoso, maravilhoso, categórico e histórico “Vai Tomar no CU” não foi repetido em verso e prosa, mas, muitos dos torcedores presentes no Estádio do Maracanã balbuciaram o desejo de mandá-la. Afinal, no balanço Lucros & Perdas da Copa foram registradas mais perdas do que lucros, vide o legado prometido. O “politicamente correto” apregoado pelo governo federal foi um desastre nacional.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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