>
Você está lendo...
Esportes

Copa do Mundo – 15ª parte – Queda dupla, 2ª queda

1Uma queda anunciada, que deixou o Brasil de joelhos, sem forças para levantar. Uma derrota acachapante imposta pela poderosa Seleção da Alemanha. Merecida. A pátria de chuteiras, o país do futebol tropeçou nas próprias pernas, não respeitou o adversário, contou com a sorte, fez por merecer esta maior surra histórica, que macula os 100 anos da Seleção. Uma goleada que jamais será esquecida. O desempenho da Seleção brasileira nesta Copa foi medíocre. No Grupo ‘A’ ganhou da Croácia pelo placar de 03 a 01, empatou com o México em 0 a 0 e venceu Camarões de 04 a 01. Com sete pontos marcados, nessas três partidas que disputou, o Brasil ficou em 1º lugar do Grupo – posição garantida porque o seu saldo de gols (7 – 2 = 5) foi maior do que o saldo de gols do México (4 – 1 = 3) que, assim como o Brasil, ganhou dois jogos e empatou 01. Nas Oitavas de Final a Seleção brasileira jogou com o Chile, não saiu do empate de 01 a 01 e a disputa foi para os pênaltis, marcando 03 gols e o Chile 02. Já nas Quartas de Final ganhou da Colômbia por 02 a 01. E aí veio a Semifinal, jogada na terça-feira, 08 de julho de 2014, quando a Alemanha instituiu mais um feriado no calendário brasileiro, o “Dia da Vergonha Nacional”. Os brasileiros, de um modo geral, não podem reclamar porque o Brasil foi beneficiado por vários erros de arbitragem, pela malandragem dos seus jogadores e por alguns milagres divinos que o levaram longe demais nessa Copa. É duro perder dentro de casa, é como se o seu vizinho invadisse a sua sala e lhe aplicasse socos e pontapés até você perder totalmente os sentidos.

A história tem sempre dois momentos, quando contada pelos vencedores e quando narrada pelos perdedores. As diferentes óticas constroem as interpretações. As verdades, por serem cruéis, na maioria das vezes, não são reveladas por ambos os lados – porém, aos vitoriosos cabe o direito de administrar a divulgação dos fatos para não aumentar, nesse caso, o fator humilhação. Pagamos o preço do “oba-oba”, da arrogância, da auto-suficiência, do já ganhou. Um castelo de cartas soltas levantado sob o efeito de vento forte. Contra fatos não há argumentos, tentar justificar o injustificável é burrice, de modo que só agrava e piora a situação. Levantar a cabeça e seguir em frente é o começo do discurso dos derrotados. O técnico da Seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, no seu particular “The Day After”, de mãos dadas com os seus pares, vem a público pedir perdão pelo triste episódio, confiante na certeza de que daqui a pouco cairá no esquecimento global. Não basta dizer “O responsável sou eu”. Ledo engano. A responsabilidade é de todos. De conversa pra boi dormir todos nós estamos cansados, os nossos ouvidos não aguentam mais. Apostamos no absurdo e fomos punidos – essa é a realidade. A mistura de política abjeta e futebol deficiente só trouxe maus resultados.

Quando se tenta construir algo sobre bases podres, na quebra de valores, o resultado final da obra não agradará a quem a encomendou, aos verdadeiros donos dela. A imprensa fez o seu papel, falou demais, colocou os adversários do Brasil abaixo da crítica, fez e deixou o povo acreditar que ainda éramos os melhores do mundo e que o hexacampeonato estava em nossas mãos e bastava esperar a festa do dia 13 de julho, num provável domingo ensolarado. Representar uma Seleção de futebol não significa um ato de patriotismo, muito pelo contrário, ser convocado para fazer parte de qualquer Seleção é assinar um Contrato de Prestação de Serviços, e com base em regras claras, deve ser cumprido com responsabilidade e acima de tudo com competência. Atos de heroísmo são cometidos diariamente pelo simples e inocente povo brasileiro, que acredita, acredita e acredita – e que agora vê, com amargura e profunda tristeza, desmoronar o seu castelo de sonhos sob o olhar melancólico das pessoas. A pátria arrancará as chuteiras e caminhará descalça pelas ruas da solidão.

O Brasil foi eleito país-sede da Copa do Mundo FIFA de 2014 em 30 de outubro de 2007, cujo processo foi conduzido pela própria Federação Internacional de Futebol Associado (Fédération Internationale de Football Association). Após o anúncio oficial feito pela FIFA, alguns idiotas colocaram uma camisa da Seleção brasileira na estátua do ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, fundador da capital Brasília (Memorial JK, um museu localizado em Brasília). Daquela data até o início da Copa o governo federal teve tempo suficiente para tomar todas as providências relacionadas à organização do evento, sem deixar pendências. E o que ele fez foi empurrar com a barriga causando atrasos generalizados. O brasileiro carrega a fama de deixar tudo para a última hora e me parece que o governo foi contaminado por esse conceito. Trazer a Copa para o Brasil foi uma jogada política de Lula, sobretudo em ano eleitoral, confiante na capitalização de imagem e votos para o seu partido PT. O que vimos foi a prática continuada de desmandos, da corrupção, dos conchavos com empreiteiras, dos conluios entre as duas entidades FIFA e CBF, das quadrilhas agindo à luz do dia – o enriquecimento ilícito uma direta consequência. Essa atmosfera de “pouco caso” de certo modo influenciou negativamente no que vimos, nos “desempenhos”. A Copa do Mundo deixou um legado para os brasileiros: as promessas não cumpridas pelo governo, obras de infraestrutura não realizadas, os 12 estádios de futebol superfaturados, obras dos entornos inacabadas, uma imensa conta a pagar e, por fim, a maldita herança da derrota no futebol, que passará de geração a geração. Vamos ver se com esse choque de realidade os brasileiros consigam enxergar as mazelas domésticas – que venham para as ruas pacificamente exigir os seus direitos constitucionais, pedir rigor na CPMI da Petrobras, que, de fato, promovam as mudanças tão aguardadas pelo país, e assim resgatar um pouco da vergonha na cara perdida nesta Copa.

A Seleção brasileira é o retrato falado do engodo, a cara do Brasil, uma farsa. O mundo inteiro viu a Seleção brasileira ser humilhada e ridicularizada dentro da sua própria casa. Uma catástrofe pior do que a derrota sofrida 64 anos antes. Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, ano de 1950, 16 de julho, aos 34 minutos do 2º tempo, Ghiggia marca o segundo gol do Uruguai, calando e fazendo chorar a nação brasileira. Quando o juiz da partida, o inglês George Reader, deu o apito final, fechou-se o caixão e jogada a pá de cal sobre as 173.850 pessoas (nº oficial) que lotavam o Maracanã – mas, estimou-se um público superior a 200.000 pessoas presentes àquela sentença de morte. Ano de 2014, o palco do novo filme de terror foi o Estádio Mineirão. O ‘Maracanazzo’ foi deixado pra trás, e agora podemos chamar isso de ‘Mineirazzo’? Seja como for, algum ilustre membro da imprensa especializada há de conferir uma insígnia para o evento. O simples empate com o Uruguai nos daria o campeonato mundial em 1950, uma simples vitória sobre a Alemanha nos colocaria para disputar a Final com a Argentina. “Ficamos devendo sete gols, que uma vez feitos e somados ao gol de honra marcado por Oscar, teríamos vencido a Alemanha pelo placar histórico de 08 a 07” – disse um alcoolizado torcedor que babava sobre o balcão do botequim. O resultado de 08 a 07 não deixa de ser uma simples vitória. Sinceramente, eu espero que o povo brasileiro tenha acordado na manhã da quarta-feira, dia 09 de julho, um pouco mais inteligente – se é que conseguiu dormir na noite anterior devido à ressaca antecipada.

A glória da conquista não está só nos gramados, ela nasce da consciência de cidadania e da luta honesta por um ideal. Poucos sabem interpretar o sentido de “Uma derrota no campo e uma vitória na vida”. Ensinamentos absorvidos promovem melhores dias. Chorar o leite derramado não traz o leite de volta ao copo. Bater com gato morto na parede não o fará miar novamente. A maior derrota é aquela imposta por nós próprios, quando perdemos para nós mesmos. É obvio, está diante dos olhos, que se Neymar jogasse o resultado da partida contra a Alemanha talvez ficasse em 07 a 03, com dois gols marcados por ele. Neymar foi “poupado” desse vexame – mais uma vez eu questiono o nível da gravidade da sua contusão, e até que ponto o seu afastamento da Seleção brasileira não se deveu ao fato da necessidade imperiosa da “preservação do seu preço de mercado”. O futebol é um negócio extremamente lucrativo, sobretudo quando o assunto é lavagem de dinheiro. Mas isso não interessa aos nossos torcedores. O que despertou relativo interesse, sobretudo em boa parte dos 58.141 torcedores que pagaram ingresso para assistir ao jogo no Mineirão, foram as 60 mil máscaras de Neymar que foram distribuídas na entrada do Estádio, por iniciativa do Grupo ABC. Eu confesso que não vi tanta gente assim colocando a máscara de Neymar na cara, aliás, um dos motivos deve ter sido a feiura do atacante brasileiro – cara feio tá aí!

Dos 23 jogadores convocados por Felipão, 19 jogam no exterior, portanto, têm Contratos Internacionais. Somente 04 jogam no Brasil, os goleiros Jefferson e Victor e os atacantes Jô e Fred, este último comparado a um cone de trânsito. Será que o peso do dinheiro em seus bolsos (principalmente dos 19) afetou as pernas? A riqueza obtida pelos jogadores no exterior geralmente costuma fazê-los perder o compromisso com a Seleção do seu país. Deve passar pela cabeça deles que as derrotas ficarão aqui e de volta aos seus atuais clubes continuarão recebendo os salários milionários, de modo que em suas vidas nada mudará – por enquanto. Copa do Mundo FIFA 2014, uma Copa com poucos vingadores, salvo algum ou outro verdugo que atravessou o caminho de uma Seleção descuidada e fez justiça com as próprias mãos, perdão, com os pés. Por muito tempo teremos pratos cheios à disposição das bocas e estômagos. As estratégias e táticas dos experts que compõem a Comissão Técnica brasileira foram jogadas às ravinas.

Parabéns à Alemanha que soube aproveitar a oportunidade para colocar o Brasil no seu devido lugar. A Seleção alemã, esta sim fez história, conquistou também a maior goleada em uma partida de Semifinal de todas as Copas, e, de lambuja, o atacante Klose fez o 2º gol da Alemanha aos 23’ do primeiro tempo, tornando-se o maior artilheiro de todas as Copas, ao completar 16 gols, um a mais do que Ronaldinho, o “Felomenal” (assim chamado por ter incorporado o personagem Giovanni Improtta). Miroslav Josef Klose é naturalizado alemão, nasceu na Polônia em 09 de junho de 1978 e seu nome de batismo é Mirosław Marian Klose. Maior artilheiro de todas as Copas, um presente de aniversário, ainda que um pouco atrasado (29 dias), pelos seus 36 anos de vida. Parabéns ao Klose!

Augusto Avlis

Anúncios

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 159 outros seguidores

Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: