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Política

Estopim aceso – 5ª parte

1Amigos leitores. O Brasil é um país de mutantes – esse conceito tanto vale para as pessoas, como para animais e plantas. Concepção particular, nada de científico, apenas de observações naturais. E por falar nisso, observei a “Ficha Técnica” do jogo amistoso entre a Seleção do Brasil (4) contra a Seleção do Panamá (0), realizado no Estádio Serra Dourada, em Goiânia (GO), nesta última terça-feira, 03 de junho de 2014, 16h00min, horário de Brasília. Saber os nomes do árbitro da partida e dos seus assistentes, o nº de cartões amarelos e os jogadores que foram agraciados com eles, quem fez os gols, a composição dos times e os seus técnicos, nada disso importa neste momento. O que importa, verdadeiramente, é saber que a renda do jogo foi de R$ 2.548.030,00 e o público pagante foi de 30.663 pessoas. No tempo da Ditadura Militar os portões do Estádio Serra Dourada seriam abertos para a entrada franca dos torcedores – estratégia inteligente usada no aliciamento do povo. Um jogo amistoso com cobrança de ingressos; talvez o resultado das bilheterias fosse para pagar as despesas extras ou “aliciar” o Secretário-Geral da FIFA, Jérôme Valcke, que ultimamente vem falando muitas verdades, uma coisa desconsiderada em sua agenda desde que assumiu o cargo em 27 de junho de 2007. Jérôme Valcke também é um indivíduo mutante, extremamente diferente da sua espécie e que apresenta caráter distintivo, comprovadamente diferente das características dos seus ancestrais. Como ser dípode, Jérôme Valcke se assemelha aos seus irmãos brasileiros (a maioria), cuja personalidade se transforma dando a impressão de possuírem quatro pés. Esse é o grande mistério da mutação.

Quantas dessas 30.663 pessoas se declaravam contra a realização da Copa do Mundo aqui no Brasil? Uma resposta difícil de ser dada com precisão devido a crises de personalidade. As arquibancadas do Estádio Serra Dourada num amarelo tipo primeira caganeira de um recém-nascido. As camisas da Seleção brasileira representavam a transformação dos protestos, antes gritos de cobranças, agora gritos de saudação. “Todos juntos vamos, pra frente Brasil, salve a seleção”. Verso da música “Pra frente Brasil” composta por Miguel Gustavo para motivar a Seleção brasileira na Copa do Mundo FIFA de 1970 realizada no México; nela o Brasil sagrou-se tricampeão. Virou hino da Seleção, cantado em todos os cantos do país criando um clima de ufanismo. A Copa de 1970 foi a primeira a ser transmitida ao vivo, e também foi a primeira transmissão de TV em cores no Brasil pela Empresa Brasileira de Telecomunicações. Um pouco de história é bom para os mutantes. A EMBRATEL foi fundada em 16 de setembro de 1965 pelo então presidente Humberto de Alencar Castelo Branco (20/09/1897 – 18/07/1967), em pleno regime militar. Mas, vamos “pra frente Brasil”, a EMBRATEL é fato descartado pela Comissão Nacional da Verdade nos Autos do Processo da Mentira. Pra frente Brasil. Boa parte daquelas românticas 30.663 pessoas poderia continuar protestando num simples e igualmente ato poético, bastava, apenas, boicotar o jogo. Outras opções estariam disponíveis, como ficar em casa tirando a caganeira amarela das fraldas dos filhos recém-nascidos, ficar sentado no sofá da sala arrancando meleca e colando debaixo da mesa de centro, puxar o saco do chefe no expediente anormal de árduo trabalho, enfim, assistir a um bom filme erótico e se masturbar pensando na cunhada inalcançável. Boicotar os jogos da Seleção, ou todos os jogos da Copa, certamente uma excelente decisão pacífica, e politicamente correta.

Amigos leitores. Sabem aquela coisa que a gente expele todos os dias e quando mais se mexe mais ela fede? Pois é. Estou falando na merda, não que eu esteja nela, mas falando dela. Para muitos, sobretudo para a mídia comprometida com os valores nacionais, a Copa do Mundo já começou, assim como o Carnaval, que começa uma semana antes da data oficial. O negócio é entrar no clima da competição, dentro ou fora dos estádios incompletos (incluem-se os entornos). Os prefeitos das cidades-sede onde se localizam os 12 estádios da Copa estão fazendo das tripas coração para as suas administrações concluírem os projetos “prometidos” pelo governo federal, contudo, é tão impossível como a Seleção do Irã ser campeã. Mobilidade urbana um caos, reformas dos aeroportos deixam a desejar, obras de infraestrutura um conto do vigário, e vai nessa toada, nesse clima de explícita incompetência – tácitos são os acordos.

Se as pessoas de bem pretendem punir alguém ou alguma coisa, que simplesmente repudiem o evento Copa do Mundo e evitem qualquer tipo de contato, principalmente em comemorações extemporâneas (impróprias para o momento político que vive o país) e sem sentido patriótico. Pensando em revide estão as entidades que se reuniram no “Encontro Nacional do Espaço de Unidade de Ação” num sábado, dia 22 de março de 2014, em São Paulo, que programaram grandes manifestações populares para o dia 12 de junho, data da abertura da Copa do Mundo, em várias cidades do país. O tema central é “Na Copa vai ter luta!”. O dia 12 de junho foi escolhido como o pontapé inicial da “Jornada de Mobilizações”. Deus permita que as pessoas mutantes se transformem em camaleões, numa só família Chamaeleonidae, que se distingue pela habilidade em trocar de cor, passando do amarelo caganeira para preto, como sinal de luto. Outras duas características fundamentais dos camaleões: eles possuem língua rápida e alongada, o que lhes permite jurar com a mesma rapidez que torcem pela Argentina; possuem olhos que se movem independentemente um do outro, por isso, um olho fica no padre e o outro na missa. A contagem regressiva continua implacável.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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