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Política

Estopim aceso – 4ª parte

1A roupa está virada do avesso, queimando durante o dia sob o sol e molhando durante a noite sob o sereno, mas não aparece ninguém para recolhê-la do varal e desvirá-la corretamente. No passado, em tempos de crise política, ameaças externas eram comuns, hoje, eu não acredito, sinceramente, que isso possa acontecer de novo. As ameaças estão aqui dentro do nosso próprio país, e não sabemos, ao certo, quando, onde e como se concretizarão – prever o tempo, o local e de que forma não há como. Sem que percebamos podemos estar no local errado, no tempo errado e, portanto, corremos sério risco de nos tornarmos as primeiras vítimas da violência, das circunstâncias, do estado atual das coisas, da conjuntura política. Quem nunca sentiu o sabor das massas e das maçãs? A aparente calmaria é sinal de forte tormenta – ajustemos as velas porque o tempo está fechando em alto mar. Na verdade, o governo federal dá sinais bem claros de que vai fazer algo de muito ruim – esta é uma ameaça real, iminente. Dentro de um túnel sem saída, aguardemos os riscos e as consequências.

A empresa Brasil só não quebra, não vai à falência, não fecha as portas, porque, além de ela ser muito grande e forte, os brasileiros honestos trabalham para repor os prejuízos causados pela súcia de políticos e por seus comparsas. Até quando teremos que dar o nosso suor para esses fanfarrões? Um dia as reservas do país acabam, e aí, como será? As nossas reservas de paciência estão se esgotando. Que tipo de sistema de governo o PT quer implantar no Brasil? Ou será sistema de poder? Agora o fanfarrão maior, Lula, vem com um discurso político totalmente na contramão, de modo que pode colidir de frente e provocar PT – Perda Total. Segundo ele, Lulaéreo, o PT precisa resgatar as boas práticas do passado, da época da sua fundação, como se isso fosse a única salvação da lavoura. Esquece ele que os problemas de governabilidade – ou melhor, da falta de capacidade de governar –, são creditados ao próprio PT, sobretudo pela espantosa incompetência na administração da coisa pública, ineficiência que salta aos olhos. O PT quer cortar na própria carne, mas não espeta nenhum companheiro no gancho de açougue. O médico não cura a perna do doente porque precisa que o paciente pague novas consultas – ainda sob o efeito da anestesia, o desgraçado do enfermo não procura outro médico.

O Brasil arrecadou de impostos, contribuições federais e demais receitas (royalties e outras) no 1º trimestre de 2014 o total de R$ 293,42 bilhões, + 1,13% sobre o mesmo período de 2013, representando novo recorde histórico (em valores absolutos) para o período, segundo a Secretaria da Receita Federal. No 1º trimestre de 2013 a arrecadação total foi de R$ 290,15 bilhões. No 1º trimestre de 2012 a arrecadação total foi de R$ 291,55 bilhões (maior até então). Mais de 15% do que foi arrecadado no 1º trimestre de 2014 estão enfiados na Copa do Mundo FIFA 2014. Cadê o resto do dinheiro, em quais programas foi empregado? Eu confesso que não vi a cor dele, e o povo também não viu. Outra boa parte dele com certeza está sendo gasta com propagandas inúteis do governo federal para a revitalização da sua imagem em ano eleitoral. Quem agradece são as agências de Marketing, Propaganda e Publicidade, que se enriquecem com dinheiro público, de modo que daqui a pouco surgirão clones do Marcos Valério. Lembram do carequinha do Mensalão? A prestação de contas do governo esbarra no muro das lamentações. As pessoas tomam conhecimento dessa informação através da imprensa e ao mesmo tempo ficam questionando como é possível o governo arrecadar tanto e gastar tão mal. Muito embora as pessoas críticas não sejam especialistas da área econômica, tendem a externar opinião na medida em que se sentem afetadas de alguma forma. Mais lenha boa jogada na fogueira das manifestações. O circo está pegando fogo, infelizmente só os palhaços morrerão queimados.

Ficar se esgoelando como o Arnaldo Jabor não resolve, senão o recrudescimento das ações e movimentos de rua, em toada pacífica – atos programados, reivindicações na tentativa de despertar consciências públicas, a rigor. Sabemos, de antemão, que não é tarefa fácil a busca por soluções de curto prazo, emergenciais, para tantos conflitos de governabilidade, para os problemas sociais, estruturais e econômicos. Importa dizer que sem ética pública e sem respeito aos ritos democráticos jamais alcançaremos os objetivos reclamados. Tem gente que não paga pra ver; outros pagam e fogem. A voz do povo é a voz de Deus. Os capetas negam-se a ouvi-la. Uma preocupação toma conta da minha fértil cabeça. Estou achando que a mídia, sobretudo televisiva, está “calada” demais, divulgando pouco ou quase nada sobre os protestos populares. Esta mesma mídia que não quer perder os milhões de Reais pagos anualmente pelo governo federal na veiculação da sua propaganda institucional. Será que tem dedo do governo aí? Estamos vivendo uma era da Ditadura branca? Nenhum tiro é disparado e todos põem as mãos na cabeça. O grito de socorro é abafado pela ânsia de vômito.

Os governos constituídos, em todas as suas esferas de representação (Federação, Estados e Municípios) têm governado para uma minoria de privilegiados – classes privilegiadas –, o que tem provocado um distanciamento da base da pirâmide social, que ao mesmo tempo cresce formando um triângulo obtusângulo com um ângulo superior interno maior que 90º. Essa é a ideia, a tônica matemática adotada pelos sistemas de governo. Em que pese o alardeamento em torno dos programas rotulados de sociais dirigidos à tal “base quantitativa”, na verdade não passam de programas com fins eleitoreiros, de tal modo que essa prática sistêmica tem revoltado a parcela da população situada na parte intermediária do triângulo – esta convicta que o governo usa as massas como base de sustentação política e, por consequência, de poder. Diz a máxima política que quanto maior for a base da pirâmide social, composta por indivíduos menos favorecidos econômica e intelectualmente, maior facilidade no processo de dominação. Nesse caso, o efeito da comoção social não faz muito sentido.

Nos últimos tempos o governo federal está oferecendo a pólvora ao povo brasileiro, este, por sua vez, está com o estopim aceso, aumentando o seu poder de reação em cadeia, fato é que novos engajamentos às manifestações estão sendo comprovados a cada dia. Futucar o leão com vara curta não dá bom resultado. As redes sociais jamais foram consideradas por quem as usa como armas de destruição em massa, e sim como armas de mobilização – ações não levadas a sério pelo governo, que subestimou os grupos organizadores dos movimentos sociais. O mesmo governo que pode tudo em nome do povo. É livre o direito à manifestação, mas não se justifica tirar partido político e proveito da situação. Políticos de vários matizes têm feito isso na caradura. Toda ação gera uma reação inversamente proporcional, por vezes truculenta. A massa acuada, sublevada, fica incontrolável e se comporta com imprevisibilidade. Amarre um buscapé no rabo de um gato e acenda-o, saia de perto e veja o que acontece com o gato – o buscapé já estará queimado, assim como os palhaços. A contagem regressiva continua.

Augusto Avlis

Tocando em Frente

Almir Sater

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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