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Política

Manifestações

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2Os ovos dos dinossauros estão eclodindo. A irracionalidade de um princípio, manifestada como crença por um grupo incontrolável e imprevisível de indivíduos descontentes com o sistema, que professam a destruição material de tudo aquilo que encontram pela frente que esteja ligado à ordem capitalista, que defendem a derrocada da globalização e seus efeitos maléficos sobre a humanidade – subserviência, dominação e exploração sob o domínio do ódio estampado nas máscaras e roupas pretas, já que os rostos não são expostos escondendo identidades. Pessoas que compraram a ideia de luta por uma causa indefinida, sem líderes ou referências, sem modelos padronizados de ação; pessoas que acreditam mudar o mundo de uma forma marcante que possa ser sempre lembrada. Ainda que afirmem a não utilização de armas convencionais nos protestos de rua, a utilização de objetos encontrados por onde passam é procedimento autorizado, não importando quais, desde que atinjam os objetivos traçados: destruição do patrimônio público e privado, intimidação das autoridades e colocar medo nos cidadãos comuns, igualmente vítimas. São grupos que não se misturam no meio dos demais protestantes, formam feudos personalizados, núcleos específicos, reúnem-se na escuridão. Existem muitas maneiras de se protestar – formas essas disponíveis nos manuais de conflitos urbanos –, mas que são desconsideradas pelos Blacks Blocs, que formam massa crítica, que criam corpo disforme com força desconcentrada, todavia, dão claros sinais de que recrudescerão os movimentos, seja qual for o modus operandi empregado nas próximas vezes.

Caldeiras com pressão máxima a ponto de explodir.

Não só os Blacks Blocs de São Paulo pretendem radicalizar na Copa do Mundo, os Blacks Blocs do restante do país também desejam mostrar as suas caras, perdão, as suas máscaras, estimulados por instintos inexplicáveis, analisados sob o ponto de vista da intransigência, comparativamente à racionalidade, à lógica comportamental. Vivemos a era do espanto. Qualquer coisa que foge aos padrões normais de conduta causa-nos entorpecimento da mente, inércia dos sentidos, estado e condição de impotência – perdemos a sensibilidade. Como reagir diante do incombatível, do inatacável? O elemento surpresa nos pega desprevenidos, de modo que não sabemos quando, onde e através de quem acontecerão as agressões, ainda que não direta e condicionalmente na nossa integridade física, por enquanto. A pseuda repressão dos organismos de segurança pública passa a impressão de agravamento das contendas sociais – caldeiras com pressão máxima a ponto de explodir. O homem, teoricamente dotado de razão, é um ser racional por excelência. Na prática, falta-lhe bom senso para resolver questões aflitivas, porém, noções de sabedoria e de razoabilidade nem todos possuem. Quando o momento requer ponderação, equilíbrio, isso implica dizer que situações adversas acontecem sem aviso prévio. Na verdade, pouca coisa se baseia no “princípio do raciocínio objetivo”, não fosse assim, tudo aconteceria com previsibilidade e no tempo esperado. As raízes da maioria dos problemas as pessoas jamais encontrarão, não obstante, querem mudar o arbusto de lugar sem danificá-lo.

É uma comodidade questionável, quando se olha para dentro do problema e analisamos as causas – reclamadas pelos grupos dissidentes. O governo dá munição e depois quer se abrigar dos tiros.

A maneira de ser de cada indivíduo desenha o quadro final da sociedade, concebida como é por quem a compõe, de modo que não houve interferências externas, nesse caso Deus ficou fora do processo e não pode levar a culpa, muito embora seja convocado constantemente a responder no tribunal humano. Na visão do sistema, a falta de oportunidades nesse tal mundo capitalista é desculpa de muita gente que não levanta a bunda da cadeira e que não corre atrás do seu espaço, seja na sociedade, seja no mercado de trabalho, seja em qualquer ramo da atividade humana. É uma comodidade questionável, quando se olha para dentro do problema e analisamos as causas – reclamadas pelos grupos dissidentes. O governo dá munição e depois quer se abrigar dos tiros. Estamos todos nós inseridos num complexo de vivência, convivência e sobrevivência, de modo que cada membro nele introduzido age segundo interesses extemporâneos, de acordo circunstâncias e condições desejadas, a rigor. No mesmo instante que buscamos as explicações para os nossos erros, queremos culpar alguém por termos cometido essas falhas. Um cenário que dificilmente mudaremos porque o individuo é um feixe de egocentrismos e nisso ele se transformou com a evolução e o progresso da humanidade. Por outro lado, como nos adaptar ao mundo? Observe que saímos da nossa “zona de conforto”, do nosso “perímetro de problemas” e, como pretensão, queremos ter uma visão global. A partir daí começam as dificuldades de entendimento, reações positivas e negativas são naturais. Se nós pensamos, as aceitamos ou não – esse é o mistério da razão, o pensamento. O homem está condenado a ser comparado com ele próprio, e esquece que o mundo não gira a seu redor.

Invariavelmente, todos carregam a figura do Black Bloc dentro de si, uns são mais agressivos, outros menos – é a seleção natural se impondo, nunca deixou de estabelecer regras. A morte do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, da TV Bandeirantes, ocorrida na segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014, motivada por afundamento de crânio causando danos irreversíveis, não é um caso isolado, muito menos abstrato. Submetido a uma cirurgia no Hospital Souza Aguiar (no Centro do Rio), Santiago Andrade não resistiu aos graves ferimentos. A sua morte cerebral foi anunciada no mesmo dia pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro – ele estava em coma induzido na CTI. Quatro dias antes, quinta-feira, 06, ele foi brutalmente atingido na cabeça por um rojão lançado por um manifestante que estava no meio do protesto contra o aumento da passagem de ônibus. Santiago Andrade morreu trabalhando, no pleno exercício da sua profissão, registrava os confrontos entre um grupo de manifestantes e os policiais militares no Centro do Rio. A informação exigiu dele um preço caro demais. Um episódio lamentável, que não cabe dizer que “Santiago Andrade estava no local errado e na hora errada”. Vale, apenas, como registro essa máxima, porque é justamente o que estamos acostumados a ouvir das autoridades quando fatos como esse acontecem. Fatalidade? Um pouco disso misturado com toque de criminalidade. Entretanto, o episódio não desencorajará a sanha desmedida de grupos sediciosos. Novas futuras vítimas estão na fila de espera. Infelizmente.

As manifestações, nos moldes como se apresentam, não são apenas casos de Polícia, sobretudo, são casos de Política.

Em São Paulo, maior metrópole brasileira, os simpatizantes da “guerrilha” Black Bloc disseram que “causarão” no decorrer das manifestações contrárias à realização da Copa do Mundo aqui no Brasil – não descartaram a possibilidade de ataques diretos contra as delegações de Seleções estrangeiras. “Nossa tática nunca foi ferir civis, mas se não formos ouvidos, a gente vai dar susto em gringo. Não queremos machucar, mas se for preciso tacar coquetel molotov em ônibus de delegação, ou em hotel em que as seleções vão ficar, a gente vai fazer. […] A gente evita falar pelo Facebook. Essas estratégias combinamos pessoalmente ou pelo WhatsApp. Para te dar essa entrevista, eu tive de consultar os outros adeptos. […] No total, devem ser uns 300 participantes que são realmente ativos, mas, na Copa, tenho certeza de que o número será maior. Acho que vão ser mais de mil. […] Se uma seleção sentir que há risco de vida, eles vão querer continuar aqui? Não somos contra a Copa do Mundo, nem contra o futebol. A nossa luta é por uma educação e uma saúde melhores. […] Todo mundo deve se preparar porque a Polícia Militar vai vir em peso. A gente está se preparando com treinos de artes marciais como Krav maga, Jiujítsu e Muay thai”– revelou um integrante de um grupo Black Bloc, que deu o nome fictício de Pedro. Fato contraposto: Os nossos governantes não param de dar maus exemplos. Um iminente perigo ronda o Estado de Direito: pessoas que não têm nada a ver com a filosofia pregada pela “desorganização” Black Bloc ao estilo ‘Made in Brazil’ estão engrossando as fileiras desse Exército do mal, e isso pode trazer consequências inimagináveis para a ordem e paz pública, para as Instituições e para o país. As manifestações, nos moldes como se apresentam, não são apenas casos de Polícia, sobretudo, são casos de Política. Que Deus nos proteja, porque os homens de bem já se renderam! É só aguardar pra ver, e que não sejamos nós as próximas vítimas fatais.

Augusto Avlis

 

 

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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