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Esportes

Copa do Mundo – 1ª parte – Jogo contra a corrupção

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O Brasil, FIFA e CBF são especialistas em corrupção, experts em maracutaias de bastidores e de tapetões. Este lado negro da história não interessa aos torcedores brasileiros, que se mantêm absolutamente anestesiados pelo Marketing futebolístico, tão nocivo quanto o Marketing da Coca-Cola. É o ópio ofertado em dose tripla, ministrado pelo sistema político internacional, que reverencia as grandes corporações (sobretudo produtoras de materiais esportivos e de bebidas), conectadas às poderosas empresas de comunicação. Um complexo poderoso de empresas públicas e privadas, entrelaçadas, que conseguiram transformar uma paixão nacional em mega negócio lucrativo – ganha-se na organização, ganha-se no patrocínio, ganha-se na realização dos jogos, ganha-se na mídia de divulgação, ganha-se no pós evento. Logicamente, sem considerar que os próprios atletas jogadores hoje não passam de objeto de desejo, produto vendável e fonte de lucro certo. Os investimentos são pesados com o propósito de se obter rapidez nos negócios, porque a data de validade de tudo que gira em torno do futebol é curta, por isso, o esporte mais popular do planeta não está produzindo ídolos reverenciáveis como outrora – os de hoje têm pés de barro, e quase não se sustentam em pé sozinhos.

Às vezes sou forçado a esquecer que eu sou jornalista, preocupado em demasia com os fatos, com certo desregramento, de modo que o mais sensato é proceder como o torcedor “cabeça fresca”, mas nada que exceda os limites comuns. Começo a entender que a melhor filosofia a seguir é a “filosofia da vaca” – cagar e andar –, ficar numa boa, não esquentar a mufa, deixar as coisas como estão e aceitá-las como são. Corrupção é um prato cheio, que degustado com imoderação dá hiperemia passiva. O torcedor diria “congestão”. A corrupção no futebol, assim como na política, tem várias caras, identidades, origens e muitos destinos. A ausência de interesse ou compromisso com o bem comum dá sinais claros que perdurará, porque não existem mecanismos eficazes de combate à prática corrupta no tempo certo de impedi-la.

Em carta datada de 09 de abril de 2013, o ex-presidente da FIFA, João Havelange, oficializou o seu pedido de renúncia ao cargo de presidente de honra da entidade, título honorífico que recebera em 1998. A renúncia foi aceita em 18 de abril, 09 dias após a emissão da carta. João Havelange tomou essa decisão para escapar da inevitável cassação, uma vez que ficou comprovado que recebeu suborno para defender os interesses da ISL, antiga agência de Marketing da FIFA. Um final triste para um importante profissional da área esportiva com uma longa trajetória de conquistas. Em 1958 João Havelange assumiu a presidência da CBD – Confederação Brasileira de Desportos, hoje CBF, deixando o cargo em 1973. Sob sua gestão o Brasil conquistou três Copas do Mundo de Futebol, 1958, 1962 e 1970. Em 1974 foi eleito presidente da FIFA derrotando o inglês Sir Stanley Rous, que presidiu a entidade desde 1961. Havelange se reelegeu nos anos de 1978, 1982, 1986, 1990 e 1994. Nesse período comandou a organização de seis Copas do Mundo; no começo do seu mandato a Copa do Mundo tinha apenas 16 Seleções de países participantes e hoje disputam a Copa do Mundo 32 Seleções. Em 1998 deixou a presidência da FIFA, mas conservou o seu cargo de presidente de honra. João Havelange contribuiu diretamente para transformar a FIFA numa multinacional milionária, com influência comercial e política em todos os continentes (sublinho). Em 2011 ele renunciou ao cargo de membro do Comitê Olímpico Internacional. João Havelange tentou, mas não conseguiu esvaziar as denúncias de corrupção praticadas durante o tempo do seu mandato na FIFA. Os juízes da Comissão Decisória do Comitê de Ética da FIFA confirmaram o seu envolvimento direto nos “pagamentos” da ISL, que somaram US$ 22 milhões. Dois outros figurões do mundo esportivo também estavam envolvidos, são eles, o ex-genro de Havelange e ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira e o ex-presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), Nicolás Leoz. Como a FIFA, na época das maracutaias (entre 1992 e maio de 2000), não tinha um Código de Ética, os pagamentos ilícitos foram tratados como “Comissões” e não “Suborno”, ou “Propina”. Ricardo Teixeira renunciou ao seu cargo na FIFA e a todas as atividades relacionadas a futebol em março de 2012 e o Dr. Nicolás Leoz em abril do mesmo ano, alegando ter “doado” todo o dinheiro fruto das “Comissões” para escolas do Paraguai. Tem gente que acredita em Papai Noel. O atual presidente da FIFA Joseph Blatter deu o caso ISL por encerrado, não cabendo, segundo ele, qualquer tipo de pronunciamento ou questionamento. De sã consciência, alguém acredita que a corrupção na FIFA estancou em 2000 e acabaram as propinas oriundas da venda de direitos das transmissões dos jogos da Copa do Mundo? Na venda dos passes dos jogadores, sobretudo para clubes internacionais, a movimentação financeira ocorre dentro da legalidade, com contabilidade formal, recolhimento de impostos, etc? Joseph Blatter é a expressão máxima de honestidade num órgão que movimenta bilhões de dólares? O presidente da CBF, José Maria Marin, é verdadeiro em seus atos e declarações? A minha resposta é não.

Com a minha opinião o ex-jogador e Deputado Federal Romário de Souza Faria (PSB/RJ), deve concordar, tanto que sempre adotou uma postura firme com relação a esse assunto e condenou a reaproximação do governo brasileiro com a FIFA, sobretudo da maneira como foi. “A Copa do Mundo de 2014 será o maior roubo da história do Brasil. […] O pior ainda está por vir, porque o governo deixará que aconteçam as obras emergenciais, as que não precisam de licitações. […] Aí eu quero ver se as pessoas que apareceram sorrindo na foto durante a reunião vão querer aparecer. […] Esse Brasil é um circo e os palhaços vocês sabem bem quem são” – comentou o “Baixinho”. Joseph Blatter prometeu se unir ao governo brasileiro para realizar “a melhor Copa de todos os tempos já organizada pela FIFA”. “Uma mentira descabida! Não será a melhor e nós vamos passar vergonha” – enfatizou o ex-jogador Romário, campeão da Copa de 1994, realizada nos Estados Unidos, primeira Copa desse país.

Nessa enorme teia de corrupção a FIFA é a aranha conhecida como tarântula-ornamental, a CBF é a aranha-de-rato e o governo federal a aranha-de-pés-pretos. Quem ousar destruir essa teia é sumariamente morto com os poderosos venenos desses três artrópodes. Países estão comemorando glórias manchadas. A partir do momento que a corrupção dominou o mundo esportivo, a beleza da competição perdeu o sentido, a vitória comprada maculou o esforço da conquista pelo suor, pela competência e espírito olímpico. Cada homem de má índole tem o seu preço, curva-se à sedução do dinheiro igualmente sujo. Imaginemos os povos da antiguidade, os gregos, por exemplo, se pudessem ver, agora, o que os homens fizeram e continuam fazendo com os esportes. Fico imaginando, também, qual seria a reação deles.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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