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Política

JK, descanse em paz!

1JK foi um político brasileiro, médico e Oficial da Força Pública Mineira. Juscelino Kubitschek nasceu na cidade de Diamantina, Minas Gerais, em 12 de setembro de 1902, e morreu na cidade de Resende, Rio de Janeiro, em 22 de agosto de 1976, 21 dias antes de completar 74 anos. Como político (Partido Progressista, Partido Social Democrático/MG), foi prefeito da capital Belo Horizonte (1940/1945), governador do Estado de Minas Gerais (1951/1955) e presidente do Brasil (1956/1961). Enquanto presidente foi o responsável pela construção de Brasília, antigo projeto de mudança da capital federal que visava promover o desenvolvimento econômico do interior do país e a sua consequente integração com as regiões mais prósperas. Com sua destacada simpatia, habilidade e confiança entre os brasileiros, Juscelino Kubitschek conquistou importante estabilidade política que lhe permitiu grandes realizações. Numa eleição publicada pela revista ‘Isto É’ no ano de 2001, Juscelino Kubitschek de Oliveira foi eleito o “Brasileiro do Século”. Justa homenagem, ainda que post-mortem.

2 (2)Era 18h40min do dia 22 de agosto de 1976, quilômetro 165 da Rodovia Presidente Dutra, na altura da cidade fluminense de Resende, Estado do Rio de Janeiro, Juscelino Kubitschek de Oliveira e o seu motorista Geraldo Ribeiro estavam mortos. Tese da época: Ambos foram alvo de uma conspiração de assassinato. Versão oficial divulgada pelas autoridades: Foi um casual acidente automobilístico. Fato inquestionável: O Chevrolet Opala, placa NW-9326/RJ, no qual os dois viajavam, bateu de frente, violentamente, em uma carreta Scania-Vabis, placa ZR-0398/SC, carregada de gesso, provocando as mortes instantâneas. O local em que ocorreu o acidente, atual quilômetro 328, é conhecido como “Curva do JK”, antes era conhecido como “Curva do Açougue” – melhor ter permanecido com o nome original, face à dramaticidade do evento. Mera fatalidade? O conjunto das circunstâncias foi determinante. Na hora, não havia como operar milagres! A tragédia, que durou segundos, interrompeu, talvez, algo de muito importante que se desenhava acontecer no cenário político do país.

Retrospectiva: Em 1996, portanto, há exatos 20 anos depois da sua morte, o corpo de Juscelino Kubitschek foi exumado. O laudo oficial da exumação concluiu, ratificando, que a “causa mortis” foi decorrente de acidente de trânsito. O secretário particular de JK, Serafim Jardim, contestou esse Laudo Pericial, opinião documentada em seu livro “JK – Onde está a verdade?”, Editora VOZES. Em 2001, o empresário e ex-deputado Paulo Octávio (PP), marido da neta de JK (Anna Christina Kubitschek Barbará), requereu à Câmara dos Deputados uma Comissão Externa com a finalidade de averiguar as “suspeitas” de assassinato do ex-presidente Juscelino Kubitschek. O pedido foi atendido. Parte do relatório final da Comissão Externa: Por mais que se exercite a imaginação e a criatividade, não se consegue encontrar um argumento sólido, balizado, lógico e técnico que possa apoiar a tese de assassinato… Os menores detalhes não passaram despercebidos. Investigamos todas as dúvidas, todas as suspeitas. À medida que as questões foram sendo esclarecidas e respondidas, a conclusão foi-se impondo inexoravelmente. Ao final destes trabalhos, não restam mais dúvidas de que a morte de Juscelino Kubitscheck foi causada por um acidente automobilístico, sem qualquer resquício da consumação de um assassinato encomendado”. Em 2012, a Comissão Nacional da Verdade, criada pela Lei nº 12.528/2011, e instituída pelo governo federal em maio de 2012, com a finalidade de apurar as graves violações dos Direitos Humanos, crimes políticos ocorridos entre 18 de setembro de 1946 e 05 de outubro de 1988, resolveu analisar o inquérito sobre a morte de JK. A CNV, então, abriu investigação com base no pedido formulado pela OAB – Ordem dos Advogados do Brasil de Minas Gerais. Material periciado: 150 negativos de fotografias que estavam arquivados no Rio de Janeiro; o forro do caixão no qual foi enterrado o motorista e também amigo de JK, Geraldo Ribeiro; as lâminas originais das tintas retiradas dos veículos envolvidos no acidente, ou seja, do Opala, da carreta e do ônibus, entre outros itens periciados que originaram a perícia material conclusiva. Outubro de 2013, a família do ex-presidente Juscelino Kubitschek descartou qualquer hipótese de uma nova investigação, que provoque outra exumação de seus restos mortais, sobre as condições em que morreu naquele fatídico acidente. Segundo a família, a morte de JK já foi exaustivamente investigada pelas autoridades brasileiras, logo após o acidente e em inquéritos independentes, a exemplo do que foi conduzido pela Câmara dos Deputados por solicitação do ex-Deputado Federal Paulo Octávio, que, à época, admitiu havia quem realmente desejasse a morte de JK, daí a desconfiança nas investigações preliminares. As perícias concluíram que o corpo de Juscelino não apresentava qualquer ferimento além dos provocados pelo choque do Opala com a carreta. A família esperava que uma pá de cal fosse jogada sobre o episódio. Também, em outubro de 2013, a Comissão Municipal da Verdade de São Paulo ouviu o ex-motorista de ônibus Josias Nunes de Oliveira, envolvido diretamente no acidente que causou a morte do ex-presidente da República Juscelino Kubitschek e do seu motorista. Segundo ele, no dia 22 de agosto de 1976, dirigia um ônibus da Viação Cometa na Rodovia Presidente Dutra, sentido São Paulo/Rio de Janeiro, quando o Opala, em que estava JK, cruzou a frente do ônibus e foi parar na pista de sentido contrário, colidindo de frente com um caminhão. “Eu estava na faixa da esquerda e o carro de JK estava na da direita, em uma velocidade um pouco maior que a minha. De repente, tinha uma curva leve para a direita e o motorista do Juscelino continuou em linha reta. Como naquela época a Dutra não tinha guard rail, o carro atravessou a pista sem o menor problema. […] JK não morreu logo depois da batida, ele chegou a mexer os olhos. Eu não o reconheci logo de primeira. Ele estava no banco de trás com o livro ‘As Mudas se Levantam’, e eu só descobri que era o ex-presidente quando vi uns documentos que caíram de uma pasta. […] Minha vida piorou bastante. O mundo inteiro me acusou de criminoso. Alguns dias depois do acidente, dois caras cabeludos que se diziam repórteres foram até a minha casa e ofereceram uma grande quantia de dinheiro para que eu assumisse a culpa pela morte do Juscelino. Se eu não aceitasse, eles disseram que iriam bater em mim. Eu não aceitei o dinheiro, e eles nunca mais me procuraram. Não lembro o nome deles e nem de qual veículo eram”. Anos depois, o ex-motorista de ônibus Josias Nunes de Oliveira foi apontado e processado como o responsável pelo acidente, porém, foi inocentado no julgamento. Em 09 de dezembro de 2013, a Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog (jornalista assassinado sob tortura no DOI-CODI em 1975), criada em São Paulo, informou a sua conclusão dando conta que o ex-presidente Juscelino Kubitscheck foi realmente assassinado, creditando o ato à Ditadura Militar. Em 22 de abril de 2014, após investigações que duraram dois anos, a Comissão Nacional da Verdade chegou à conclusão que a morte de JK foi causada por acidente, portanto, o ex-presidente não foi assassinado, não foi vítima de um atentado planejado, de modo que o governo militar (1964/1985) não teve nada a ver com isso. “Não há nos documentos, laudos e fotografias trazidos para a presente análise qualquer elemento material que, sequer, sugira que o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira e Geraldo Ribeiro (motorista de JK) tenham sido assassinados, vítimas de homicídio doloso. […] O conjunto de vestígios materiais indica que o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira e Geraldo Ribeiro morreram em virtude de um acidente de trânsito”. O laudo do local do acidente, confeccionado pelo perito criminal Sérgio Leite, foi decisivo para a Comissão Nacional da Verdade chegar à conclusão quanto as causas do acidente. O médico legista Márcio Cardoso fez o exame da ossada (1996) do motorista que dirigia o Opala, Geraldo Ribeiro, cujo laudo pericial foi também muito importante no processo. O Laudo sugeriu que o lado esquerdo do crânio estava íntegro. “Em um ônibus de 12 toneladas, principalmente se ele está fazendo uma frenagem, é muito difícil alguém perceber que ele encostou em algum lugar. […] Já se começa a perceber que não era compatível com um tiro ou uma sabotagem. A pessoa perderia o controle completa e definitivamente se tivesse tomado um tiro, ou se o carro tivesse quebrado, e não foi isso que aconteceu. Ele tentou recuperar a direção e só não logrou êxito porque vinha um caminhão na direção contrária” – detalhes esses apresentados pelo perito Pedro Lima Cunha, que coordenou os trabalhos. “Imediatamente, a minha orientação foi no sentido de que a nossa equipe de peritos examinasse com muita atenção o relatório e que aquele relatório fosse utilizado, inclusive, como uma referência para testar as hipóteses de trabalho da nossa Comissão. Isso foi feito. […] Nossa equipe não se convenceu pelos argumentos apresentados pela Comissão de São Paulo e, com base nesse estudo muito minucioso, mantém sua convicção de que foi um acidente” – afirmou, com segurança, o coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, a despeito da versão dos peritos divergir totalmente do resultado apresentado pela Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, que chegou a apontar 90 (noventa) indícios de ações supostamente planejadas pelas forças militares. Segundo o presidente da CMVSP – Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, vereador Gilberto Natalini (PV), o grupo recomendará um cruzamento entre os dois relatórios finais, na tentativa de comprovar que houve, sim, um crime com viés político devidamente planejado. Aguardemos.

Fato capital: Em 1996, o corpo do motorista Geraldo Ribeiro foi exumado e uma perícia técnica foi feita pela Polícia Civil de Minas Gerais, que identificou a presença de um fragmento de metal no seu crânio, perfurado como se fosse por um projétil disparado por arma de fogo, fato que aumentou as especulações a respeito. A Comissão Nacional da Verdade defendeu a tese de que a fratura no crânio do motorista Geraldo Ribeiro foi provocada durante o transporte do corpo exumado, e não por um tiro disparado por arma de fogo. “A fratura tem indícios de ser recente (de 1996). […] Nas fotos do laudo, as bordas do pedaço quebrado são brancas. […] No transporte houve essa fratura. Com 20 anos, você tem um osso extremamente frágil” – considerou o perito Pedro Cunha. “Se houvesse um disparo, todo o crânio sofreria fratura. Não há ferida em nenhum lugar” – completou o perito criminal Pedro Cunha. O tal fragmento metálico foi recuperado no Museu do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pelos peritos da CNV – Comissão Nacional da Verdade, que o enviaram para análise do Instituto Nacional de Criminalística do DPF/Departamento de Polícia Federal. Segundo explicações, o objeto metálico em questão tratava-se de um prego (cravo) do próprio caixão em que Geraldo Ribeiro fora enterrado. Com quem está a verdade? Uma das Comissões da Verdade está faltando com ela. Com que propósito? A pá de cal derradeira jamais será jogada numa sepultura que não se fecha. A Comissão Nacional da Verdade tem coisas mais importantes a fazer, como achar, identificar e cuidar de “fantasmas vivos” que continuam assombrando a nação. Mentira?

3Daqui a 04 meses o “acidente” estará completando 38 anos. Leia-se: “Ocorrência – Quando o Estado perde o ‘Jus Puniendi’ antes de transitar em julgado a sentença, em decorrência do decurso de tempo, entre a prática do crime e a prestação jurisdicional devida pelo Poder Judiciário, pedida na acusação, para a respectiva sanção penal ao agente criminoso, neste caso, os prazos prescricionais expressos são taxativos”. Nessa esteira, é imperativo considerar três pontos: primeiro, que existem fatos que a própria história não faz questão de registrar; segundo, as principais pessoas que sabiam a “verdade verdadeira” estão mortas; terceiro, o relógio do tempo é cruel.

No auge do Regime Militar, o ex-presidente Juscelino Kubitscheck se aliou ao presidente deposto João Goulart e ao ex-governador do Estado da Guanabara Carlos Lacerda. Os três líderes políticos morreram em um espaço de tempo de menos de um ano, durante 09 meses entre 1976 e 1977. Juscelino Kubitschek de Oliveira morreu em 22 de agosto de 1976. João Belchior Marques Goulart morreu em 06 de dezembro de 1976 na cidade de Mercedes, Argentina. Carlos Frederico Werneck de Lacerda morreu no dia 21 de maio de 1977, no Rio de Janeiro. Há muito mistério para ser desvendado, muitas perguntas para serem respondidas e bocas para calar. Os homens mortais da Terra e os imortais do Poder estão embarcando num barco sem leme – o mar é extremamente perigoso; as ondas das “verdades mentirosas” podem engolir a todos. A boa regra de sobrevivência recomenda que esqueçamos o que tira a paz dos outros e, sobretudo, o que incomoda os Sistemas de Poder.

No enterro do ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira milhares de pessoas apertaram-se no cemitério Campo da Esperança, em Brasília, e cantaram com forte emoção a música que o identificava: “Peixe Vivo” – Autor: Fábio Caramuru. “Como pode um peixe vivo viver fora da água fria. Como poderei viver, como poderei viver sem a tua, sem a tua, sem a tua companhia. Os pastores dessa aldeia fazem prece noite e dia. Como poderei viver, como poderei viver. Como pode um peixe vivo viver fora da água fria”. O cortejo se arrastou por quatro horas – eram 23h35min do dia 23 de agosto de 1976 quando o corpo de JK baixou à sepultura. Os restos mortais, frios, de Juscelino Kubitschek de Oliveira, “Brasileiro do Século”, repousam em paz no Memorial JK, edificado em 1981 na capital federal do Brasil, a tão sonhada Brasília, construída e fundada por ele. O mês de agosto realmente não traz boas lembranças para os brasileiros. No dia 24 de agosto de 1954, aos 72 anos, o então presidente Getúlio Vargas se suicidou com um tiro no coração, em seu quarto no Palácio do Catete, na cidade do Rio de Janeiro, capital federal, antigo DF. Verdade?

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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