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Política

1º de maio – Dia da vadiagem

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Grito de guerra da massa submissa, que espera do governo migalhas de pão feito filhotes de pardais no ninho. É assim que acontece, toda uma geração dominada subliminarmente por mensagens e procedimentos estruturados, com a finalidade de se obter o total controle social. As pessoas estão perdendo a sua capacidade de processamento dos sentidos, que deveriam estar em estado de alerta, mas não estão. O “Paternalismo”, em sentido amplo, é um sistema de relações humanas, quer sociais como trabalhistas, formado por um conjunto de elementos e de valores interconectados de modo a impor doutrinas políticas e normas de conduta baseadas no reconhecimento e na exaltação da figura do patriarca, nesse caso, do Poder constituído – o Paternalismo é também uma forma de “Autoritarismo”, sistema de poder que privilegia o líder, que permite a tomada de decisões ditatoriais e arbitrárias, combinadas com ações sentimentais e concessões de toda ordem. O “Assistencialismo” é uma prática política doutrinário-filosófica (conjunto de princípios de um sistema político) que objetiva a assistência, sobretudo material, aos mais necessitados da população. Por teoria, o Assistencialismo denota obrigação direta do Estado com os seus cidadãos, garantindo-lhes direitos básicos, a dignidade humana e a sua mínima subsistência. Na prática, o que se observa é que a “transferência de renda” tem servido como catapulta para interesses político-partidários, firmando-se como cultura da subserviência. No Brasil, historicamente, as políticas assistencialistas são praticadas com fins eleitoreiros e a cada eleição fica provado ser um método infalível de compra de votos, recheado de discursos demagógicos e rocambolescos. Medidas essas, paliativas, que dão sustentabilidade política aos governantes totalmente descompromissados com o atendimento dos anseios sociais – o governo se especializou, por excelência, em adotar procedimentos, maneiras e mecanismos de eficácia temporária que tão somente servem para adiar uma crise, para diminuir o tamanho dos problemas e esconder as suas verdadeiras causas, que, aliás, nunca são eliminadas por estratégia pensada.

Seguindo rito anual, a presidente Dilma Rousseff (PT), fez um pronunciamento nesta última quarta-feira, 30/04/2014, em cadeia nacional de rádio e televisão, dedicado ao 1º de maio – Dia do Trabalho. Ela não teve muito trabalho para anunciar a assinatura de uma MP/Medida Provisória corrigindo a tabela do Imposto de Renda que, segundo o ministro da Comunicação Social, jornalista Thomas Timothy Traumann, será de 4,5%, objeto de publicação no Diário Oficial da União (DOU). Também não tivemos trabalho algum para levantar que a correção da tabela do IR é feita anualmente sempre com base no índice de 4,5%, como meta de inflação, desde 2007, ou seja, há sete anos – parece conta de mentiroso. Dilma Rousseff ouviu o galo cantar, mas não sabe onde. Se a sua intenção foi passar um diploma carimbado de idiota para a massa de trabalhadores eu acho que ela deveria tirar o equino da precipitação pluviométrica. Nada de novo sob o sol de outono. “Vai significar um importante ganho salarial indireto e mais dinheiro no bolso do trabalhador”, disse a competente presidente. Significaria um ganho real para os trabalhadores se o percentual de correção da tabela do IRPF fosse de 5,9% em 2013 e de 6,5% (projeção) para 2014; inflações oficiais de acordo com o IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. É o que quer a OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, que já entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal. Ficou provado que o governo federal é useiro e vezeiro quando o assunto é fazer caridade com o chapéu dos outros, mas quando tem que botar a mão no próprio bolso a coisa muda de figura.

Dilma Rousseff não perderia a oportunidade para explorar um tema que tem servido de mote de campanha do Partido dos Trabalhadores desde o governo Lula, nada mais e nada menos do que o programa Bolsa Família. Sobre ele, a presidente anunciou orgulhosamente um reajuste de 10% sobre o piso de R$ 70,00. O benefício, ou melhor, a caridade atingirá cerca de 36 milhões de beneficiários, de um total de 50 milhões que estão inseridos no programa. A informação foi confirmada pela Assessoria do Ministério do Desenvolvimento Social na mesma noite do pronunciamento de Dilma Rousseff, que assinará um Decreto sobre a matéria. Os Profissionais da Comunicação Subliminar, conhecidos como Marqueteiros, já inventaram um “Programa Social Guarda-chuva”, intitulado “Brasil sem Miséria” – no meu sentir, não passa de um “Programa Sombrinha”. O objetivo é sensibilizar a massa de eleitores, já que o tema “Miséria” toca melhor os seus corações apertados. Qualquer proposta fantasiosa que objetive que 25% da população brasileira fiquem acima da linha de extrema pobreza definida pela ONU, é, no mínimo, desconsiderar que há outras maneiras de se resolver este enorme problema social. Basta o governo brasileiro trabalhar sério; investir melhor o dinheiro que arrecada, sobretudo em infraestrutura; criar condições de empregabilidade; diminuir a carga tributária e parar definitivamente de participar diretamente dos esquemas de corrupção sistêmica, que têm sangrado impiedosamente o erário. Fato é que o governo federal nos últimos 11 anos tem promovido o “leilão” das estatais transformando-as em reserva de mercado exclusiva para as empresas privadas com atividades igualmente espúrias. O governo petista tem assumido a sua condição de bufão, isso não podemos negar. Aplausos.

O povo brasileiro, parcela séria da população, clama por oportunidade, quer trabalho digno, quer participar como agente de desenvolvimento, evolução e progresso, e não simplesmente ser reduzido a “objeto manipulado pelo poder”. Enganam-se aqueles políticos que acham que este quadro de incertezas durará para sempre; estão redondamente enganados. Exige-se do povo brasileiro mudança de postura, caso contrário, a tão sonhada e necessária “mudança política” demorará um pouco mais. Entretanto, vale lembrar que a confiança é subjetiva, de modo que ninguém deve acreditar em promessas de políticos em períodos de campanhas. Esta parcela séria da população, economicamente ativa – que pela situação que se impõe daqui a pouco se tornará diminuta, porque a maioria das pessoas ficará acostumada à triste dependência de favores do governo –, não teve muito ou nada que comemorar no 1º de maio, antes dedicado ao trabalhador sério. Os que trabalham pagam com o seu suor, com a sua dura jornada de trabalho, a pesada conta apresentada pelo governo federal para sustentar 35% da população brasileira, investimento político do qual o PT não abre mão. Com a economia em frangalhos o governo tem que dar o seu jeito e tirar o dinheiro de que precisa de algum lugar – especializou-se em aumentar os impostos, a efetivar doações generalizadas e a fazer graça com dinheiro público.

O Dia do Trabalho passou a se chamar “Dia da Vadiagem”. O governo federal estimula o ócio, que incita a violência, que põe a girar o ciclo do descontrole social. Leia-se: “Vadiagem, não fazer absolutamente nada (porra nenhuma) e ainda perturbar os que estão ao redor, a paz pública e a ordem. Vida de vadio; malandragem. No Direito, Contravenção Penal relativa aos costumes, considerando uma pessoa levar vida ociosa (não possuindo renda própria), sendo válida para o trabalho”. O governo sabe que a maioria dos beneficiários do programa Bolsa Família é válida para o trabalho, mas não cria condições para o aproveitamento desta mão-de-obra disponível; não há interesse político, é estratégico conduzir a massa à ociosidade, esta, por sua vez, não faz nenhuma questão de ser considerada inútil e incapaz de satisfazer as suas necessidades com os meios próprios.

O programa Bolsa Família é, indiscutivelmente, o maior programa oficial de compra de votos que o Brasil já teve – e olha que não estou falando nos votos agregados conseguidos dentro da família de cada beneficiário, de modo que um cartão do Bolsa Família pode representar 2, 3, 4, e até mais votos. Em seu pronunciamento a presidente Dilma Rousseff não disse, como jamais diria, que ao receber o cartão Bolsa Família, o trabalhador apto para o trabalho perde um pouco da sua dignidade. Fica o pobre trabalhador brasileiro desempregado, por exemplo, feito refém dessas benesses (emolumento político), colocado totalmente à margem da evolução cultural-educacional, vítima, portanto, da economia de escala – que no Brasil é excludente, por isso, torna o consumo seletivo, castrador de direitos e revela as desigualdades. A presidente Dilma Rousseff (PT) resolveu abrir os cofres públicos em ano eleitoral e lançou esse pacote de caridades devidamente embrulhado para presente com papel de seda chinês. Os simpatizantes eleitores agradecem, ainda que não tivessem escrito carta para Papai Noel. Presenteá-los, nada melhor do que em rede nacional de rádio e televisão, para que todo mundo visse. O seu patético pronunciamento não foi só dedicado aos trabalhadores, Dilma aproveitou pra criticar acidamente os seus opositores e ameaçou “abrir a boca” quando se sentir intimidada. Imagine se o sério povo brasileiro resolvesse fazer a mesma coisa quando se sentisse ameaçado pelo governo e pelos bandidos de colarinho branco que ele ajudou a criar e os fez cúmplices.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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