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Naturismo

Amor, sexo e naturismo

1Você, na totalidade, em parágrafo único, sem interrupções, espaçamentos, sem entrelinhas; do começo ao fim, magnífica, esplêndida, desejada, única o bastante! Ah! Se eu pudesse tê-la por inteira, pura, selvagem. Pessoas que se nutrem no imaginário, pessoas que se bastam na ausência. Viver por ela será a inexistência do término. Amor é paixão. Paixão é padecimento, sofrimento mútuo. Sentimento intenso de amor momentâneo, ou ódio preventivo, que desperta a vida ou aproxima a morte. O objeto desse sentimento: você. Maldição das trevas, fanatismo da terra ou parcialidade fantasiosa? Somos passionais por opção premeditada. Queremos isso! Amor, afeição profunda, relações extremas. O objeto dessa afeição: você; pessoa amada no sonho, pesadelo acordado. Zelo nos atos; cuidado imprescindível. Sexo, conjunto de traços orgânicos diferenciados que nos seres vivos distinguem o macho da fêmea. Conceito que me faz quebrar regras, quando preciso. Sexo define o conjunto dos indivíduos pertencentes ao mesmo sexo – masculino e feminino. Sexo, os órgãos genitais externos, parte diminuta que na sua intensidade supera o restante do corpo, que desaparece no infinito do prazer. O ato sexual: limpeza da alma, clímax continuado. Sexualidade como poder absoluto. O possuir, o satisfazer, o realizar, o fundir, o penetrar. As entranhas do prazer absoluto; a magnitude do eu. A fraqueza humana desdenha a religião, a tudo e a todos – homem que não consegue distinguir o bem do mal. Clima continuado da inconsciência, a magnitude da redenção, da entrega total. Suplício, saudade, chagas na carne fazem dilacerar o peito, ardem como fogo, queimam como brasa viva. O avesso do corpo, domínio absoluto. De joelhos, imploro para que o tempo pare, ou para que ele não se apresente na cronologia conhecida, que evitamos. Cheiro o aroma proibido. Coração apertado, sofreguidão, sem você eu não vivo, eu padeço, eu morro, eu fraquejo, enriqueço, fortaleço, não existo – sem você. Imagino lamber o seu rosto, esfregar-me no seu suor, escorregar no seu colo, percorrer as suas curvas, morder a sua boca, navegar nos seus seios. O vapor da sua pele me atrai, provoca doença que não sara, cura impossível. Somos ressonância da natureza, mar que bate no rochedo, ar que transforma o ambiente, fogo que surge no além. Água sagrada que batiza o pecado mortal. Luz no horizonte que traz paz e guerra, agonia e salvação, beleza e imperfeições. Eterno enquanto dure é o efêmero amor; maldição anunciada. Pássaro que voa na suavidade do céu, canto que seduz, liberdade prisioneira. Sereia encantadora, Yara dos rios. Ayakamaé se fez a lenda, o amor impossível entre o sol e a lua. Olhar de prata, eu quero roubar o ouro do seu infinito. Convívio espontâneo, participação, clamor da cabeça aos pés, sorriso, enfeites, eu sou você. Somos o universo em desencanto, sutis encantos, unicidade, gêmeos, outra metade, ou, simplesmente nada! Cordão umbilical, ligados eternamente, ainda que só. Amor proibido, bastardo, rebelde. Quero beijar o seu útero e nele penetrar. A dor da perda é fruto da conquista – faz sentido. Quero viajar ao infinito, entregar-me ao devaneio absoluto. Desejo desfrutar da sua carne macia, trêmula. Maldito suor que cega os meus olhos, mas que mata a minha sede. Grossa saliva que me engasga, porém lubrifica o seu corpo ardente. Pulsar da agonia profunda. Presença da solidão, ausência de preconceito. A imparcialidade da parcialidade manifestada no encontro. Voz que emudece a súplica, grito abafado; absurdo do plausível. Lençol amassado, fronha rasgada, roupa descartada. Chão pisado, cama revolta, objetos tombados, cabelos alvoroçados. Somos um no conjunto, dois entrelaçados na luz apagada. Maluca paixão que devora a alma. Eu a quero tanto, mas não a alcanço – mereço. Perto, mas distante… Suplico o pecado, entretanto, volto à razão. Não quero enxergar a verdade, porém uma luz desponta, a realidade acalma. Estamos nus; intensidade desmedida; somos o que somos; universo do prazer; vida e morte, carne e alma; eu e você. Bastamo-nos, um para o outro, nos completamos, inteiramente separados, unidos pela saudade.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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