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Os Loucos

Os Loucos

1Apresentação: Zé e Mané, dois loucos considerados sadios mentalmente, são plenamente normais numa sociedade de anormais. De cientista e louco cada um tem um pouco. Rimou. Inventar e surtar todo mundo tem o direito, mas, o problema está na escolha da hora certa para manifestar as invenções como cientista e as loucuras como louco. Geralmente exigimos a presença de plateia atenta e elegemos alguém ou um grupo de pessoas como alvo principal. Dominando a ciência da loucura, vamos levando como a gente pode. Na verdade o pobre não põe, ele só leva na bunda, sempre – isso explica a sua condição de louco passivo diante de tanta agressão sexual. As circunstâncias nos levam a proceder contrários a determinados princípios, quebrando regras de conduta e tentando impor um novo modelo de comportamento, sobretudo para extravasar algo reprimido, desde que não sejam gases. Acumulamos problemas de toda ordem e não explodimos quando deveríamos.

Sair do sério passou a ser rotina no convívio com o grupo social, aliás, hoje a maioria das pessoas que eu conheço não leva nada a sério. Encarar as coisas com normalidade e naturalidade só para aqueles que possuem saco de filó. Provocar e ser provocado são ações comuns no dia-a-dia de cada um de nós. Talvez por isso também se explique os fenômenos como a falta de paciência, o sentimento de raiva e a necessidade do revide. Em síntese, eu, você e ele, nós não podemos ser autênticos, sem rebuços, honestos nas atitudes e palavras, de modo que temos que ser hipócritas nas falsas relações e procurar agir como mulas na disputa de pasto verde – não melhor, mas tem que ser verde. Vejo a sociedade como uma grande pista de competições, e, no critério do “empurra-empurra”, os mais espertos serão selecionados, porém, não com essa tranquilidade que se imagina. O emprego do jogo sujo e a aplicação de golpes baixos são situações imperativas para a sobrevivência no mundo igualmente louco e desigual.

O cometimento de loucuras inocentes é engraçado, até atraem simpatizantes, que acabam aderindo à prática. Outras loucuras de comprovada gravidade acabam por prejudicar pessoas inocentes e podem comprometer sistemas de relacionamentos. É claro que não podemos levar todas as atitudes a ferro e fogo, muito ao pé da letra como se diz por aí. Dar uma de louco de vez em quando faz um bem danado, é saudável para a descompressão do fígado, caso contrário seremos internados num hospício qualquer, ou, na melhor das hipóteses, numa casa de repouso afastada dezenas de quilômetros da “sociedade anormal”, longe dos centros urbanos melhores classificados no ranking de qualidade de vida. Em ambos os casos, as visitas regulares de parentes e amigos ficam proibidas, salvo a dos advogados da família com a missão de concluir o processo de testamento. Dar um tiro certeiro nos miolos ainda está fora de cogitação, entretanto, outras formas menos dolorosas de suicídio individual estão sendo avaliadas.

Fugir pra onde? Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come! Gritar só serve para espantar os cães de guarda. Pular o muro não é certeza de fuga com sucesso. O chargista Gilmar que o diga. Digo que cometi uma loucura quando me apropriei de uma de suas charges sem a sua prévia autorização, mas, eu acho que ele não se importará com isso porque foi uma atitude simplista da minha parte, tomada com a mais pura das intenções, incomparável àquelas tomadas pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Processo do Mensalão, sobretudo no apagar das luzes do palco quando a vedete da vez era o crime de “Formação de Quadrilha”. A maioria dos eminentes ministros (com ‘m’ minúsculo) entendeu que não houve formação de quadrilha (o ‘f’ e o ‘q’ também), e desconsideraram o fato de que o PT promovia a associação, estável, contínua e duradoura, de dezenas de políticos bandidos com a finalidade específica de cometer crimes contra o erário, açambarcar recursos públicos para corromper pessoas e sistemas. Deixa pra lá. Não quero morrer por enquanto, correr o risco de sofrer um homicídio doloso e algum perito criminal assinalar que foi um “suicídio individual menos doloroso”. O poder pode tudo. É melhor eu continuar louco, sem entender de Leis e de legisladores corruptos, viver no mundo da lua, navegando na maionese, porém, vivinho da silva, de olhos bem abertos.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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