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TV - Variedades

BBB 14 – A síndrome do imbecilismo – 2ª parte

BBB 14

A síndrome do imbecilismo 2ª parte

Vou repetir pela décima vez: “Já na edição de nº III do BBB, realizada em 2003, entre espasmos e vômitos, eu escrevi o que pensava e julgava sobre a sua abjeta produção”. Por ordem e dever de ofício, republicarei o que eu disse naquela altura, em 06 artigos (contando com este), na esperança que os meus atuais 31 leitores divulguem em escala geométrica o seu conteúdo, de modo que, só assim, talvez eu consiga, com esta prestimosa ajuda, despertar “consciências pesadas” daquela parte de telespectadores brasileiros que não tem a mínima noção – infelizmente, essa é a grande verdade. Realidade que assusta, um tempo presente que deixa dúvidas para o futuro.

2º Artigo – AUDIÊNCIA EM DISPUTA

Entrar no jogo do “vale tudo” é decisivo para as emissoras de televisão que lutam pela conquista da audiência, cada vez mais fragmentada. Granjear a fidelidade, ainda que temporária, dos espectadores, hoje não depende tanto da qualidade dos programas exibidos, na medida em que o nível de exigência deles caiu nos últimos anos. Com reduzidas doses de anestésicos comunicacionais, se consegue grandes efeitos de idiotização. Neste caso, a qualidade é uma variável questionável. O público espectador se enlouquece, vai ao delírio, quando as TVs usam expedientes apelativos e golpes baixos, que já fazem parte do processo de catarse; a rigor. Por consequência, rapidamente os objetivos são alcançados, não obstante, na contrapartida, ocorre a inversão de valores – o que menos importa para as TVs –, sobretudo quando os resultados apontados pelas pesquisas especializadas ratificam a liderança de audiência em horários específicos (nobres).

Os patrocinadores, anunciantes, batem palmas e as emissoras faturam como nunca. Tudo o que foge à regra, atrai e estimula. Estamos frente a questões deveras emblemáticas. Rotular o ruim como a única e, talvez, a última alternativa de entretenimento, sem dúvida, provocará várias consequências desastrosas e sinistras para a formação desta como das próximas gerações. Longe de ser simpático a quaisquer manifestações de censura coercitiva, estou convicto que, para determinados casos, a aplicabilidade de “regras de conduta” é plenamente factível para que o efeito multiplicador do “lixo cultural” não se converta em problema sem solução. Fenomenologicamente, para captar e capturar – atrair e prender – a audiência da massa de espectadores é mais do que certa a implementação imediata de ações descompromissadas com o bom-senso e o pudor. A disputa pela audiência parece recrudescer e não há regras nesse jogo. Os telespectadores não param de consumir produtos ruins – é o ‘real-imaginário’ dando sinais imperativos.

Lamentavelmente, estamos todos submetidos – subjugados – a tristes espetáculos que nada contribuem para o desenvolvimento cultural do nosso povo; muito pelo contrário, ajudam a destruir o pouco que de bom ainda existe. Talvez se queira construir uma ponte entre o modelo tradicional de comunicação e outro que permita a quebra, sem preconceitos, das regras que regem, ainda que duvidosamente, o atual sistema, transformando-o num produto secundário. Como pano-de-fundo, surge, com premência, a necessidade da “experimentação do novo”, que coloca, habilmente, em destaque, os telespectadores em primeiro plano na ordem de prioridades estabelecida pelos criadores desses macabrismos. Entretanto, esta mídia de futilidades não tem o direito de tratar os diferentes públicos como se fossem “objetos manipulados pelos prazeres subjetivos”, porquanto é notória a sua missão: completo deleite das mentes como desejo expresso. O importante é gozar; não importa como e por qual lado.

No inferno televisivo, Satanás – com suas mil facetas – encarnará o personagem do anjo salvador e, objetivamente, colocará uma venda nos nossos olhos e nos fará beber uma poção alucinógena, para que não tenhamos a real visão do caos e a percepção da exata profundeza da eterna morada dos demônios virtuais, na qual, a “Indústria Cultural”, bem representada pelas televisões brasileiras, com suas agendas lotadas de programações doutrinadoras, nos está convidando, com muita honra, para entrar e participar desta orgia, devidamente aquecida pelo fogo da perdição. Ah, ah, ah, ah, oh, oh, oh, oh! Sai Cão…, sai Cão…, sai!

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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