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Pensamentos

Imaginação Sociológica – 1ª parte

1Augusto Cury (Augusto Jorge Cury – Colina, 02 de outubro de 1958 –, é médico, psiquiatra, psicoterapeuta e escritor), já dizia que “As sociedades modernas se tornaram grandes hospitais psiquiátricos onde o normal é ser doente”. Podemos abstrair desse pensamento sociológico mero devaneio? Sociologia, ciência ou imaginação? São livres a escolha e o entendimento que se faz dela. Vivemos agrupados na solidão, ainda que seres dissociáveis por natureza imposta. A imaginação sociológica nos molda e ao mesmo tempo nos estigmatiza. O estudo das relações entre os indivíduos pertencentes a uma comunidade, ou aos diferentes grupos formadores da sociedade que conhecemos, revela certa originalidade na essência, porém, os modelos comportamentais são estereotipados, sempre iguais, repetidos, inalteráveis. Regras de conduta curvando-se ao instinto de preservação. O homem está deixando de ser o centro do universo? Quando tão somente olho para o próprio umbigo vejo a anormalidade da doença.

Um dia desses entrei num cômodo da minha casa, que chamo de biblioteca – meu refúgio particular e preferido – para pegar uns apontamentos que fiz no tempo da primeira faculdade e os encontrei debaixo do livro, um pouco empoeirado, “Introdução ao Pensamento Sociológico” de Anna Maria de Castro e Edmundo F. Dias (Editora Eldorado / 1977). Não tenho uma estante para cada ciência para facilitar a busca dos livros e consequente pesquisa. Agradeci o encontro não furtivo, de sorte que peguei aquele livro, com algumas manchas amareladas pela ação do tempo, e pus-me a folheá-lo. A leitura interessante traz recordações – isso é transcendente. O pensamento e a organização social estão relacionados, são decorrentes. As sociedades são potencialmente influenciadoras e nelas coexistem o conhecimento e a evolução, as diferenças e a homogeneidade. A “ciência da sociedade”, para os autores da matéria, reflete os problemas vividos em tempos fragmentados – cada pedaço do calendário apresenta um matiz particular. Anna Maria de Castro e Edmundo F. Dias abordam aspectos bastante interessantes sobre o pensamento em sociedade. Como compreender o semelhante num mundo de ambiguidades?

Segundo Bernardo Goytacazes de Araújo, em seu estudo A Base do Pensamento Social nos Séculos XVIII e XIX, “O contexto de surgimento da Sociologia se dá nas grandes mudanças que criaram o mundo moderno, principalmente na segunda metade do século XVIII e no século XIX. Foi uma época de maciças transformações sociais na Europa Ocidental. E neste mundo, a economia no século XIX foi fundamentada sobre a influência da Revolução Industrial Britânica, já a política e a ideologia foram fundadas sobre a égide da Revolução Francesa. Ambas proveram a modernidade um novo conceito de se pensar e de se viver o social. Estas grandes revoluções abalaram o momento histórico, principalmente da segunda metade do século XVIII em diante”. Passados pouco mais de dois séculos e meio novos destinos foram considerados no mapa de navegação proposto pela humanidade vivente – com pouco espaço na nave nem todos puderam embarcar nessa viagem.

Por si a Revolução Industrial não transformaria radicalmente a humanidade do ponto de vista sociológico, de sorte que o modelo de “pensar e viver o social” já vinha sofrendo mudanças e adaptabilidades aos novos tempos. Essas transformações – em grande parte subliminares – aconteceram, como acontecem, sobre bases existenciais. Uma ponte construída sobre o rio da compreensão leva a duas margens distintas. Nesse caso específico não há divisor-de-águas a estabelecer. A meu sentir, até o século XVIII, o pensamento social caracterizava-se muito mais pela preocupação de formular regras de ação, do que pelo estudo, frio e objetivo, da realidade social, que gera e determina todas as regras humanas. Homens subordinados às ilusões dos sentidos. Transformações substanciais ocorreram na faculdade que o indivíduo possui de imaginar, de conceber os comportamentos dos grupos sociais, de aprender e apreender o que se passa à sua volta, de fantasiar, de fundar crenças fantásticas, de procurar dentro de uma “imaginação construtiva e organizada” caracteres de diferenciação. Com certo rigor, esse mesmo indivíduo apresenta um livre-arbítrio, uma revolução intelectual e agregadora, caso contrário o senso critico não teria ou faria sentido. É a transmudação dos espíritos livres.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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