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Política

Pedágios

Pedágios

Imagem (23)Eu, você, nós brasileiros pagamos R$ 8.230,31 em impostos no ano de 2012. Na média, isso significa um aumento de R$ 460,37 em relação ao que pagamos de impostos em 2011. Naquele mesmo ano, 2012, a carga tributária bateu recorde e atingiu o impressionante índice de 36,27% do PIB – Produto Interno Bruto. A nossa obrigação é trabalhar e o direito dos governos é de arrecadar cada vez mais – todos querem morder um pedaço da nossa renda com a mesma avidez que um faminto ao comer uma salsicha. Os destinos que os governos dão a boa parte desses recursos todos nós sabemos, de modo que no Brasil arrecada-se muito e gasta-se mal (além dos desvios que realimentam a corrupção), e a população sem receber a contrapartida em serviços públicos de qualidade, sobretudo saúde e educação.

Os bolsos dos contribuintes são atacados com voracidade. Continuamos pagando as contas, damos com os ombros e resmungamos. Reclamar só com a Virgem Maria. Relatarei um caso que serve de exemplo, a propósito das manifestações populares ocorridas no bimestre passado que consideraram este item na pauta de reivindicações: Pedágio – uma taxa que se paga para transitar em uma rodovia federal, estrada estadual, ponte, rua, etc. No início do mês passado fui ao Rio de Janeiro de carro. Paguei 11 (onze) taxas de pedágios entre a ida e a volta, totalizando R$ 45,70. Os tickets acima correspondem à viagem de regresso ao Espírito Santo, no total de 06 pedágios (R$ 25,30), porque na volta do Rio o primeiro pedágio pago é na Ponte Rio-Niterói. Na ida para o Rio paguei 05 pedágios (R$ 20,40), porque não há cobrança na ponte Rio-Niterói.

Viajar não fica barato. Com R$ 45,70 de taxas de pedágios eu compro 16 litros de gasolina aditivada e rodo 160 km. Em outras palavras, poderia fazer turismo e deixar mais dinheiro nas cidades de destino. O governo não pensa assim. Como o poder público não tem competência na gestão das vias de transporte, elege concessionárias que assumem compromissos formais (Contratos) de construção e manutenção dessas vias, para isso cobram pedágios cujos valores são variados dependendo do tamanho da área explorada x fluxo de veículos x custos x lucro, e assim por diante. O problema não é pagar os pedágios; o problema é não encontrar no percurso da viagem postos de assistência, é não encontrar rotas policiais, é não encontrar ambulâncias, é não ter segurança, é não ter qualidade de pista e asfalto.

Estou falando apenas de uma simples viagem de ida e volta ao Rio de Janeiro. O efeito multiplicador para o restante do Brasil chega às raias do absurdo. Vejo concessionárias enriquecendo-se num curto espaço de tempo e o direito de passagem ficando cada vez mais restrito e caro. Se fosse computar as outras viagens secundárias que fiz às regiões serranas e litorâneas do Rio de Janeiro, o valor final que paguei de pedágios certamente ultrapassaria a casa dos R$ 100,00. A raiva aumenta quando você se depara com os “Pardais”, ou seja, com as Fiscalizações Eletrônicas de Velocidade (e olha que são muitas), que nada mais são do que indústria de fazer dinheiro para o governo e para as próprias concessionárias. O medo aumenta quando você tem que reduzir a velocidade e vem uma carreta carregada atrás do seu carro a 120 km por hora. Os manifestantes têm toda a razão quando botam a boca no trombone, enquanto nós que precisamos viajar a trabalho não temos alternativa, senão colocar, com tristeza, a mão no bolso.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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