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A difícil tarefa de ser simples – 3ª parte

A difícil tarefa de ser simples – 3ª parte

A administração de um Blog segue a mesma metodologia da imprensa formal, isto se o foco for a publicação de matérias com conteúdo jornalístico. No meu caso em particular, trabalhar a informação com toque opinativo é meta a ser seguida, independente da Categoria. Trabalhar a informação é contar uma história, ou estória. No desenvolvimento do assunto perguntas básicas devem ser respondidas: Quem? Fez o quê? A quem? Quando? Onde? De que maneira? Por qual motivo? Se o escritor conseguir colocar esses sete elementos no texto, não necessariamente nesta mesma ordem, terá boas chances de prender a atenção do leitor e passar a mensagem num bom nível de compreensão. João matou José a facadas num bar por motivo fútil em 2004. Continua: O crime aconteceu na cidade de Exu, no sertão pernambucano, por volta das 20h00min do dia 14 de maio daquele ano. José teria se negado a encher o copo de João com cachaça quando começou a briga entre eles na presença dos fregueses da casa que não puderam fazer nada. Os dois estavam bêbados. A vítima não teve tempo de ser socorrida e morreu ensanguentada no local depois de ter recebido uma série de facadas. O agressor está foragido.

Numa página policial todo mundo entenderá este texto, contudo, se o mesmo tema for escrito num artigo de psicologia ou psiquiatria, contendo uma análise dos distúrbios emocionais e de personalidade do criminoso, o grau de entendimento por parte dos leitores comuns certamente será outro, à exceção de os estudiosos do assunto. Tenho notado ao longo desses últimos tempos, talvez de 10 anos pra cá, que as pessoas, de um modo geral, estão perdendo aos poucos a sua capacidade de concentração e este fenômeno está interferindo diretamente nos sistemas de escrita. São inaceitáveis os patamares de analfabetismo no Brasil, 16 milhões de pessoas, segundo avaliações; somam 19,2 milhões os brasileiros com menos de um ano de estudo. Alunos saem do nosso sistema de ensino após 04 ou 05 anos de escolaridade e não conseguem ler ou escrever um simples texto. Infelizmente, esse grave problema se arrasta até a idade adulta gerando outro sintoma crônico, o analfabetismo funcional, que vem assolando as camadas sociais como um todo. A literatura sofre com essa realidade; os escritores e os profissionais da comunicação tentam se estabelecer como podem em terras de baixa cultura. Há uma grande predisposição das pessoas em entender “bugalhos” quando lêem “alhos”.

Os seres humanos estão cada vez mais “desconectados” ainda que se mantenham plugados. Leia-se: “O desconhecimento das normas cultas e o descuido das fontes emissoras (da mensagem) produzem “vícios de linguagem”, dificultando a manifestação do pensamento. Mal da modernidade: Os pseudos leitores alegam não ter tempo suficiente para se aprofundarem em determinados assuntos e acabam se tornando parte de uma geração “sem conteúdo”, pessoas experts em leitura de manchetes, tão somente. Já ouvi alguém dizendo que “há quem escreva difícil para demonstrar cultura”. Opinião individualizada que esbarra no conceito de “dom natural”. Quem escreve, o faz para grupos de leitores específicos, dificilmente universaliza a compreensão das suas ideias, ainda que haja permissão para que todos tenham acesso a elas. Não há quem consiga ler tudo, todas as obras disponíveis no universo literário. Fazemos parte de uma Aldeia Global (Marshall McLuhan) e, muito embora entendamos a proposta de “mundo interligado” em razão da evolução das Tecnologias da Informação e da Comunicação, os indivíduos se comportam dissonantes do contexto sociológico. Destaca-se a influência dos signos linguísticos (elementos representativos), e seus dois aspectos básicos, significantes e significados, nas construções textuais, sobretudo nas diferentes literaturas segundo profissões. Nesse particular, autores especialistas dão as cartas.

No mundo corporativo, por força da constante inovação tecnológica, os colaboradores (Agentes do processo produtivo) precisam atentar para três fatores fundamentais: 1º Adaptabilidade aos sistemas; 2º Aperfeiçoamento profissional em ritmo acelerado; 3º Domínio dos processos de comunicação empresarial. Sem este último os dois primeiros fatores ficarão sobremaneira comprometidos. Dependendo da área onde o funcionário estiver lotado, o uso da linguagem técnica (escrita e falada) própria é fundamental e indispensável nas relações de trabalho. Em outras circunstâncias, deva-se empregar o vocabulário do dia-a-dia sem empobrecer o texto objeto do diálogo. Desde 1964, quando comecei a trabalhar oficialmente para a atividade privada, não tinha vergonha em abrir o dicionário sobre a mesa de trabalho para consultá-lo sempre que tinha uma dúvida sobre determinada palavra, cultura essa trazida dos tempos de escola primária. Confesso que foi um aprendizado e tanto. Hoje as pessoas preferem ficar com a dúvida a esclarecê-la. Aceitar como certas as formas erradas de expressão configura a falência do sistema de comunicação, a submissão ao processo de “burrice imposta”. Muitos leitores utilizam a leitura dinâmica (leitura rápida) com a finalidade de aumentar a velocidade da leitura – a dúvida é se o entendimento será mantido depois de tudo que foi dito.

Frase do dia:

“Para um bom entendedor meia palavra basta; para quem não entende coloque um ponto final”.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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