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Consultoria & Marketing

Minha mulher se mete demais!

Minha mulher se mete demais!

Escreve um leitor: “Estou caminhando para 07 anos de casado. Nunca tive problemas de relacionamento com a minha esposa, mas só que agora ela se acha no direito de dar palpites na minha vida profissional, de dizer o que devo fazer no trabalho e, o que é pior, está me incentivando a sair do emprego (pedindo demissão) por achar que eu estou sendo injustiçado. O que devo fazer?”.

Em primeiro lugar parabéns pelo tempo que vocês estão casados, isto está se tornando cada vez mais raro em nossa sociedade. Em segundo lugar deduzo que deva haver um ou mais motivos que estimulem sua esposa a assim proceder. Vamos por eliminação. Provavelmente você está levando problemas do trabalho para casa e discutindo-os com ela como forma de desabafo, e a consequência você já sabe, a sua mulher sente-se à vontade para externar as opiniões – senso crítico – segundo sua íntima capacidade de questionar. Toda vez que você se reúne com os colegas de trabalho num chopinho descontraído, o assunto do momento sem dúvida alguma é trabalho, e me parece que tudo gira em torno disso quando vocês estão juntos. Também é muito comum nesses encontros a esposa marcar presença, assim como as companheiras dos seus colegas, o que, inevitavelmente, provocará uma reação em cadeia, ou seja, uma vez sabedoras das crises existenciais (problemas empresariais) dos seus maridos, elas, as mulheres parceiras, estarão habilitadas a contribuir com a sua larga experiência, não importando onde foi obtida e o nível do currículo. Mesmo que elas conversem entre si coisas do seu mundo (cada mulher tem o seu próprio), as discussões masculinas, sobretudo relacionadas a trabalho ou futebol, acabam de certo modo prevalecendo.

Meu pai morreu e até esse dia derradeiro a minha mãe não sabia quanto ele ganhava, apenas tinha uma vaga ideia pela quantidade de contas que ele mensalmente pagava e, como não sobrava nada, ficava mais fácil fazer os cálculos. É claro que nos dias de hoje os tempos são outros. Aonde eu quero chegar? Quando se dá muita satisfação a outrem sobre o que está acontecendo em sua vida, na perspectiva de “circunstâncias desagradáveis”, maior é o risco de contratempos. Dividir o peso das preocupações tem um lado positivo, momentaneamente, mas isto não é garantia de que a pessoa receberá ajuda e obterá uma palavra de conforto. Ouvir uma opinião balizada de outra pessoa ajuda a esclarecer pontos obscuros e pode contribuir na tomada de decisões, porém, cuidado com interferências indesejáveis, e lembre-se de que somente a você cabe a avaliação final e atitude, ainda que no julgamento da ação você ache que saiu no prejuízo.

Tenho por costume guardar apontamentos feitos nos momentos de inspiração, são frases curtas, textos inacabados, temas para dissertação, enfim, um punhado de pedaços de papel em forma de manuscritos. Certa vez escrevi o seguinte: “Um casal está em crise e consegue resolvê-la com uma simples conversa, sem a necessidade de procurar o padre da paróquia mais próxima. Outros casos há que isso não é possível e a interferência de um agente externo torna-se indispensável. Quando se está envolvido no problema até o pescoço, por ser o objeto dele, encontrar uma porta de saída nesse imenso labirinto é desafio duradouro. Ao percorrer os espaços intrincados ficamos mais desorientados. Um pedido de socorro é bem-vindo. Quem está de fora consegue enxergar um pouco mais além, pode auxiliar no encontro de soluções e colocar placas indicativas ao longo do trajeto que mostrem a porta de saída certa. Sempre haverá o risco das exceções se tornarem regras gerais, de sorte que devemos facilitar as coisas e evitar bloqueios desnecessários na nossa mente. Não confundamos o perfil desse Agente externo com o retrato profissional do Consultor de empresas”.

Em tese, a nossa mulher é a nossa alma gêmea (pessoa predestinada no nosso destino), e não percebemos que nem sempre ela está disposta a ouvir ladainhas, até porque não temos o direito de ficar enchendo a cabeça dela com os nossos problemas do dia-a-dia, sobretudo ocorridos no trabalho. Que assim o seja. Entretanto, ligue o seu desconfiômetro e comece a proceder de outra forma. Deixe os problemas de trabalho do lado de fora da casa, no quintal ou nos corredores do prédio, e quando entrar, também pare de perguntar a ela “Como foi o seu dia hoje?”. Ela certamente estará de saco cheio de tanto mentir. Que tal mudar de estratégia: “Amor, vamos passear, jantar fora?”. Aí você terá 100% de chances de ouvir: “Só se for para conhecer novos lugares e gente diferente, mas você tem que me prometer que não falará em trabalho”. Alerta: Aguarde a sua primeira grande crise conjugal quando vocês completarem 07 (sete) anos de casados. Não se preocupem, apenas aprendam e curtam, porque depois vem a crise dos 14, 21, 28, 35, e assim por diante. Eu sei o que é isso! Boa sorte.

Frase do dia:

“Não é por falta de cavalo que São Jorge vai andar a pé!”

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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