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Política

Irmãos siameses

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chargeSou fã de primeira fila do cartunista Alpino. Sempre que me é dada a oportunidade teço os elogios merecidos a este brilhante profissional de criação, que consegue, nos seus simples e personalizados traços, nas suas curtas frases, resumir um texto com dezenas de palavras opinativas. Neste tempo, peço-lhe perdão por estar “usando” os seus cartuns no meu humilde Blog, mesmo que, por dever de ofício, respeite os devidos créditos. Parabéns a você, Alpino, espero que goste dos meus artigos políticos, e outros conteúdos, assim como eu aprecio as suas criações. Forte abraço.

Domingo relativamente tranquilo, cujo dia (21/04/2013) guardarei para o resto da vida. Não que tivesse acertado os números de algum jogo de loteria, mas pelo fato de ter despachado a minha queridíssima sogra para a casa de outra de suas filhas, residente na terra do Roberto Carlos – “O Rei” –, Cachoeiro do Itapemirim, cidade localizada no Sul do Estado do Espírito Santo, à qual dedico especial carinho. À noite, de volta para o meu doce lar, reduto sagrado de criações literárias. Tinha acabado de estacionar o carro quando surgiu ao meu lado, de repente, o meu vizinho José Carlos, dando-me um susto danado. Após os cumprimentos tricolores formais (o Fluminense venceu o Bangu por 2 a 0 e está nas semifinais da Taça Rio), começou a meter o pau no síndico, recém-eleito. E babá, bababá, bababá, e titi, tititi, tititi… Fui claro, direto e objetivo na pergunta: “Amigo, em qual chapa você votou na eleição para síndico no final do mês passado?”. Resposta: “Votei nele!”. “Então, é com ele que você deve reclamar diretamente” – completei o raciocínio, como se estivesse chutando uma bola dentro da pequena área. “Esse cara sou eu” – disse Roberto Carlos.

Se a ficha caiu ou não é problema dele. Isso me faz lembrar como é impressionante a reação dos eleitores, votam errado, no partido político errado, nos políticos errados, só para terem motivo de reclamar depois. É a cultura brasileira em plena manifestação. Prova disso, são os comentários que li nas redes sociais acerca da última notícia envolvendo o Palácio do Planalto em mais uma tramoia anunciada: “Governo sai a campo para salvar Eike Batista”. Não foi só na mídia impressa que a matéria recebeu destaque, também em jornais digitais como o Brasil 247, conforme podemos visualizar abaixo.

eikeResumo da ópera, tudo dentro das previsibilidades, e de nada adiantará estender as opiniões porque seria o mesmo que malhar em ferro frio. Este é um caso típico que ninguém precisa pagar para ver o final, a gente já sabe. Pouco tempo falta para Eike Batista se tornar o maior acionista da Petrobras com o “apoio intervencionista” do governo federal – Deus sabe lá por quais razões.

O governo brasileiro se transformou em um grande balcão de negócios onde a ‘Coisa Pública’ é comercializada com o setor privado sem a mínima preocupação com o mercado de varejo. O sucesso foi tanto que Brasília abriu filiais por todos os Estados da Federação e estes em todas as Prefeituras Municipais. Antes, o governo federal utilizava a figura do “caixeiro viajante” para fechar os negócios em seu nome, agora, o presidente da empresa Brasil e os seus dois vice-presidentes (nela não poderia deixar de incluir os presidentes das duas Casas de Leis que compõem o Congresso Nacional) assumem pessoalmente as tarefas de abordar clientes em potencial, negociar sem limites e fechar o negócio garantindo a plena satisfação dos interesses bilaterais dentro de critérios da pessoalidade. O Estado brasileiro foi tomado de assalto e é gerido como se fosse uma propriedade privada – os seus verdadeiros acionistas (povo inapetente) tiveram maquinalmente desvalorizadas as suas ações a ponto de ficarem impedidos de participar das Câmaras e Assembleias decisórias. A ineficácia e a falta de comprometimento com a ‘Coisa Pública’, com a ‘Res Pública’, com a ‘Coisa do Povo’, são patentes e se consagraram como a atual marca registrada da República brasileira. O quê fazer? Sei lá, eu não quero arriscar nenhum palpite por enquanto. Lula, Dilma e Eike Batista são irmãos siameses (gêmeos xifópagos), geneticamente idênticos e compartilham a mesma placenta nacional. Percebe-se que a pele e os órgãos internos estão fundidos – na política brasileira estes casos não são raros, mas são persistentes –, de sorte que praticamente torna-se impossível separá-los. O público e o privado são a mesma coisa, respiram o mesmo ar.

Assim como procedi com relação ao cartunista Alpino, obrigo-me da tarefa de falar alguma coisa sobre o jornal Brasil 247. Leia-se texto de apresentação do jornal: “O Brasil 247 foi o primeiro jornal brasileiro desenvolvido para o iPad, outros tablets e smartphones. No mundo, foi o segundo, atrás apenas do The Daily, mas foi o primeiro com uma experiência aberta e gratuita. […] Nossa visão é de que o mundo caminha para um modelo de informação plural, colaborativa, online e gratuita. Lançado oficialmente no dia 13 de março de 2011, o 247 é hoje uma plataforma digital completa, com um dos sites de informação mais acessados do País e aplicativos de sucesso nas tecnologias iOs e Android”.

Enquanto isso, os “alagados sem sal” prometem indulgência nas urnas em troca de migalhas.

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Nota de falecimento: Leia-se matéria jornalística: Dirce Camargo, a mulher mais rica do Brasil, morre aos 100 anos. São Paulo, 21 de abril de 2013 (EFE). Viúva do fundador do grupo Camargo Corrêa (Sebastião Camargo), Dirce Camargo, tida como a mulher mais rica do país com uma fortuna calculada em US$ 11,5 bilhões, morreu na tarde de ontem em São Paulo aos 100 anos de idade, informou neste domingo o conglomerado com negócios nos setores de construção, infraestruturas, indústria naval, cimento, energia e calçado. De acordo com a lista elaborada pela revista “Forbes”, a fortuna de Dirce Camargo girava em torno de US$ 11,5 bilhões, o que a situava como a 87ª pessoa mais rica do mundo e a primeira mulher do Brasil. A dona de Camargo Corrêa mantinha uma vida reservada e agora deixa suas ações da empresa as suas três filhas, Regina, Renata e Rosana. O grupo Camargo Corrêa é o segundo maior produtor de cimento da América do Sul e proprietário de uma grande construtora, além de possuir 44,12% das ações da companhia Alpargatas, fabricante das Havaianas. EFE.

Atrás de uma grande fortuna existem quantos crimes? Deixa isso pra lá! Chamemos o meu vizinho José Carlos para responder esta pergunta. Entrementes, existe uma verdade nessa história: o governo federal “contribuiu” para que a tal empreiteira construísse esta montanha de dinheiro, em troca de… Deixa isso pra lá! A propósito, eu não torço pelo Fluminense, de modo que quero deixar isso bem claro junto aos meus pouco mais de 20 leitores. Outra coisa, daqui a seis dias eu ligarei esfuziante para a minha digníssima sogra porque dia 28 é o “Dia da Sogra”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

2 comentários sobre “Irmãos siameses

  1. Pô se eu fosse jonalista ou tivesse um blog para discutir opiniões sobre a maneira
    de governar ou de agir a população na hora do voto.
    Eu tentaria não ter partido, conhecer a verdade(história), procuraria não ser hipócrita dizendo que
    essas ou aquelas coisas acontecem agora com tal partido que tds sabem que não é verdade
    Assim como existem pessoas que afirmam isso e fingem não enxergar a existencia do problema
    quando é o partido dele.
    O governo finge não enxergar seus problemas.
    Se quero entender por que o povo vota assim entre na pele dele
    Viva o que ele vive assista o que eles assistem, leia o que eles lê.
    Não esqueça para entender o Por que? Esqueça por um momento de sua opinião abra a mente.

    Publicado por Carlos | 25/04/2013, 11:46
    • Carlos,

      Boa-tarde.

      Gostaria que, se não todos, pelo menos a maioria dos brasileiros tivesse a sua destacada visão do processo democrático, o elevado grau de entendimento dos cenários nos quais estamos irremediavelmente inseridos. O interesse pela discussão acerca das metodologias de governabilidade e dos comportamentos dos eleitores na hora “H” – ainda que induzidos numa atmosfera de catarse coletiva -, quando lhes é dada a prerrogativa de tentar mudar o rumo da política nacional ao apertar a tecla CONFIRMA, é sinal extremamente positivo sob a perpspectiva de evolução funcional. Afastando a questão da circunstancialidade, o “ser apolítico” e o “estar apolítico” são ações que não interferem no escopo da problemática. Os fatos em si têm um lado obscuro, pouco inteligível, de sorte que pessoas há que nesse espaço escondem a omissão nunca reconhecida. por elas próprias. Quando a proposta original é levantar a redoma que cobre a aparente realidade e/ou o real imaginário, talvez nos seja ofertada a compreensão que tanto buscamos. Fazemos parte indissolúvel de uma sociedade doente, refém das suas mazelas por hereditariedade. Tomar partido de situações parece-me um expediente não agregador para quem não detém o fiel da balança, e nesse universo perceptivo enquadram-se indivíduos que agem com incontrolável volúpia emocional.Friedrich Nietzsche, em seu livro “Assim Falou Zaratustra” escreveu: XIX – Eu traço em torno de mim círculos e santas fronteiras: cada vez são menos os que sobem comigo por montanhas mais elevadas; eu levanto uma cadeia de montes cada vez mais santos […] XXI – Agradam-me os valentes; não basta, contudo, saber manejar bem uma espada; é preciso saber também a quem se fere! […] O conhecimento de si próprio é algo intangível. Sempre que me é dada a oportunidade eu digo que OPINIÃO é o modo de ver, de sentir a respeito de um determinado assunto; parecer. As pessoas opinam segundo conceitos particulares, íntimos; formados a partir da estrutura do saber – nesse sentido, não há rigidez estética, tampouco um compromisso formal com a verdade explícita; ao contrário do jornalismo tradicional, que precisa de uma ou mais fontes, sejam pessoas, documentos, instituições, etc, que fornecem periodicamente informações ao repórter. Daí se conclui que podemos falar o que bem entendemos e quando o assunto é colocar no papel, tratamos logo de desconversar. Pelo menos essa prática se sobressai à teoria. Por verdades também endossamos as nossas opiniões – quando queremos que elas sejam independentemente se é livre a manifestação do pensamento, por teoria. Fato é que sempre tem gente disposta a ouvir o que dizemos numa “opinião disfarçada” e outras pessoas há que ouvidos de mercador fazem na constatação da “opinião declarada” – quando dita. A gente também opina quando quer. Não é sempre que estamos dispostos ou predispostos, sobretudo quando achamos que os temas são desinteressantes ou que simplesmente provoquem desinteresse, segundo ouvidos alheios. Pensar; falar; escrever. Três verbos, três ações. Tem coisas que a gente pensa, fala e escreve. Outras há que pensamos, não falamos e não escrevemos. O pensar é isso – simplesmente refletir, cogitar, raciocinar, meditar. Por consequência, falamos ou não o que se passa na nossa cabeça e nem tudo se escreve, ou quase. Verdade é que nunca dizemos ou escrevemos tudo o que queremos, mas ouvimos. Diz a máxima: “Quem tem opinião, que se manifeste. Quem não a tem, fique calado”.

      Grato por ter acessado o Blog opiniaosemfronteiras.com.br e, sobretudo, por ter opinado.

      Forte abraço,

      Augusto Avlis

      Publicado por augustoavlis | 25/04/2013, 14:28

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