>
Você está lendo...
Política

Julgamento do Mensalão / A Lixeira – parte III

titulo

lixeira

Jamais vi em Brasília tanta iniquidade. No meu próprio país deveria me considerar forasteiro, portanto, uma pessoa de fora, um estrangeiro, um peregrino por natureza, um cara estranho, um alienígena que pousou na Terra para reabastecimento da nave espacial; deveria me achar qualquer coisa, menos brasileiro. Numa daquelas condições eu seria obrigado a não me envolver em assuntos internos, ficaria com o bico calado, e tudo permaneceria numa boa; desta feita, quem sabe, até solicitar permanência definitiva no solo tupiniquim porque jamais representaria perigo para o sistema. Para bem viver por aqui só desse jeito, ou seja, ser cego, mudo e surdo – a ordem do dia é não se comprometer, ainda que provocado a fazê-lo; é o que a mídia está tentando, mas depende do dinheiro federal (propagandas), além das concessões.

Sexta-feira, 19 de abril de 2013. Enfim, o Supremo Tribunal Federal divulgou o Acórdão do Mensalão (Ação Penal nº 470) na edição 74/2013 do Diário da Justiça Eletrônico, mas, somente será considerado publicado na segunda-feira próxima, 22/04 (dia útil seguinte), segundo regra regimental. Como os advogados de defesa dos réus condenados (25) terão 10 (dez) dias para impetrarem os recursos (Embargos de Declaração e Embargos Infringentes), este prazo começa a contar na terça-feira, 23/04, e acaba na quinta-feira, 02/05. Contestar as condenações será o “mote coletivo” dos advogados de defesa, e tudo indica que seguirão uma linha única na apresentação dos discursos. Não há dúvida de que nessa questão eles “estão fechados”. Quadrilha por quadrilha, ao final, todos acabam se entendendo, de sorte que agora não cabem trocas de farpas e acusações de lado a lado na tentativa de indicar um bode expiatório. O objetivo é livrar a cara de todo mundo sob o manto de proteção do governo para que a sua imagem não fique mais arranhada do que está. Lula, nos bastidores, já deve ter deflagrado algumas operações de guerrilha: “Abafa”, “Toma lá, dá cá”, “Quanto custa enrolar?”, “Eu prometo”, “Merda no ventilador”, “Eu abro a boca”, “Tem pra todo mundo”, entre outras ao bom estilo petista. O silêncio é ensurdecedor – tem coisa a caminho. Ratificando informação, o Acórdão é o documento oficial que resume as teses defendidas no desenrolar do julgamento, explicita o tempo de pena para cada réu condenado e o respectivo regime de cumprimento. Os votos escritos dos 11 (onze) Ministros do STF que participaram do julgamento da AP 470 não figuram neste Acórdão, devendo ser publicados / disponibilizados na segunda-feira, 22/04. Os réus absolvidos no processo podem pedir que no Acórdão faça constar a sua “inocência” e não simplesmente mencionar que “não havia provas” suficientes para a sua condenação. Os Embargos Infringentes são um problema crucial. Tais recursos servem para questionar pontos específicos das decisões tomadas pelos Ministros da Suprema Corte, e, uma vez acatados quando julgados, podem reverter uma condenação em absolvição. Só valem para os réus que receberam 04 (quatro) votos favoráveis manifestando absolvição. A Procuradoria Geral da República tem a prerrogativa de recorrer nos casos das absolvições e solicitar aumento das penas impostas aos condenados, o que mudaria o regime de cumprimento em vários casos. A cobrança do dinheiro desviado no esquema criminoso não pode ficar na esfera das possibilidades – ele tem que voltar para o lugar donde saiu. Importante assinalar que até o “Trânsito em Julgado da Condenação” somente há probabilidade para a prisão de natureza cautelar. Espera-se um período excessivamente demorado para se chegar à efetiva execução do Julgado, o que comprometerá, sobremaneira, a eficácia do julgamento da Ação Penal nº 470 – Processo do Mensalão. Aumentou a compra de ombrelones italianos – tem Ministro apostando numa chuva torrencial de recursos.

“Os Embargos Infringentes são manifestamente inadmissíveis, não cabem de forma alguma. Eu acho que não há espaço sequer para discussão. […] Temos que ver as limitações dos Embargos de Declaração, o que eu tenho sustentado e sustentei inclusive no pedido de execução imediata com expedição dos mandados de prisão é que os Embargos não se prestam para a mudança do julgado, e devo manter essa linha de coerência. […] Vou examinar tão logo seja publicado o Acórdão e vou examinar se há ou não interesse do Ministério Público em embargar essa decisão, temos que esperar a publicação do Acórdão”.

Roberto Gurgel – Procurador-Geral da República.

STFSeguindo o instinto do vira-lata, vamos ver agora o que encontrei na “Lixeira” – parte III. O Ministro revisor da Ação Penal nº 470, Ricardo Lewandowski, abusou do direito de ser minudente (que emprega minudências, que é muito cuidadoso com cada pormenor, minucioso, meticuloso, escrupuloso), só que esta tarefa caberia aos advogados de defesa, não ao Ministro da Suprema Corte. Não se cansou de dizer que estava “julgando verticalmente”, por entender que a questão não era linear em se tratando de Ordem Jurídica. Ora bolas, com Ricardo Lewandowski no Plenário do STF, alguns dos advogados de defesa poderiam ter sido dispensados, sobretudo os do Núcleo Político do PT. Chegou a dizer, ou fazer entender que “A acusação foi deliberadamente vaga”; “A acusação é extravagante”; “Faltam nos autos provas cabais para a condenação dos réus”. O Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, não pintou o pior dos cenários na peça de acusação, nesse sentido, o pior dos mundos ficou para depois, quando da comprovação dessas mesmas acusações. Pressões para o arrefecimento da crise vieram de todos os lados, do governo federal, do ex-presidente, de partidos políticos, dos organismos mafiosos, dos interesses escusos, enfim. O importante é que esse julgamento, ao contrário do que muita gente quis apregoar, não foi midiático; foi o registro em sépia de parte da história política brasileira. O Processo em si foi uma “Pena imposta” antecipadamente aos artífices da criminalidade corporativa. O que temos que focalizar é uma questão da maior importância: quanto seria movimentado pela quadrilha se não fosse desbaratada? O escândalo eclodiu como um borbotão, ainda bem. Os hábeis advogados de defesa, em ação conjunta, pretenderam desviar o rumo da prosa, com o propósito de desmontar a linha de acusação sobre os empréstimos bancários, de modo que venderam a ideia da legalidade, não sendo forjados para “esquentar” os desvios de recursos públicos. Comprovada essa premissa, tudo o mais cairia por terra. Sequenciando o discurso – por consenso da bancada da absolvição – os doutos advogados de defesa não economizaram palavras para contrariar as alegações do MPF: “Esse leva e traz de dinheiro, essas transferências ilícitas de valores nunca existiram, os depoimentos estão aí para quem quiser conferir; também nunca ouvi falar nessas transações na Câmara de Deputados”. “Ao cabo dessas intervenções, veremos que esta Ação Penal foi açodada, está incompleta, é intimidatória”. “Inconsistente a peça acusatória”. “Incompetência na formulação dos autos”. “Armadilhas armadas no processo”. “Textos cheios de furos”. “Frases de efeito”. “As provas não são robustas, são anêmicas, frágeis, não passam no crivo do contraditório”. “Os depoimentos não resistem a testes de falsificação”. Os romancistas que gostam de histórias policiais tiveram uma excelente oportunidade para capturar e registrar tais frases proferidas na Tribuna do STF – não faltou criatividade nas formulações. O problema vai muito além de ser qualificado conceitual, o volume de dinheiro movimentado pela quadrilha do Mensalão importa sim, e muito. Outra questão da maior envergadura incide na ilicitude dos mecanismos empregados para dele se assenhorear. A máquina pública estava azeitada e as engrenagens em pleno funcionamento; só entrou em parada para manutenção emergencial porque um funcionário da “fábrica de fazer dinheiro sujo” falou o que não devia num dia de produção recorde. Esse funcionário bocudo é o Roberto Jefferson, que recebeu o merecido título de “Funcionário Padrão” do ano de 2005. Juizes altamente qualificados; delitos de penas altas num processo de difícil julgamento; duplo grau de jurisdição; todo cuidado com o veredito; crimes de corrupção e as interpretações; a contraprova é exigida dos réus; na prática da propina é exigida a bilateralidade; a relação causa e efeito; as figuras do corruptor e do corrompido; a inocência não se prova; os culpados existem porque são apontados; a festança da lambança; topa tudo por dinheiro – são teorias da conspiração ou lendas urbanas? Dias Toffoli defendeu a pena pecuniária em desfavor das penas restritivas de liberdade; pediu para que os pares repensassem na filosofia contemporânea. Roubar dinheiro público é um ato de contrição; tirar esse dinheiro dos investimentos em saúde, educação, da merenda escolar, do saneamento básico, do transporte, da moradia, é o quê? “Vale a pena passar algum tempo na cadeia para depois auferir os benefícios dos valores roubados, desviados dos cofres públicos? É a questão do custo-benefício do crime, portanto, uma regra que está em jogo. Vamos ser contemporâneos no que diz respeito às multas. Temos que cobrar multas daqueles que pretendiam, e conseguiram se locupletar. As penas restritivas de liberdade não têm parâmetros no judiciário brasileiro. Aquele que comete um desvio cujo dinheiro é a intenção primeira, então que se pague com o vil metal. Temos que repensar o que estamos a sinalizar com relação ao estabelecimento de penas”. Toffoli (poodle do PT), de joelhos, roga por apoio, pau mandado; recado mandado. A “filosofia da punição”, daquele que comete um delito está em debate na sociedade organizada há muito tempo. Da época da condenação fácil à fogueira temos saudade. Diante de uma visão prática, não há como acreditar em outra versão – o quanto o simbólico passa a preponderar na sociedade contemporânea. Pesa mais os efeitos pecuniários do que os efeitos restritivos de liberdade? Se existe punição ideal, esta seria a cadeia + a devolução do dinheiro roubado acrescido de juros e correções monetárias. Pena extinta em caso de condenação à morte. Ricardo Lewandowski defende a pena pecuniária até como pena alternativa para alguns réus. “Não queremos o efeito simbólico, queremos o efeito legal da Justiça”. O rastro de destruição e miséria que os ratos e cupins do erário deixam na sociedade é extremamente dantesco. Os resultados são tristes e penosos; os efeitos diretos quem os sentem são os cidadãos comuns, os descamisados, os pés descalços, os sem teto, os sem comida. Esses cães de guerra, miseráveis, escória, pulhas, maltas, bandidos, súcia, o que pensam quando roubam dinheiro público? Gostaria que Dias Toffoli e seus seguidores respondessem a essa pergunta. O povo sofre a falta de recursos básicos, quadro terrível, escassez tão grande que não nos permite medi-la. Temos que refletir sobre a presente questão social. Para Toffoli, devolvendo ao Estado o fruto do roubo, da rapinagem, é o suficiente para o réu-ladrão se livrar da cana, da Justiça e ficar gozando a liberdade. Legal, bacana, rouba-se pela segunda vez para devolver o primeiro roubo, rouba-se a terceira vez para devolver o segundo roubo, e assim sucessivamente. Os atos delituosos devem ser punidos no rigor das Leis, porque elas existem – o que não existe é a seriedade da maioria dos magistrados, o que não há é a certeza da punição, o que não ocorre é a confiança na Justiça. O veredito final vislumbra imprevisível em razão da complexidade, desdobramentos e circunstâncias próprios da Ação Penal nº 470 (Processo do Mensalão). Marco Aurélio Mello disse: “Continuo acreditando que este julgamento ainda promete, sobretudo quanto aos seus desdobramentos”. Eu acredito, desde que não se faça Justiça, desde que o Supremo Tribunal Federal se renda à quadrilha de colarinho branco, desde que as Instituições brasileiras fiquem de joelhos perante o crime organizado, desde que não queiramos passar o Brasil a limpo. O exemplo tem que ser dado para que não se estimule futuras práticas criminosas, sobretudo, contra a paz pública, contra a ordem financeira nacional, contra as Instituições, contra o erário, contra os cidadãos de bem que, com seus impostos, sustentam a máquina pública em todas as suas esferas de representação. A Lei de Execução Penal (Lei nº 7210, de 11 de julho de 1984) não pode ser desqualificada em razão da falência do sistema penitenciário, deixar de punir o réu por conta disso é o fim do mundo. O Estado brasileiro sempre se omitiu com relação ao sistema penitenciário. É hipocrisia pura trazer à tona o assunto agora, no momento em que figurões da política estão sendo condenados pelo STF. O Estado não pode prendê-los porque o sistema carcerário não oferece as mínimas condições de conforto, é insalubre, é degradante, não garante a integridade moral e física do preso. Qual a diferença entre eles, os criminosos do Mensalão, e os criminosos comuns? O quantum monetário? O volume de dinheiro roubado? O tamanho do delito? A Justiça brasileira só existe para punir o negro e o pobre? O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deu uma declaração sobre a situação do sistema penitenciário do Brasil, dando a entender que preferiria morrer a ser preso. O Ministro Celso de Mello foi muito feliz e taxativo quando deu as suas considerações a respeito do que colocou o Ministro Toffoli, chamando à responsabilidade o ministro da Justiça. A incúria do poder público é patente, tamanha a irresponsabilidade governamental; o descaso, a absoluta negligência, a indiferença do aparelho de Estado; penas que a própria ordem jurídica abomina; o abandono de pessoas presas; privações materiais; promiscuidade, etc. A preocupação com o estado de coisas pelo qual passa o sistema penitenciário deve ser de todos, mas, a responsabilidade primeira deve partir do Ministério da Justiça, através do DEPEN – Departamento Penitenciário Nacional, subordinado diretamente ao próprio Ministério da Justiça, com funções atribuídas. A Lei de Execuções Penais, no seu Art. 88, estabelece: “O condenado será alojado em cela individual que conterá dormitório, aparelho sanitário e lavatório. Parágrafo único. São requisitos básicos da unidade celular: a) salubridade do ambiente pela concorrência dos fatores de aeração, insolação e condicionamento térmico adequado à existência humana; b) área mínima de 6,00m2 (seis metros quadrados)”. Na prática, isso acontece? Da parte do governo, só fisiologismos, nada mais, cujas práticas políticas se voltam para a salvaguarda dos interesses e proveitos dos personagens praticantes e grupos interligados, todos, invariavelmente, a mercê de atos de prevaricação, de corrupção e crimes afins, agora mais explícitos. O Estado, em sua expressão institucional, é omisso. A parte executiva cabe ao Ministério da Justiça. Contexto em exame. Estamos vivendo num Estado Democrático de Direito, por essa razão, temos que seguir o que determinam os Legisladores de plantão. Art. 5º, inc. XLIX da Constituição Federal de 1988 – Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral. Todos, circunstancialmente, responderão pelos seus atos, ainda que em outros juízos não formais. Com esta frase, teço algumas considerações informais acerca de rotas de colisão que estão para acontecer segundo mapa rodoviário nacional, e que o GPS prontamente identificou. GPS, para quem ainda não conhece, significa “Grupo Parlamentar da Safadeza”. A dificuldade de escolha julgada como a mais provável, na minha humilde análise, cedeu lugar à facilidade das conveniências, e estas, optaram pelo caminho do mal, que será seguido sem preconceitos ou arrependimentos formais. Determinados copos ficam expostos na cristaleira por longos anos, mas, de repente, alguns precisam ser quebrados para que outros tenham por lembrada a existência. O mal triunfará? Tenho por costume colecionar tirinhas horizontais com notas de matérias, publicadas ou não na mídia formal. O Brasil precisa ser passado a limpo sem papel carbono. O Brasil ainda está entre os 12 países mais desiguais do mundo, e essa realidade distancia o futuro de prosperidade tão sonhado. A presidente Dilma Rousseff (mandato de 01/01/2011 até a atualidade), comandante em chefe do regimento de blindagem de Lula, seu antecessor e padrinho político, sabe perfeitamente que se as investigações avançarem baterão à porta do Palácio do Planalto e, inevitavelmente, Dilma poderá ser envolvida de alguma forma nos episódios, ainda que por cometimento de crime por omissão. Muito provavelmente teremos a reedição do filme “Eu não sabia”, na versão “Eu não sabia II”. É bom lembrar que Dilma Rousseff foi Ministra-chefe da Casa Civil do Brasil com mandato de 21 de junho de 2005 a 31 de março de 2010, cujo seu antecessor foi José Dirceu (cassado pela Câmara em dezembro de 2005). Antes de assumir a Casa Civil Dilma Rousseff era Ministra de Minas e Energia com mandato de 01 de janeiro de 2003 a 20 de junho de 2005. Como podemos observar, Dilma Rousseff está no governo federal desde o 1º dia do 1º mandato de Lula, o que nos leva a crer que ela sabe de muita coisa, por ter participado, visto e ouvido. Dilma Rousseff é a segunda “Caixa Preta” do PT e por essa razão usará a máquina pública federal e o que estiver ao seu alcance para “blindar” Lula. Os dois estão juntos nessa enroscada, diria a oposição. Um eleitor de plantão, calejado com a sucessão de escândalos políticos, perguntou com propriedade: “Será que as despesas com o almoço da dupla em Paris (Dilma e Lula) foram pagas com doações de campanha (Caixa 2) ou verba pública?”. Lula foi a Paris participar do “Fórum do Progresso Social – O Crescimento como Saída para a Crise”, evento político organizado pelo Instituto Lula e pela Fundação Jean-Jaures. Dilma Rousseff também estava na capital francesa, mas para uma visita oficial ao presidente François Hollande – os dois abriram o evento. Dilma e Lula almoçaram juntos no Hotel Bristol, em Paris, na tarde da segunda-feira, 10/12/2012. O prato servido, com certeza, não foi buchada de bode e a bebida passou longe de ser refresco de groselha. Deixemos que o TCU – Tribunal de Contas da União cuide disso. Agora, se as mordomias estão sendo bancadas pelos cofres públicos, também não é da nossa conta, aliás, nunca foi. “A política é a doutrina do possível” – Otto Von Bismarck. Possível não fazer absolutamente nada, não cumprir as promessas de campanha, não dar importância aos eleitores. “O problema não é você encontrar uma pessoa com ficha limpa, mas sim pessoas com a devida qualificação para ocupar essas funções” – Gilmar Mendes afirmou isso, mencionando que recentes escândalos envolvendo diretores de Agências Reguladoras, Paulo Vieira (Agência Nacional de Águas – ANA), e do seu irmão Rubens Vieira, diretor afastado da Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC, sugerem a necessidade de melhor seleção de pessoas para integrar esses cargos. “Até porque esses servidores todos eram ficha limpa até então, portanto, há necessidade de que a sabatina no Senado seja de fato efetiva e que haja seleção de pessoas realmente qualificadas, e não pessoas que integram grupamentos partidários e estejam a serviço desse tipo de causa”. Completou o Ministro Gilmar Mendes. O aparelhamento político de órgãos públicos tem causa e efeito – amealhar numerário público não é dever, é arte de ofício. Os eleitores brasileiros podem até votar em políticos desconhecidos, conhecidos, analfabetos, palhaços, humoristas, arrogantes, incompetentes, quadrúpedes, ignorantes, burros, sabidos, ricos, pobres, brancos, negros, ou de outros matizes, homens e mulheres, agora, votar em criminosos e ladrões, de sã consciência, eu acho que jamais votariam caso soubessem antes – a Lei da “Ficha Limpa” veio para ajudá-los. Que seja assim! O discernimento não é comum a todas as pessoas. Se o fosse a vida perderia a graça. Imaginemos todo mundo pensando da mesma forma… É. Não haveria diferenças. O questionar perderia o sentido e as discussões também perderiam. O denominador comum impossível de calcular. Pois bem, não estamos aqui para filosofar, até porque o fórum é outro, digamos que na sentina é mais apropriado. O analfabetismo funcional, subliminarmente trabalhado pelo sistema para que se dissemine com a velocidade da luz, é outro tipo de câncer que ataca a camada desprotegida da sociedade. Exaurimento, sodalício, agravoso, exasperação da pena, matéria jurisprudicional – termos comuns ouvidos nas sessões do STF; perguntemos os seus conceitos ao povo. Lula diria “Deixe comigo companheiro”. O tempo é implacável. A mão que bate é a que acaricia, e vice-versa. Falem mal, mas falem de mim, dessa forma Lula ganhou mais notoriedade. A culpa é minha, é sua, é de todos nós que afirmamos e dizemos aos mil ventos que somos brasileiros – orgulhosamente, ou não, é uma questão de foro íntimo –, porque cultuamos o absurdo, o bizarro, temos a faculdade de atrair a desgraça. A culpa é da mídia, da imprensa marrom, que dá espaço nos noticiários ao ex-metalúrgico de nove dedos, Luiz Inácio Lula da Silva. Estando vivo no processo comunicacional Lula continua vivo nas cabeças da maior parcela da população considerada, subliminarmente, massa de manobra, seja intelectual, cultural, como politicamente. Paremos, então, de falar demasiadamente daquilo que não presta, que não soma, que não nos faz bem, que não traz nenhum tipo de benefício. Quando se comenta exageradamente sobre alguém, essa pessoa passa a ter relevada importância no contexto social, e, estupidamente, a ela conferimos um status contrário à lógica. Tirei uma conclusão simplista do processo eleitoral brasileiro a ponto de sentir-me autorizado a dar uma sugestão aos eminentes legisladores. Como as campanhas políticas são grandes festivais carnavalescos de ricos enredos, que tal dá-las o mesmo tratamento dispensado ao Carnaval? Cada Partido Político seria considerado uma Escola de Samba; os estatutos já se parecem. Suntuosos desfiles aconteceriam na PSB – Passarela do Samba Brasil, que também poderia ser chamada de “Roubódromo”, “Políticadromo”, “Assaltódromo”, “Esgotódromo”, Lamódromo”, enfim, seja como for o nome de batismo, acho a ideia sensacional. Quando do julgamento das Escolas Políticas do Grupo “A”, na quarta-feira de cinzas, não nos esqueçamos de convidar o Jorge Perlingeiro para ler as notas, perdão, os votos. O cara da Nota 10, 10, 10. “Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada” – Otto Von Bismarck. Acordei neste domingo, 25 de novembro de 2012, com o propósito de me enfurnar na cozinha e preparar um suculento prato de bacalhau. Se não contei antes, digo agora, dou as minhas cacetadas na cozinha, de vez em quando, e costumo mudar o cardápio da patroa que não sai do trivial. Os garotos e suas namoradas gostam quando resolvo colocar avental. A louça a ser lavada eu deixo a critério deles, isso se o consumo de vinho e cerveja não ultrapassar trinta litros, no somatório. Porém, para não perder o hábito, cascavilhei os noticiários para me atualizar – no decorrer do dia tem sempre um abstêmio que gosta de fazer perguntas e eu gosto mais ainda se tenho as respostas. Ao ler o jornal O Estado de São Paulo (ESTADÃO conteúdo), em destaque a infeliz manchete “Dilma supera Lula em pesquisa espontânea”, fui obrigado a atrasar a confecção do prato português, tempo suficiente para tomar uma garrafa de vinho do Porto e escrever o que se segue. As pesquisas podem ser comparadas ao biquíni da mulher, mostram tudo, menos aquilo que a gente quer ver de fato. Manipuladas sabemos que são, igualmente os eleitores. A cada dois anos temos eleições no Brasil. Em 2.012 para o Executivo e Legislativo municipais (Prefeitos e Vereadores); em 2.014 para os Executivos Federal e Estadual (Presidente da República e Governadores) e também para os Legislativos Federal e Estadual (Senadores, Deputados Federais e Deputados Estaduais). Por que não fazemos uma eleição geral? A resposta é simples, não há interesse político. Nesse nosso complicadíssimo sistema político donde surge uma sopa de siglas partidárias, costuras das mais diversas e interesses escusos, os políticos precisam do maior número possível de pleitos para fortalecer alianças, dividir o bolo e tirar proveito em todos os sentidos. Donde se conclui que a propalada “Reforma Política”, nos moldes ideais, é conversa para boi dormir, mesmo porque a politiquice nacional estimula os seus praticantes a não largar o osso e a não permitir que novos porcos frequentem a chafurda. Vamos falar exclusivamente na Presidência da República – os demais cargos eletivos seguem o mesmo conceito. O presidente é eleito para um mandato de quatro anos, pois bem, no primeiro ano de governo, dedica-se a acomodações das funções e procura descobrir o que o seu antecessor fez ou deixou de fazer, procurando argumentos para justificar incompetências de gestão; perde o segundo ano de governo porque se envolve indevidamente com as eleições municipais (veja o caso de Dilma Rousseff em 2012, sobretudo com a campanha de Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo); no terceiro ano de governo administra conflitos criados pelos partidos aliados para a troca do ministério e mudanças de cabeças nas estatais estratégicas para a prática continuada de corrupção; no quarto, e último ano de governo, entrega-se de corpo e alma à campanha para a sua reeleição. Então, nesses quatro anos a única coisa que fez, em ‘continuidade delitiva’, foi fisiologismos em escala matemática, principalmente  no Congresso Nacional. Em resumo, não faz porra nenhuma em benefício do país e do povo. Isso sem contar, é claro, com a agenda de viagens internacionais a turismo (com dinheiro público) e outras benesses do cargo, como viagens para compras pessoais com o uso de cartões corporativos, internações em hospitais de ponta e excelência para check-up (Hospital Israelita Albert Einstein). Qualquer demanda, demanda sacrifícios. Lula fez a “Revolução das Ignorâncias”; por isso, o Partido dos Trabalhadores insiste em estimular revoltas sociais em defesa dos seus notáveis membros, réus condenados no Mensalão. Se você dá muita importância à ignorância ela sentir-se-á importante. Ignore-a.

“Existem várias formas de fazer política. Até dois anos atrás, fiz política através de processos eleitorais democráticos. […] Encerrados dois mandatos eletivos de presidente, continuo a fazer política porque tenho uma crença profunda na humanidade. […] Meu papel político, agora, é pregar que o desenvolvimento de um país deve representar a prosperidade de todos seus cidadãos”.

Lula

“É uma mentira. […] As declarações de Marcos Valério são fantasiosas. […] Estou tranquilo. Não há comentários”.

Lula

“Nós repelimos essa campanha de calúnia que está sendo veiculada na mídia. Uma pessoa como o ex-presidente Lula, que mudou a face do Brasil, que ajudou a tirar milhões de pessoas da miséria, que reforçou a nossa democracia, é atacado agora por uma pessoa que está condenada, que não tem nenhuma credibilidade e calunia o nosso presidente”.

Presidente do PT, deputado estadual / SP – Rui Falcão.

“Eu não vou tolerar a corrupção, e meu governo também não. […] Todos aqueles que utilizam dinheiro público devem prestar contas, caso contrário, a corrupção se espalha. […] O Ministério Público é independente, a Polícia Federal investiga, prende e pune. […] Eu rejeito todas as tentativas, ele (Marcos Valério) não é o primeiro a manchar o imenso respeito que o povo do Brasil tem pelo presidente Lula. […] Se houver suspeitas confirmadas, a pessoa deve sair. Claro que não se deve confundir as investigações com a caça às bruxas próprias dos regimes autoritários ou de exceção. Para ser candidato à eleição, os brasileiros devem cumprir a lei de registro criminal (Ficha Limpa), eles não podem ter sido condenados”.

Dilma Rousseff

“Todos sabem do meu respeito e da minha amizade pelo presidente Lula. Então, eu repudio todas as tentativas, e essa não seria a primeira vez, de tentar destituí-lo da sua imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem. Respeito porque o presidente Lula foi o presidente que desenvolveu o país e é responsável pela distribuição de renda mais expressiva dos últimos anos, pelo que fez internacionalmente, por sua extrema amizade pela África, por seu olhar para a América Latina e pelo estabelecimento de relações iguais com os países desenvolvidos do mundo. […] Eu acredito que essa é uma questão que devo responder no Brasil, mas não poderia deixar de assinalar que eu considero lamentáveis essas tentativas de desgastar a imagem do presidente Lula. Acho lamentável”.

Dilma Rousseff

“Não faço prejulgamento do presidente Lula. O que é estranho é que não tenha feito aquilo que qualquer cidadão faria, que é se explicar e vir a público. […] A Procuradoria tem tido uma atitude independente, altiva e corajosa, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) comprovou a existência do Mensalão e do uso de recursos públicos para um projeto de eternizar um grupo político no poder”.

Senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Não existe futuro sem passado, o presente é questionável. Quando os seres humanos se derem conta que habitam um planeta que é uma “fazenda de almas”, talvez algo mude no processo de criação, sem isso, nada tem a relativa importância.

Leitura recomendada, clique aqui > Livro Polítitica

Augusto Avlis

Anúncios

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 152 outros seguidores

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: