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Naturismo

XIII CONGRENAT – 2013 / Praia de Barra Seca

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Evento realizado na Praia de Barra Seca, município de Linhares, Espírito Santo, de quinta-feira (28) a domingo, 31 de março de 2013. Chegamos, eu e esposa, no sábado, dia 23, com a antecedência de 05 dias, sem lenço, com documentos e trajando a roupa do corpo. Roupas de banho e cama são indispensáveis. Nas bolsas, espaço suficiente para acomodar souvenires, agraciados ou comprados no local do evento naturista. Ajudamos nas tarefas que nos foram confiadas. A atmosfera festiva invadiu o espaço naturista, tanto no Condomínio quanto na praia. Por questões de obediência ao Código de Ética, os detalhes ficam reservados aos participantes – só quem esteve “presente ativamente”, ou marcou território, tem uma noção exata dos acontecimentos. Sem filmagens, sem sequência de fotos e sem gravações textuais. Essas são algumas regras, entre outras, seguidas à risca pelos naturistas.

O formato da janela não muda o visual, mas, dependendo de quem esteja debruçado nela, os contornos que a natureza nos oferece, estes sim, podem sofrer alterações significativas. A percepção que os indivíduos têm do mundo exterior comumente esbarra no muro das contradições – a consciência das coisas passa a ser mutável, de igual modo a visão filosófica do contexto se afasta da razoabilidade. O NU é visto sob vários ângulos. Por cultura determinada, construímos conceitos vários, aos quais nos agarramos por conveniência explícita, de sorte que não abrimos mão das nossas convicções, ainda que o grupo social, do qual fazemos parte, tente de alguma forma nos impor regras comportamentais, independentemente da sua ordenação lógica. É dessa maneira que pensa boa parcela da sociedade dita organizada e politicamente correta segundo seus valores. Dúvidas antecedem importantes tomadas de decisões. Lembre-se disso. Os naturistas sabem do que estou falando, até porque deles provém a materialidade da filosofia pregada.

Ora, se me considero parte integrante da natureza, as estações do ano pouco importam porque eu sou o próprio tempo, manifestado na alma. A sensação de frio, a mais sentida, por exemplo, não deveria exercer uma influência direta na prática naturista. Se eu sinto frio, então procuro um local apropriado para me aconchegar, porém, sem roupa –, assim como sempre buscamos abrigo nas horas de chuva. Respeitando as divergências, os que pensam em sentido contrário, deixo este recado como tema para reflexões. Não existe a mínima possibilidade do indivíduo se considerar “Naturista” apenas em períodos de verão, quando na verdade o astro que deveria brilhar é o sol interior. As áreas naturistas são ambientes sagrados, verdadeiros templos de contemplação, portanto, obedeçamos ao enunciado na placa de aviso: “Tire as roupas”. Preceito este repudiado não só pela “sociedade têxtil”, como, também, pela hipocrisia dos humanos que se julgam normais dentro da imoralidade das suas ações corriqueiras. Fato consumado. Outro aspecto importante, digno de registro, refere-se à convivência pacífica do “grupo tradicional” com os desacompanhados, aceitos com apreço e carinho no meio dos “acompanhados não tradicionais”. Por que isso não vira prática comum fora de épocas festivas?

A prevalência das atitudes é forjada com boa têmpera. Precisamos dar convenientes exemplos de práticas naturistas e dessa forma conquistar novos adeptos que, certamente, necessitarão de referências. Aliás, muito embora destaque algumas ações pontuais, faltou aquela “recepção básica” para os novatos, que se sentiram, sobremodo, constrangidos na presença de tantos corpos cobertos, ainda que na parcialidade. Como promover o seu engajamento à causa? Perdemos uma excelente oportunidade para a eles dirigir mensagem específica, falando um pouco da filosofia naturista, sem “requintes de superficialidades”. Nesse particular, quantificá-los ficou tarefa difícil na medida em que não foram identificados como deveriam por ‘dever de ofício’. Os “calouros naturistas” viraram paisagem distante e com sorte entraram na estatística de público flutuante. O aprendizado é contínuo; em certas matérias não há diplomação, só experiência acumulada e um preço a pagar. A Escola de Naturismo precisa modernizar os seus conceitos.

A essência não se comenta, sente-se. “Ser” e “Estar”. Dois verbos, duas ações, que se separam e perpassam pelos limites do tempo e espaço. A compreensão racional é tangida pela autodescoberta. Libertar-se dos convencionalismos, romper barreiras inimagináveis, arquivar momentaneamente regras ditadas pela indústria cultural, a princípio podem parecer coisas impossíveis de se fazer, todavia, quando há predisposição, sobretudo de acabar com os terríveis preconceitos, aí veremos naturalidade em tudo. Pondo-se a descoberto você sentir-se-á igual aos seus iguais; despindo-se das agruras e tormentos provavelmente encontrará uma outra pessoa dentro de você – este é o começo de uma longa estrada, que desembocará numa inevitável bifurcação: o “Ser naturista” (manifestação da alma) ou o “Estar naturista” (exposição da carne). São situações distintas, portanto, a escolha é sua, somente sua, caso queira embarcar nessa viagem maravilhosa rumo ao reencontro consigo mesmo.

Assista, abaixo, à matéria veiculada na TV Gazeta / ES – 2ª Edição.

http://g1.globo.com/videos/espirito-santo/t/estv-2a-edicao/v/congresso-de-naturistas-comeca-nesta-quinta-feira-em-linhares-es/2486681/

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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