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Consultoria & Marketing

Dia Internacional do Consumidor

consumidorDias comemorativos são simbólicos. Datas há que deveriam ser comemoradas todos os dias, como o Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia da Criança, Dia Mundial da Paz, entre tantos. Outras datas há que, no meu sentir, deveriam ser esquecidas, como o Dia dos Mortos, Dia da Sogra (?!) – esse eu sei, 28 de abril. A propósito, sempre achamos que a melhor sogra do mundo é a nossa mãe, por isso, ela merece mais um presente no ano. Viram? Estamos falando em comprar presente, isso é consumo.

Nada melhor neste dia 15 de março que recontar uma história verdadeiramente pitoresca, garimpada nesse ímpar e magnífico mercado brasileiro. Essa inusitada história se transformou em um artigo que escrevi, como colaborador, para o jornal A GAZETA. Leiam.

Vitória (ES), quinta-feira, 30 de junho de 2005.

A indústria do troco

A indústria do troco errado se formalizou pelo país afora – já está institucionalizada. A esmagadora maioria dos estabelecimentos comerciais adota esta prática sem pudor algum. Antes, o comércio, de um modo geral, dava balas aos clientes como complementação do troco, mas hoje, nem muito obrigado. O roubo dos nossos preciosos centavos acontece a cada compra que fazemos. Deixamos quatro centavos no supermercado, três centavos na padaria, dois centavos no açougue, cinco na quitanda, dez na feira, vinte no boteco, quinze no ônibus, enfim, nos acostumamos a receber o troco a menor, quase sempre. Isto é roubo? Pode ser considerado como tal, porém, com o nosso consentimento.

Fazendo as contas, em média, um consumidor normal perde, por dia, vinte centavos. Se multiplicarmos pelos 30 dias do mês este valor sobe para R$ 6,00 que, multiplicado por 12 meses, a perda atinge R$ 72,00 no ano. Lá se vai o bacalhau do Natal; a caixa de charutos do chefe; o despacho de macumba pra matar a sogra, enfim, o presente da empregada como suborno para que fique calada. Pois é, dia desses, briguei pelos meus quatro centavos no check-out de um famoso supermercado e parei a fila por quinze minutos. Seria pouco dinheiro para tanto tempo perdido? Garanto que não; pelo fato do problema ter um lado conceitual. Se multiplicarmos R$ 0,04 por 3.000 clientes que, na média diária, compram naquela loja de varejo, teremos um total de R$ 120,00 de “roubo” por dia, perdão, apropriação indébita. Por mês, este valor sobe para R$ 3.600,00 e, por ano, atinge a casa dos R$ 43.200,00. Veja que estou me referindo apenas a uma loja, portanto, se for uma rede com 10 lojas, esse valor chega a R$ 432.000,00. Ora, se dentre as 10 lojas tiver um Hiper, então a coisa pode passar dos R$ 500 mil. Na prática funciona como as pesquisas eleitorais, o resultado pode variar 03 pontos percentuais para mais ou para menos, o que não faz diferença alguma no contexto.

O quê será que o supermercado faz com todo esse dinheiro não contabilizado e, portanto, não tributado? Essa de dizer que os clientes também recebem o troco a maior é desculpa pra boi dormir, até porque, pelas observações que tenho feito no mercado, os consumidores acabam sempre perdendo. Se você observar bem, constatará que a quase totalidade dos produtos disponibilizados no varejo tem os preços de venda quebrados, estratégia utilizada pelo comércio para, digamos, “dificultar o troco”. Coloquei as quatro moedinhas de R$ 0,01 no bolso, peguei as cinco sacolas de compras e segui o meu caminho de volta pra casa. Pedi desculpas a quem estava na fila. O gerente do supermercado se escondeu e os seguranças me seguiram com os olhos. Chegando a casa me deparei com o meu gato de estimação morto no último degrau da escada. Essa é outra história para contar.

Augusto Avlis é jornalista.

Quatro anos mais tarde assisti à matéria da BAND NEWS publicada em julho de 2009, que trata do mesmo assunto. Assista ao vídeo abaixo, bastando clicar no Link.

http://mais.uol.com.br/view/286386

indice

O consumidor é a razão das empresas existirem, por isso, sempre avalie o atendimento dispensado a você, “sobre” todos os aspectos – para avaliar, você, necessariamente, tem que se posicionar “acima” com uma visão de vôo de helicóptero. Mecanismos há para o exercício dessas avaliações, de modo que atribuir notas e graus de satisfação é procedimento extremamente importante nas relações de consumo, ainda que os consumidores ditem as leis do mercado, independentemente de níveis de satisfação. Nas duas pontas do processo, vendedor e comprador, um detém a oferta do produto e o outro a posse do dinheiro. Nessa troca direta deve haver o equilíbrio de forças para que o prato da balança não tenda para um só lado. Na percepção geral, todos devem ter a sensação que saíram ganhando alguma coisa. Lembre-se de que o mundo em que vivemos é dividido em duas partes distintas, ou seja, um lado vendedor e um lado comprador, de sorte que estamos o tempo todo vendendo ou comprando algo, e mudamos de lado constantemente, alternamos as posições de acordo com as necessidades, sejam primárias ou não. Sempre quando posso eu ratifico este comentário.

Concluindo, observe que no parágrafo anterior estava tentando “vender” uma ideia a você, e agora farei isso de novo, e você, como consumidor, decidirá se “comprar” ou não. Fique ligado, porque alguém pode estar querendo enganar você. Conheça os seus direitos, tenha o Código de Defesa do Consumidor (Lei Federal Nº 8078, de 11 de setembro de 1990, que dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências) como livro de cabeceira, leia-o e mate as suas dúvidas; faça-se respeitar e boas compras, ou boas vendas.

Frase do dia:

“O consumo consciente é a mola-mestra para o desenvolvimento sustentável”.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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