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Política

A ficha não caiu!

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Tem certas coisas que acontecem que a gente fica sem entender direito e nos perguntamos repetidamente por quê. A volta triunfal do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência do Senado Federal é uma delas. Muito embora, para muitos, esta matéria faz parte de jornal velho, para mim não está totalmente esclarecida porque no desenrolar dos acontecimentos há risco do pintor misturar as tintas erradas e estragar a pintura da casa, cujo custo bancado pelo povo brasileiro, além das despesas adicionais aprovadas em caráter emergencial. Condenar alguém baseado na presunção de culpabilidade é ação repugnada pelo Direito Penal; conceito que não se aplica na discussão. Na perspectiva da imoralidade, a ocupação de cargo público, sobretudo de presidente do Senado Federal, em meio a graves acusações com destacada materialidade, é um verdadeiro acinte, uma deliberada provocação aos cidadãos desse país.

Quem assistiu à sessão do Senado Federal, desta última sexta-feira, 1º de fevereiro de 2013, destinada à eleição do novo presidente da Casa e da sua Mesa Diretora, sentiu uma sensação de impotência, não podia fazer absolutamente nada para evitar o pior, senão testemunhar um desserviço ao Brasil, em caráter de oficialidade (não por princípio), cometido por políticos eleitos pelo voto direto. O trigo ficou muito longe de ser separado do joio – este comprovou ser majoritário. O resultado final obtido pelos 56 senadores (69%) que votaram ‘secretamente’ em Renan Calheiros (PMDB-AL), elegendo-o, foi ferir de morte os interesses públicos, macular a ética, a moral e o Estado Democrático de Direito. Sai fortalecido o corporativismo lesivo que representará legalmente o “comprometido” sistema de poder reinante. A permanecer no poder daquela Casa Legislativa, Renan Calheiros, e a sua patota, tomarão decisões que afetarão o andamento dos trabalhos administrativos, no que tange, principalmente, à instauração de processos em desfavor do Executivo – o arquivamento de denúncias contra parlamentares da base aliada é dado como certo.

O governo federal continuará pagando um preço muito alto ao seu maior e mais importante aliado, PMDB. O Partido do Movimento Democrático Brasileiro é o maior partido político do Brasil, possui cerca de 2,4 milhões de filiados, que, até hoje, não conseguiram ajudá-lo a eleger um Presidente da República através do voto direto. Acredito que este é o objetivo do PMDB, não entrar diretamente na disputa presidencial com candidato próprio, e cobrar um pedágio caro pelo seu apoio ao partido com chances de vitória nas urnas. Deixou de “comer pelas beiradas” e agora vai direto ao centro do prato. O PMDB é uma espécie de bosta n’água, navega de acordo com a maré, tirando proveito das ondas. O governo federal, não muito chegado à transparência, torna-se refém e fica nas mãos de outros partidos políticos que habilmente grudam nas costas do PMDB como carrapatos de boi, na expectativa de lamber o prato. Desta forma, no sistema do “toma lá dá cá”, cria-se a base podre de sustentação política nas Casas de Leis, apoio indispensável para o governo aprovar projetos de “seu interesse”, e o resultado disso tudo todos nós sabemos.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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