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Política

O senador dos 18 votos

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Pedro Taques

Heróis da resistência. Coisa do passado? Talvez. Quando alguém reagia, fazendo oposição à vontade de outrem, obtia resultados. Hoje, é muito comum as pessoas aceitarem a submissão e obedecerem sem resistência. Covardia? Não. Apenas acomodação. A sociedade aprendeu a fugir de embates diretos porque entendeu que não terá o engajamento necessário à obtenção da vitória, ainda que parcial. Isso é um fato. Cada indivíduo olhando para o seu próprio umbigo e arquitetando planos para levar algum tipo de vantagem das situações criadas. Danem-se os outros e a ordem do dia é ficar na defensiva, sempre, sem buscar pontos de apoio para não se comprometer – as trincheiras são individuais. Então, como reagir a uma ação indesejável quando se está sozinho? A saída é “deixar quieto”. Em todos os ramos da atividade humana este conceito se aplica, com maior ou menor intensidade. Perdemos a aptidão para queixas; suportamos porrada com passividade porque nos qualificamos seres comuns na superioridade, egoístas por conveniência, autossuficientes, sem saber que nos tornamos “órfãos do patriotismo”, portanto, a vergonha na cara não mais faz parte dos nossos sentimentos. Qualquer movimento que se faça perde o sentido e se desfaz como flocos de neve. A política brasileira está impregnada de cânceres incuráveis, a exemplo. O que temos feito? Nada. O governo nos tirou a esperança, os seus programas são um engodo, a educação falácia, um prato de comida migalhas para os pombos. O que resta? Resistência passiva, isolada, de um cara chamado Pedro Taques, que fez um belíssimo discurso pras pirâmides tupiniquins, diretamente do plenário do Senado Federal, no fatídico dia da eleição para presidente daquela “Casa de Leis”. Quem sabe, um dia, seja reconhecido pela sua obstinação, ou se canse, e volte para a sua trincheira, com o cuidado de verificar se a escavação feita no solo o salve de um tiro disparado pelo inimigo desconhecido.

José Pedro Gonçalves Taques, Senador por Mato Grosso (PDT), eleito com 708.402 votos. Cumpre o seu primeiro mandato, cuja posse foi em 1º de fevereiro de 2011 – até a atualidade. Concorreu ao cargo de Presidente do Senado Federal na última sexta-feira, dia 01 de fevereiro de 2013, obtendo 18 votos (23%), dos 78 consignados na urna, secretamente. Foi derrotado pelo seu opositor, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), eleito com 56 votos. Pedro Taques licenciou-se do Ministério Público em 2010 para se filiar ao PDT e assim disputar uma vaga no Senado Federal, das duas destinadas ao Estado de Mato Grosso. Como Procurador da República, especializou-se no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro. De sã consciência, qual o governo corrupto e quais políticos abjetos que gostariam de ter um homem desses na presidência do Senado Federal? Não preciso responder. A resposta é clara, como foi claro o discurso proferido por Pedro Taques antes da votação. Infelizmente, em meio ao silêncio emanado pela covardia, não teve a ressonância desejada. O seu teor foi confundido com declamações poéticas.

O número de assinaturas digitais (abaixo-assinado feito na Internet), contra a candidatura do senador Renan Calheiros à presidência do Senado Federal, passou dos 300 mil. Ao assinar a petição eletrônica, online, o cidadão pedia aos parlamentares que votassem em um nome considerado “ficha limpa”, com condições morais para ocupar cargo tão importante no cenário da política nacional. Entretanto, tal número expressivo de assinaturas não sensibilizou os 55 senadores que votaram com Renan Calheiros, cujo voto próprio completa 56. Foi uma derrota anunciada para Pedro Taques, um principiante na política, tendo que enfrentar um gigantesco desafio, talvez o maior vivido por ele até hoje. Fica a lição, referência do aprendizado. Algum político do bem já deve ter dito a Pedro Taques que para caminhar no terreno da política, além de pedir licença aos caciques, o andarilho tem que necessariamente pisar em mato molhado para não espantar a caça. Outras regras da boa convivência política devem ser observadas: boca fechada não entra mosca, além do mais as paredes têm ouvido; adule, lisonjeie quem está no poder, seja servil; não traga suas galinhas para junto das raposas; sempre divida os ganhos; não faça promessas; saiba usar o povo nas eleições; resigne-se se escolhido para rituais de imolações. Outro ponto extremamente importante: para entrar na fraternidade exige-se pacto com o Diabo, só assim você se reelege.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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