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Fatos em Foco, Política

Risco de “Apagão”…

tituloO cartunista Alpino sempre me surpreendendo com suas magníficas criações. A representação gráfica da presidente Dilma Rousseff está perfeita, a começar pela blusa vermelha, cor do PT, inseparável, que não deve tirá-la nem na hora do banho noturno. No tocante ao resto, questão de unanimidade, consideramos que ela fica mais bonita no escuro total. Podem votar. Depois que vi este cartum, pensei em consultar um amigo, Engenheiro Elétrico, sobre os repetidos apagões verificados no território nacional, em função da sua larga experiência em geração, transmissão e distribuição de energia nos setores de hidrelétrica, subestações e termoelétrica. Prometi manter em sigilo o nome do meu amigo que me enviou o e-mail por ética profissional – o jornalista não revela a fonte, exceto quem assinou a matéria. Além disso, ele, o meu amigo, trabalha numa estatal do setor energético e é apolítico confesso, mas, revelou que a politização das atividades vitais para o país tem causado enormes prejuízos cuja recuperação da normalidade por vezes demanda longo prazo. Abaixo, reproduzo integralmente o texto que recebi por e-mail. As conclusões não são difíceis de serem tomadas, dispensando comentários adicionais.

Os “funcionários” do PT na CHESF

Meus caros amigos,

Fui engenheiro da CHESF – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco por mais de 20 anos, onde exerci cerca de seis cargos comissionados e designado pela empresa fiz vários cursos de extensão e pós-graduação, sempre dentro do espírito de ficar preparado para tudo, inclusive para esses casos de apagão, que na minha época eram muito piores que hoje, pois, o sistema era totalmente radial e não interligado como ocorre. Cada apagão, que nós chamamos tecnicamente de desligamento acidental, principalmente quando ocorria em linhas de transmissão, sistema pelo qual respondi pelo comando durante vários anos, exigia de nós, os técnicos, o máximo de esforço criativo para torná-lo menos desconfortável para a população. O sistema sendo radial, somente perdíamos o trecho desligado, nunca ocorrendo os desligamentos em cascata como hoje ocorrem.

Assim, se tínhamos uma ou mais linhas de transmissão paralelas, a população nada sentia, quando havia apenas uma linha de interligação alimentando um centro de carga, este ficava desligado até a recuperação da linha. A interligação do sistema elétrico nacional, onde um elétron gerado em Itaipu pode energizar Belém do Pará, tem como desvantagem o desequilíbrio de cargas quando se perde apenas uma linha do sistema que geralmente está energizada em carga máxima, e a sua perda tem gerado esses apagões por efeitos cascatas que ocorrem por indesejáveis assincronismos da proteção elétrica do sistema (leia-se relés). Lamentavelmente, acho que até a presidente está sendo enganada com essas desculpas dadas pelos gestores do ONS, pois, toda a culpa dos apagões é jogada nas linhas de transmissão, sempre em desfavor das descargas atmosféricas, acusadas como grandes vilãs.

Fui engenheiro anos e anos de manutenção e operação de linhas de transmissão, quando as linhas mais antigas não tinham os dimensionamentos tão bem estruturados como hoje, no caso da CHESF, somente tínhamos cabos para-raios nos dez primeiros quilômetros antes e depois das subestações, logo, quilômetros e quilômetros de linhas ficavam sem proteção para descargas, pois, considerava-se, com base em estudos da EDF (Eletricité de France, Consultora da CHESF à época), que as descargas atmosféricas, sendo ondas de tensão viajantes, seriam dissipadas ao longo das linhas, ocorrendo perigo somente nos dez primeiros e últimos quilômetros, quando eram amortecidas pelos chamados cabos para-raios. Hoje, as linhas “acusadas” de serem desligadas por descargas atmosféricas são superdimensionadas para esses eventos, razão pela qual, é estranhável que sejam causas francas de apagões.

Quando engenheiro dessa área na CHESF, sempre dizia que caso não fosse localizado o defeito real que ocasionou o desligamento, era muito fácil acusar as descargas como as vilãs. Mandávamos equipes inteiras inspecionar, torre a torre, as linhas de transmissão que se desligaram, suas ferragens e cabos para-raios para verificar se havia indícios de descargas, além de confrontar a região com os índices de descargas atmosféricas ocorridos no período em que aconteceu o fato. Trocando em miúdos, a possibilidade de uma descarga atmosférica é probabilisticamente inexpressiva, e, caso isso venha a acontecer, o sistema deve ter a sua coordenação de proteção minimamente seletiva para isolar a linha e acionar alternativa que impeça o chamado efeito cascata. O resto é conversa para enganar a sociedade.

Ocorre hoje, é que o nosso Setor Elétrico está sendo administrado politicamente. No caso da CHESF, o Diretor de Operações passou anos como especialista em previdência privada, e por ser militante do PT, foi guindado ao cargo. Antes dele todos os demais diretores de operação eram engenheiros formados no sistema operacional da empresa, e, poderiam até haver nomeações políticas, porém, o indicado teria que possuir um Curriculum Vitae compatível com o cargo a exercer. Além do mais, há gerentes regionais e setoriais de operação que foram nomeados com base em currículos políticos, e não por terem uma história técnica na empresa.

E mais ainda, todos os diretores da empresa são indicações exclusivamente políticas, Presidente e Diretor Financeiro (PSB), Diretor de Engenharia e Diretor de Operação (PT), Diretor Administrativo (PMDB).

Operação de sistema elétrico, por mais simples que ele seja, tem que ser comandada por técnicos preparados e experientes, pois, é a área mais importante da empresa por ser ligada diretamente ao bem estar e à segurança da sociedade.

Se esses fatos de despreparo narrados são realidades, mesmo que minoradas, estamos todos num mato sem cachorro, pois, as dúvidas, desencontros e desinformações ocorridas são totalmente inconcebíveis e caóticas indo na contramão das necessidades exigidas pela magnitude do sistema elétrico nacional. Mesmo sem ter sido chamado, espero ter esclarecido algo mais a respeito desse momentoso assunto.

Engº Iêdo Moroni.

Em 24/12/2012 (09h02min).

O drama de quem não entende nada de coisa alguma!

A ANEEL divulgou diálogos havidos, quando do apagão acontecido no Nordeste
em fevereiro passado, quando 08 Estados ficaram no escuro por horas. Nos
minutos seguintes ao blecaute os “técnicos” batiam cabeça sem saber o que
fazer para religar a subestação. A fechadura de um portão emperrou e tiveram
de quebrá-la para acessar os disjuntores. Os plantonistas de uma subestação
desconheciam os procedimentos de religação e foram em busca do manual de
instruções. Quando o abastecimento de toda a região Nordeste dependia apenas
da abertura de uma chave, os “técnicos” estavam envolvidos numa ferrenha
discussão se abriam ou fechavam a dita cuja. Lourinaldo Teles Bezerra (Osasco / SP).

Em 24/12/2012 (09h04min).

O drama de quem não entende nada de coisa alguma II.

“Tá dependendo tudo, tem risco até de inundação na usina IV, tem que
fechar”, era a resposta do centro operacional. Duas horas depois do início
do “apagão”, o Centro Regional de Operações (CROP) da Companhia Hidro Elétrica
do São Francisco (CHESF) questionou o técnico da subestação de Sobradinho
se havia por lá uma “mesa de sincronismo”. A resposta: “Funciona não… Vou
chamar um rapaz para ver se liga ela, muitos anos sem ligar, viu, chamo você
depois”. Isso foi no Nordeste, mas a desgraça espalhou-se por todo o Brasil,
com as nomeações de petistas despreparados para assumir funções chaves
dentro de um setor que exige capacitação técnica de primeira qualidade.
Afinal, desse setor depende o funcionamento do País.

O drama de quem não entende nada de coisa alguma III.

Dilma Rousseff foi à TV e disse que o defeito tinha sido numa placa
eletrônica. Relatório a respeito dessa placa diz que ela deveria ter sido
substituída há quatro anos. Responsável pela fiscalização das
concessionárias, a ANEEL não verificou se o equipamento fora efetivamente
trocado. Tampouco sabia que duas usinas não tinham a máquina para
religamento automático, para casos como aquele. Segundo a ANEEL, “as equipes
disponibilizaram a LT 500 KV Luiz Gonzaga-Sobradinho, sem, no entanto,
retirar o bloqueio da linha, impossibilitando a reintegração da linha à
operação, atrasando o restabelecimento do sistema”. Conheço a CHESF há mais
de 50 anos e nunca vi nada parecido. Graças a Lula sua desorganização é
total depois que ele mexeu os pauzinhos.

Outros casos que corroboram a teoria acima: Na noite da quinta-feira, dia 25 de outubro de 2012, moradores de 09 Estados da região Nordeste, além de parte dos Estados de Tocantins e do Pará, ficaram sem energia. A Bahia foi um dos Estados mais afetados, sendo que os 417 municípios ficaram totalmente sem energia por cerca de 3 horas, de acordo informações prestadas pela Assessoria da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (COELBA). “Todas as cargas da COELBA, de todos os consumidores na Bahia estão desligadas. A Bahia inteira está sem luz”. No mês de setembro de 2012 uma pane ocorrida em um transformador deixou 06 Estados da região Nordeste (Maranhão, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Bahia) totalmente sem luz, segundo informação prestada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável pelo Sistema Interligado Nacional. O apagão durou cerca de 30 minutos e aconteceu numa tarde de sábado, dia 22/09/2012. Conforme se verifica, o jargão do governo federal “Luz para todos” só tem colocado os brasileiros nas trevas.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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