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Política

Julgamento do Mensalão – Expressão do medo!

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MarcosValerioMarcos Valério Fernandes de Souza, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a uma pena total de reclusão de 40 anos, 01 mês e 06 dias, em regime fechado, cometeu uma série de erros fatais, imperdoáveis. O primeiro deles foi em 2005 por ocasião da CPMI dos Correios. Em seu depoimento perdeu uma excelente e ímpar oportunidade de botar a boca no trombone e entregar a quem de direito, e em foro apropriado, o esquema criminoso do Mensalão e seus partícipes. Quais os verdadeiros motivos pelos quais não o fez, somente ele e os seus algozes políticos, que o perseguem até hoje, sabem. A postura e, sobretudo, o seu olhar fixo no nada, denunciaram que, já naquele momento da CPMI dos Correios, recebera ameaça de morte caso revelasse o que não deveria. O pacto de silêncio tem cheiro de enxofre. Entrando no túnel do tempo, veja, abaixo, o depoimento de Marcos Valério.

O ex-empresário, considerado o operador do Mensalão, prestou novo depoimento no dia 24 de setembro de 2012 à Procuradoria-Geral da República, revelando novos fatos ao processo, na tentativa de conseguir o benefício da delação premiada, e com isso obter da Justiça a diminuição da pena de 1/3 a 2/3; uma vez condenado ter o cumprimento da pena em regime semiaberto; probabilidade da extinção da pena; ser agraciado com o perdão judicial; proteção de vida / integridade física. O timing estava errado (segundo erro), e o seu advogado, o criminalista Marcelo Leonardo, deveria tê-lo alertado, uma vez que tal depoimento deveria ter sido dado logo no início do julgamento da Ação Penal nº 470, portanto, bem antes da sua condenação e decretação da dosimetria da pena. A interpretação jurídica seria outra. A cronologia detalhada de um processo qualquer exige muito mais do que simples retórica. Provas materiais reforçam teses, são inquestionáveis e revelam os demais culpados. Não há o que se discutir. Marcos Valério atirou no que achou que viu e acertou o tiro na caça errada. O depoimento de Marcos Valério à PGR vazou para a imprensa, na sua integralidade, tendo o jornal ‘O Estado de São Paulo’ acesso ao mesmo, cuja reportagem de três páginas foi o principal assunto da edição da terça-feira, 11/12/2012.

Muito embora o depoimento de Marcos Valério tenha certo peso jurídico – assinado pelo seu advogado Marcelo Leonardo, pela procuradora da República Raquel Branquinho e pela subprocuradora da República Cláudia Sampaio –, faltou a revelação de uma prova concreta e contundente. Se o texto vazou para a imprensa, que denota jogo de palavras e interpretações dúbias, divulgar uma prova documental faria “a diferença”, o que obrigaria o Ministério Público Federal a tomar as providências cabíveis. Nessa perspectiva, a opinião pública não ficaria tão dividida e cobraria as investigações seguidas de punições exemplares. O que se passa nos subterrâneos do poder somente quem o detém tem conhecimento. As provas existem e estão nas mãos do MPF e o que fará com elas é segredo de Estado.

Marcos Valério está numa encruzilhada, só tem duas saídas, suicidar-se ou ficar parado onde está e aguardar que alguém lhe dê um tiro na cabeça. O terceiro erro capital de Marcos Valério foi não ter produzido um dossiê e o colocado na mão de um senador que tenha participado da CPMI dos Correios como, por exemplo, Álvaro Dias. O quarto erro foi ter se posicionado o tempo todo como vítima de um sistema político corrupto e por isso acreditar na indulgência da Justiça. O Partido dos Trabalhadores o vê como um homem-bomba que está prestes a explodir levando muita gente junto com ele para o Inferno. Marcos Valério é um arquivo vivo, sabe como montar o quebra-cabeça do Mensalão, por isso tem medo de morrer de uma hora pra outra e sabe perfeitamente que o “elemento surpresa” não manda aviso prévio. O atual presidente do PTB, Roberto Jefferson, em 2005 foi o homem-bomba da vez quando abriu aquela sua bocona e entregou de bandeja o esquema criminoso do Mensalão – naquela altura teve muita sorte porque levou apenas um soco no olho; se não tivesse dito que Lula era inocente, a coisa poderia ter sido muito pior.

“Tem gente no PT que acha que a gente devia matar você. Ou você se comporta, ou você morre”.

Teria dito Paulo Okamotto, diretor do Instituto Lula, a Marcos Valério.

“Fui literalmente ameaçado por Okamotto. Se abrisse a boca, morreria”.

Marcos Valério, no depoimento à Procuradoria-Geral da República, setembro/2012.

Quem está comprometido com o sistema corrupto jamais dará qualquer tipo de informação que venha servir de prova incriminatória, portanto, a imprensa deve procurar não mais entrevistar determinadas pessoas, sobretudo ligadas ao mundo político da situação, para não perder um tempo precioso, que poderia estar sendo utilizado no jornalismo investigativo. Não preciso ler romances policiais para chegar a esta conclusão.

Leitura recomendada (clique em): Livro Polítitica

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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