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Crônicas Aforísticas

Carta de Papai Noel

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Nessa época do ano eu recebo milhões de cartas escritas por crianças de todo o mundo, e dentro do possível procuro atender aos seus pedidos, que vão desde o mais simples brinquedo até presentes difíceis de conseguir, mas eu dou sempre o meu jeitinho de Papai Noel. As crianças contam sempre comigo, aliás, a noite de Natal é a sua grande noite. A felicidade e o sorriso dos pequenos não têm preço. O importante para as crianças é acordar pela manhã e encontrar um bonito embrulho para abrir, colocado ao pé da árvore de Natal ou aos pés da cama. Se por um acaso a árvore de Natal não pôde ser enfeitada porque a família não tinha recursos, isso para mim não tem a menor importância. Se o espírito do Natal estiver presente nos lares haverá brilho por todos os cantos, se houver amor haverá paz nos corações. As crianças precisam da certeza que são amparadas, queridas e amadas – para muitas delas esse pode ser o maior presente de Natal. Abraçar um filho é um momento mágico, dizer-lhe “eu te amo” faz a grande diferença. Aos pais eu peço que não deixem que os seus filhos se sintam órfãos de pais vivos. A confraternização entre os familiares e amigos deve ser estimulada, assim como a união de pessoas de boa-fé e sentimentos comuns.

Eu acredito na magia do Natal. Sempre acreditei! O simbolismo de que é revestida esta festa Cristã vai muito além da compreensão pretensiosa de alguns humanos. Há séculos viajo por todos os cantos deste planeta azul, levando amor, alegria, espírito de bondade, crença e esperança aos bilhões de corações. Não abro mão desse compromisso porque os homens ainda precisam muito de mim, do que represento, sobretudo para os mais pequeninos, por isso, enquanto tiver forças, e as minhas renas também, por muitas e muitas chaminés entrarei. Se algum dia cair desajeitado lá embaixo, levanto-me e sacudo a poeira – Ho! Ho! Ho! Isso já aconteceu algumas vezes comigo.

Tirei alguns minutos de descanso e aproveitei para inverter um pouco a ordem natural das coisas; resolvi escrever para os pais das crianças, porque há muito tempo eu venho notando um brilho diferente nos seus olhos e pude também constatar que essas pessoas consideradas adultas precisavam de algumas palavras de alento, um gesto de carinho, um abraço fraterno. Na verdade, os pais nunca deixaram de ser crianças, porque trazem uma criança dentro deles, e de vez em quando querem correr para o colo dos seus pais, pedir para que contem histórias como nos velhos tempos; segundos depois percebem que eles não estão mais ali, que partiram para outra dimensão, morreram. Então percebem que a separação é uma realidade, contudo, a dor da saudade pode ser minimizada pelas boas lembranças, geralmente construídas nas noites de Natal. Os nossos momentos de vida são construídos por nós próprios. Aos pais que lerão esta breve carta deixo uma mensagem:

“Olhem para o céu na noite de Natal; vocês me verão passar; as renas estarão brilhantes à frente do meu trenó. Se cada um dos pais, aos quais me refiro, estiver com o coração brilhando, também conseguirá enxergar que o maior dos presentes que poderia receber são os seus próprios filhos. Papai e mamãe, façam por merecê-los e jamais cortem os laços que os unem, independente da grandiosidade da festa que possam oferecê-los, de modo que sempre haverá aqueles que nunca perderam um Natal antes, mas também haverá aqueles que não sabem o que é isso. Haverá mesas fartas, mas também haverá falta de pão em outras. Haverá carinho, mas também haverá indiferença. Haverá amor, mas também haverá discórdia. Haverá riqueza, mas também haverá miséria. Haverá projetos de vida, mas também haverá desesperança. Haverá a mão que ampara, mas também haverá a estrada que afasta. Haverá a casa que acolhe, mas também haverá a rua como desabrigo. O mundo está cruel o bastante e é chegada a hora de juntos tentarmos mudar este cenário nada animador. Sei que não é tarefa fácil, mas, se não dermos início ao processo de transformação não haverá um final feliz, os Natais perderão o sentido. Que tal começarmos por nós mesmos? Deixemos o individualismo de lado e pensemos coletivamente. O mundo é o que a gente faz dele, o que cada um pode fazer pelo seu semelhante”.

Ho! Ho! Ho! Feliz Natal,

Papai Noel

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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