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Política

Julgamento do Mensalão – Saber roubar é uma arte

O pior cego é aquele que não quer ver.

O pior cego é aquele que não quer ver.

O jornal “O Estado de São Paulo” publicou matéria na última quinta-feira, 01/11/2012, que Marcos Valério foi, por conta própria, à cidade de Brasília no mês de setembro (auge do julgamento da AP 470), acompanhado do seu advogado, Marcelo Leonardo, e prestou novo depoimento ao Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, que o recebeu com ressalvas. Marcos Valério mencionou, textualmente, os nomes de Lula e do ex-ministro Antonio Palocci como integrantes do esquema do Mensalão, falou a respeito de outras movimentações de dinheiro no exterior, além daquelas remessas ilegais já julgadas pelo STF, e afirmou, ainda, ter informações sobre o assassinato do ex-prefeito do município de Santo André/SP, Celso Daniel. Esta é uma bomba de efeito retardado. Verdade é que tem muito caroço debaixo desse angu e ninguém quer comer a primeira colherada com medo de se engasgar. Em caso de obstrução das vias aéreas, nem Ricardo Lewandowski e sua trupe darão jeito.

Ameaças de morte Marcos Valério já teria recebido algumas, desde o momento que a Justiça começou a fechar o cerco e terminada a Instrução Penal, o que é muito comum em situações como essa, de modo que qualquer importante membro de uma quadrilha quando resolve se rebelar contra os seus chefões e abrir a boca “falando o que não deveria”, deve saber, de antemão, que pagará um elevado preço por isso – na maioria dos casos com a própria vida. Em troca da sua inclusão no Programa de Proteção à Testemunha (pedido feito por fax ao STF em 22/09/2012), Marcos Valério comentou que daria mais detalhes sobre os delitos cometidos pelos integrantes da quadrilha. A essa altura do campeonato, acho que na cadeia ele estaria mais seguro. Por outro lado, “a Inês é morta” no caso do julgamento do Mensalão, todavia, batendo com a língua nos dentes, Marcos Valério poderá conseguir algum benefício em outras dezenas de processos que responde em Juízo de Primeira Instância, tanto em Minas Gerais quanto em São Paulo, entre as ações está o “Mensalão mineiro”.

O Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, disse à imprensa, nesta segunda-feira, 05/11, não haver motivos, ainda, para que o Estado dê proteção a Marcos Valério e a seus familiares. Neste particular, só lhe resta rezar para a Virgem Santa pedindo ajuda dos céus. Caso milagre aconteça, uma vez incluído no Programa de Proteção à Testemunha, que o livraria da prisão, Marcos Valério poderá fazer uma operação plástica, implante de cabelo, trocar de nome (recomendo mãe Lucinda) e mudar de endereço para lugar sigiloso (indico o planeta Kepler 22b), tentando levar uma vida normal – melhor conferir antes para ver se o Lula não reservou vaga na mesma nave espacial.

“A notícia que me chegou dele, Marcos Valério, foi no sentido de que não havia ainda nada que justificasse uma providência imediata. Agora, se ele viesse a fazer novas revelações, aí sim, esse risco poderia se consubstanciar. […] Qualquer depoimento de qualquer pessoa tem que ser visto com muita cautela porque essa colaboração não aconteceu no momento que seria adequado, na Instrução Penal do processo do Mensalão”.

Procurador-Geral da República – Roberto Gurgel

Alguns Ministros do STF declararam, reservadamente, que não concordam com a abertura de novas investigações sobre o esquema do Mensalão antes que a dosimetria das penas seja concluída, caso contrário, temem a possibilidade de haver confusão nesta fase final do julgamento, colocando por água abaixo todo o trabalho realizado. Obviamente isso seria um derradeiro desastre para a Ação Penal nº 470, isto porque, a meu sentir, começou incompleta por não ter arrolado todas as pessoas direta ou indiretamente envolvidas no esquema. Em suas sustentações orais os advogados de defesa dos réus deixaram claro que esse número de envolvidos poderia passar de 100, de modo que novos nomes foram por eles citados na Tribuna, além dos conhecidos 40 réus da exordial. Outra falha, se é que podemos assim conceituar, é o fato de o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, não ter sido considerado testemunha, além da condição e réu confesso, por ter confessado as suas culpas sem sofrer ameaças de tortura. A “Teoria da Conspiração” diz que a Ação Penal nº 470 será invalidada por ser uma cópia grosseira da original, não atende às especificações, não tem selo de garantia e prazo de validade, portanto, qualificada como “pirata”.

“Seria até uma ingenuidade misturar as duas coisas. […] E se for uma manobra dele? Não podemos ser ingênuos”.

1º Ministro do STF, “oculto”.

“Se o relato foi puramente oral, o préstimo é quase zero. […] Para que o depoimento seja levado a sério, Valério precisava ter juntado documentos ou prestado informações objetivas, com coincidência de dados de outros fatos apurados pelo Ministério Público. […] É necessário verificar se as datas fecham”.

2º Ministro do STF, “oculto”.

“A ficha pode ter caído um pouco tarde. […] Essa postura de Marcos Valério é neutra, não repercute”.

Ministro Marco Aurélio Mello

“Não vejo nenhum problema de uma pessoa condenada prestar depoimento e abrir o jogo. […] Marcos Valério está pagando sozinho, com pena alta”.

1º Subprocurador-Geral da República (MPF), “oculto”.

“Gurgel adotará a postura certa caso deixe para avaliar o depoimento somente após o fim do processo do Mensalão. […] Depois que o processo já tem até condenação, seria o caso de abrir outro sobre o mesmo fato? Dá a impressão de que não se apurou direito. […] Marcos Valério pode ser beneficiado com reduções de penas em outras ações contra ele, se colaborar com as investigações”.

2º Subprocurador-Geral da República (MPF), “oculto”.

“A expectativa de todos e da sociedade é que essa página do Mensalão seja virada com o julgamento do Supremo Tribunal Federal. É lamentável a tentativa de querer retomar o processo de investigação no momento do julgamento. […] Eu colocaria essas afirmações, esse suposto novo depoimento, no que chamamos de ‘jus sperniendi’. […] Depois de todas as investigações feitas, não cabe ilação sobre esse tema, principalmente nessa direção de envolver o ex-presidente Lula. Isso já foi exaustivamente investigado pelo Ministério Público e pelo próprio Supremo. Não deve ser levada em consideração”.

Presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS).

Nós que operamos nas redes sociais é que podemos ser chamados literalmente de vírus (compartilhamento viral) – máquinas não trabalham sozinhas sem a mente humana –, porque somos os responsáveis pela disseminação do seu conteúdo, nem sempre matérias culturais, notícias do cotidiano social ou informações sobre fatos que mereçam destaque. Porém, de vez em quando, um pouco de humor faz bem à nossa cabeça, comumente cheia de problemas sérios, sem solução, e que só servem para nos atormentar, fazer-nos perder o sono e provocar profunda depressão. Prova do que acabei de falar, nesta semana que passou recebi um e-mail de um amigo, distante dos meus olhos, com a seguinte piada (a propósito, não cita nome do autor) de título “Mágica Lulista”.

Lula e José Dirceu foram jantar num restaurante luxuoso, onde até os talheres eram de ouro. De repente, Lula vê o Zé Dirceu pegar duas colheres e escondê-las no bolso. Ficou chateado porque não foi ele que teve aquela ideia e, para mostrar quem era o ‘Chefe’, decidiu que iria roubar outras duas colheres de ouro. Lula ficou nervoso, uma vez que os ‘companheiros’ sempre roubavam para ele, por isso, motivo para dizer que ‘não sabia de nada’, ‘nunca soube’. Meio desconsertado, Lula não evitou que uma colher batesse na outra fazendo barulho a ponto de chamar atenção. O garçom ouviu o barulho e perguntou ao Lula se ele queria alguma coisa. Lula achou que tinha sido pego de surpresa, com a boca na botija, e tratou logo de falar que não queria nada, não tinha visto nada, não tinha escutado nada e não sabia de nada. Em seguida, Lula tentou novamente roubar as duas colheres, mas uma delas caiu no chão. Ouvindo o barulho volta-se o garçom e pergunta pela segunda vez se Lula queria alguma coisa. Lula pensou um pouco e, como exímio falastrão, enganador, dissimulado e oportunista, devolveu a pergunta ao garçom:

Lula: – Você quer me ver fazer uma mágica, companheiro garçom?

Garçom: – Sim senhor Lula, seria um prazer!

Lula: – Então pegue essas duas colheres de ouro e as coloque no meu bolso.

Garçom: – OK, senhor, e agora?

Lula: – Agora você conta até três e vá tirá-las do bolso do Zé Dirceu.

Quem estava ao redor acreditou realmente que Lula tinha feito aquela mágica, como tantas outras que fez nos seus dois mandatos, e o aplaudiu entusiasticamente. Antes de ir embora, Lula deu uma gorjeta (dinheiro público) a todos os garçons da casa, saiu com as colheres de ouro no bolso e rindo da situação. Moral da história: Se você não puder roubar diretamente o que deseja, oriente bem as pessoas a fazê-lo por você, ainda que não acreditem que estão roubando a mando de alguém. Saber roubar é uma arte.

Leitura recomendada (clique em): Livro Polítitica

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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