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Política

Julgamento do Mensalão – Relembrando 7ª parte

Junho/2005 – Corrupção avança no governo Lula.

Junho/2005 – Corrupção avança no governo Lula.

O episódio do Mensalão abalou as estruturas da Democracia. As nossas Instituições foram sobremaneira enxovalhadas – parece notícia repetida ou lida em jornal velho, mas necessária pelo grave teor –, e tenho a pessoal impressão de que dificilmente as pessoas compreenderão o tamanho dos prejuízos causados aos cofres públicos, tampouco os desdobramentos futuros. Mais uma página negra virada do livro da História Política do Brasil – outras estão em processo de revisão textual, independentemente dos tipos.

Pois bem, aproveitando a pausa que o Supremo Tribunal Federal deu ao julgamento da Ação Penal nº 470, de sexta-feira, 26/10/2012, até terça-feira, 06 de novembro de 2012, portanto, de 12 dias corridos (nesse hiato tivemos o 2º turno das eleições municipais que ocorreu no domingo, 28/10/2012, e a ida do Ministro relator Joaquim Barbosa à Alemanha para tratamento de saúde), também tirei esses dias para colocar a minha cabeça em ordem e cuidar para que ela desinchasse. A razão do inchaço, uma não, várias razões, deram-se pelos problemas de ordem diversa que os Ministros da Suprema Corte causaram ao longo do julgamento, agravados agora com o início da dosimetria. Para um simples mortal como eu, convenhamos, torna-se um desafio hercúleo encará-los de frente ou tentar degustá-los à luz do dia. Então, antes do anoitecer, selecionei mais alguns artigos que escrevi para jornal de grande circulação no auge da denúncia do Mensalão e que, sequencialmente, os exponho nesse título sugestivo “Relembrando”, sem sofrer duas vezes, “lembrando” que essa sessão nostálgica não acaba por aqui. Boa leitura.

Julho/2005 - Denúncias de lavagem de dinheiro.

Julho/2005 – Denúncias de lavagem de dinheiro.

31. HOMEM-BOMBA. Dentro dos quinze minutos que couberam ao senador Álvaro Dias (PSDB – PR), na CPMI dos Correios, na quarta-feira, 20/07/2005, quando foi ouvido o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, um ponto foi merecedor de destaque. Álvaro Dias declarou, literalmente, estar convencido da existência de um plano arquitetado pelo PT – mais exatamente pela cúpula composta pelo ex-ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu; pelo ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoino; pelo ex-secretário geral do partido, Sílvio Pereira; pelo ex-tesoureiro, Delúbio Soares (cabendo a este último a tarefa suja de arrecadar dinheiro sujo); e pelo presidente Lula –, no sentido de se perpetuar no Governo, tomando de assalto as Instituições, mesmo que esse fim seja justificado pelos meios escusos, deploráveis e funestos empregados. Quanto mais se mexe no excremento, mais ele fede. Extremamente coincidentes, o teor da entrevista concedida por Lulaéreo a uma repórter free-lance, em Paris; as respostas dadas por Delúbio Soares a um repórter da TV Globo; e o que foi dito por Sílvio Pereira na CPMI dos Correios. Por crimes eleitorais cometidos, todos os partidos são declarados culpados e só o PT é réu confesso (e por corrupção ativa o PT não seria denunciado). Quando se generaliza com veemência, muda-se a regra da lei: “É direito de todo acusado ser julgado presumidamente ‘culpado’ até o trânsito final da sentença condenatória”. José Serra, prefeito de São Paulo, derrotado por Lula na eleição presidencial de 2002, disse em período de campanha: “A eleição de Lula seria o maior estelionato eleitoral desde Collor”. Na época, eu achei que havia um pouco de exagero na sua declaração, todavia, logo nos primeiros meses de Governo PT, via-se essa tendência em médio prazo, e o Partido dos Trabalhadores deixava claro que não tinha um Programa de Governo, mas um “Projeto de Poder” – esse mesmo poder está sendo implodido pelo homem-bomba chamado Delúbio Soares. O Marketing político sabe que o povo é gregário, por isso, fez questão de recomendar que o embuço não fosse tirado da cara do Lula durante os quatro anos de mandato – ele cairá por si. Tendo os meus direitos constitucionais preservados, registro outro pensamento: O dia 1º de janeiro de 2003 vai ficar marcado na história política brasileira como O dia em que Lula foi “empoçado”. Quinta-feira, 21 de julho de 2005.

32. POMBINHAS BRANCAS. A primeira imagem é aquela que fica. Outra máxima pode quebrar esta regra: “A última imagem é a que encabeça o testamento”. O PT está mais sujo do que pau de galinheiro – e por mais que se lave o mau cheiro (rastro) persiste em não sair. A única verdade do PT é a sua grande mentira artificiosa para enganar, mas, ele tem plena consciência que o restante da granja está emporcalhada, e quem se aventurar visitá-la não tem como não se sujar. A legenda não será poupada dos diversos processos políticos que virão pela frente, sobretudo incitados pela “bancada de esquerda” do próprio PT. Convenhamos, admiti-la dentro de um partido político de ‘esquerda-socialista-ditatorial’ soa como um paradoxo – o Partido dos Trabalhadores está sendo execrado por ele próprio. Porém, o sistema político-partidário sempre apostou na ignorância do povo; na falta de formação política; na sua falta de capacidade de mobilização. Que mundo maravilhoso esse da política – onde pactos de silêncio são sacramentados, conchavos são regras do jogo, onde o arrefecimento da dúvida é imperativo absoluto –, no qual nos julgamos livres para fazermos as nossas próprias escolhas, acreditando na cidadania, na justiça social, no exercício da transparência democrática. As chances do PT de recuperar a sua imagem são ínfimas, entretanto, o Marketing político tem como tirar da cartola pombinhas brancas para distrair a massa, a mesma que interfere nas pesquisas de opinião. Uma vez construída uma imagem depravada, nem “Mister M conseguirá demovê-la. Mais cedo, ou mais tarde, a massa – que não sabe o que está acontecendo na real magnitude dos fatos e, portanto, não tem o devido conhecimento da gravidade do problema político pelo qual passa o Brasil – verá que o PT a traiu em nome de interesses espúrios, e que nesta cilada, estava o seu presidente de honra, que jamais assumirá mea-culpa. Órfão, sem a aclamação do povo, só restará ao PT uma pá de cal. No alvoroço das galinhas, as charmosas baratas atravessam o galinheiro, sã e salvas – do lado de fora, ninguém tem coragem de pisar nelas. No cantar do galo garnisé, a produção de ovos de ouro continua em ritmo acelerado, enquanto na pocilga ao lado os porcos escarafuncham tranquilamente. Segunda-feira, 25 de julho de 2005.

33. IMINENTE PERIGO. Li em A GAZETA, edição de 24/07/2005: “SÃO PAULO. Um dia depois de reclamar das elites, o presidente Lula voltou ontem (sábado, 23/07/2005) ao seu berço político, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. A entidade reuniu cerca de 2.500 metalúrgicos e fez um ato de desagravo a Lula, prometendo ir às ruas, caso alguém tente ‘apear’ Lula do Planalto antes do final do mandato […]”. Nesse evento, Lula disse: “Para governar não precisa de diploma universitário, que tanto preconceito jogaram contra mim. Para dirigir este país tem que ter, sobretudo, uma coisa chamada coração”. Diploma e coração à parte; competência é o que se exige de qualquer homem público, em primeiro lugar. O problema é outro e o buraco é mais embaixo; Lula deveria saber disso. Dado como certo o agravamento da crise em Brasília nas próximas semanas, a economia dará sinais de fragilidade, não sendo tão suficientemente forte para suportá-la. O momento político é extremamente delicado. Querer, agora, buscar a aproximação com o povo, dá a perceber que Lulaéreo está tentando conseguir apoio popular, achando que grandes movimentos formar-se-ão nas ruas para a sua defesa de um provável “golpe de direita”, segundo ele. É explosivo o coquetel de irresponsabilidade, leviandade e loucura – jogar a massa contra o sistema oposicionista pode trazer consequências imprevisíveis. Acho estranho que o vice-falador, José Alencar, esteja calado e fora da mídia da denúncia. Provavelmente, esteja selecionando as pulgas para colocar atrás das orelhas das Forças Armadas, dando sequência às suas atribuições como Ministro da Defesa. Paralelamente, nas inúmeras cabeças napoleônicas, brota a ideia de que se ficar realmente insustentável o clima nas Casas Legislativas, colocando em risco a governabilidade e as Instituições, o presidente da República fechará o Congresso Nacional – iminente perigo, que todos nós esperamos que não aconteça. Historicamente, as lembranças ruins e atos de governos passados se perpetuaram; foram herdados pelas novas gerações de políticos, que os estão agravando para aqueles que os sucederem. Na tentativa de reformar uma casa cheia de infiltrações e acabar com o risco de contaminação por dejetos, o pedreiro pernambucano pode achar que a melhor solução é demoli-la definitivamente, com os moradores dentro. Segunda-feira, 25 de julho de 2005.

34. INDIGENTE CULTURAL. Recordei-me da famosa personagem “Ofélia” – aquela que só abre a boca quando tem certeza –, após ter lido o editorial “Palavras de mau jeito” (Jornal A GAZETA, edição de 31/07/2005). Realmente, os discursos proferidos por Lulaéreo têm sido intempestivos, sobretudo nesse momento de perturbação política. Os seus desgraçados improvisos possuem um alto poder destrutivo, e nesse raio de devastação estão a estabilidade política, a segurança nacional e as Instituições. Lulaéreo, exemplo cabal de indigente cultural, precisa entender, de uma vez por todas, que não é mais aquele inconsequente sindicalista revolucionário, mas o presidente da República Federativa do Brasil, e como tal, dele exigimos uma postura de estadista, responsável, equilibrada e respeitosa. O que disser, caso pense com os intestinos, voltar-se-á contra ele. São irrefutáveis o seu baixo nível de escolaridade e a sua forte tendência ao psitacismo (ideias aprendidas de cor e repetidas, sem a menor intervenção da inteligência, à maneira dos papagaios; palavrório oco, sem sentido nem nexo). Não merecemos isso. O produto intelectual resultante da inspiração do momento é uma dádiva que só os preparados podem aspirar. Alguém precisa dizer a Lulaéreo que a língua é o chicote do rabo, e as consequências tremendamente imprevisíveis. Sexta-feira, 05 de agosto de 2005.

35. PESQUISA POLÍTICA. Toda pesquisa de opinião aponta várias tendências. Tenho por costume criticá-las, as inclinações, e questionar os resultados da sua tabulação numérica. Em que pese a metodologia aplicada, pesquisas dessa natureza podem ser comparadas a fotografias tiradas por máquina de revelação instantânea, portanto, não se tratam de radiografias que nos permitam um diagnóstico apurado. Certas classes, por faixa etária ou de renda familiar mais elevada, necessariamente, não são excludentes da massa menos esclarecida de eleitores tão em evidência nos dias atuais. O desinteresse por política é comum e faz com que o indivíduo mude de opinião segundo a “ordem não natural” das coisas. É aquela história da “Maria vai com as outras”. Para João Gualberto, cientista político e diretor do Instituto Futura, o presidente Lula se mantém a salvo da crise política, segundo os resultados da avaliação de recente pesquisa de opinião encomendada pelo jornal A GAZETA e Rádio CBN Vitória. Cerca de 55% dos capixabas acham que Lula não está envolvido no esquema de corrupção protagonizado pelo PT. Um paradoxo, na medida em que 75,50% dos entrevistados concordam que existe corrupção no governo federal. O simples fato de Lulaéreo querer passar a ideia de que não sabia absolutamente de nada, qualifica-o como a maior besta quadrada que o Palácio do Planalto já abrigou – a omissão o coloca dentro da corrupção como co-autor. Não sabia de nada, uma ova! Lula deixou correr frouxo porque o interesse maior era única e exclusivamente dele. Se promovida uma faxina geral, certamente a vassoura varreria o negócio feito entre a Telemar e a Gamecorp, empresa da qual é sócio um dos seus filhos, que teve um enriquecimento inexplicável após o contrato. Como que o escândalo ainda não chegou ao presidente? Lulaéreo ainda tem muito que explicar e precisa urgentemente sair debaixo da saia do povão para dar as respostas certas a tantas perguntas em aberto. Devemos sentir indignação? Nojo? Asco? O brasileiro tem um grave defeito: sempre tendeu para o lado mais fraco e se comove facilmente com todos que se fazem passar por humildes, vítimas e menos favorecidos pela sorte. Prova disso, 76,06% consideram Lulaéreo uma pessoa humilde – fator que puxou o índice de sinceridade para 57,36%, e no quesito honestidade para 59,10%; ainda que nas falsas palavras ou na convicção das mentiras. Na avaliação da responsabilidade do presidente na atual crise política (no somatório de “Muito alta” com “Alta”), só 40,65% dos entrevistados apontam o dedo na cara do Lula, ao tempo em que 86,53% acham que a compra de deputados (Mensalão) existiu para que a base aliada votasse a favor dos projetos do Governo, como condição negociada. Será que tudo o que foi demonstrado é fruto da mídia? O Recall político, proveniente da massa, espelha a realidade. Será? O nível de informações que a opinião pública detém acerca dos acontecimentos pode ser considerado questionável – a política, definitivamente, não deve ser tratada como um produto de consumo massificado. Ela nunca foi. Cuidado: 80% dos entrevistados “estão acompanhando”. Como? Lêem jornal e assistem aos noticiários diariamente? Só pelas conversas de botequim? Por que ouviram falar? Nessa história toda, no resumo da balada, o ex-czar José Dirceu já desponta como o mais novo Judas, junto com meia-dúzia de sectários que aguardam a vez para serem imolados. Tem gente apostando que ao final do sacrifício a massa dar-se-á por satisfeita – a mesma multidão que não sabe separar, pelos sentidos, o lógico, do absurdo; a representação chula, dos fatos. Não posso concordar com o parecer: “Não há clima para desordem política que possa provocar o impeachment do presidente”. Talvez concorde, caso as CPIs, dos Correios e a do Mensalão, devorem exclusivamente o “Boi de piranha” Marcos Valério, enquanto a boiada do Duda Mendonça atravessa ilesa o rio da corrupção federal, com Lula soprando o berrante. Segunda-feira, 08 de agosto de 2005.

Leitura recomendada (clique em): Livro Polítitica

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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