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Política

Julgamento do Mensalão – Depois da tempestade, vem mais tempestade

Chamam-me de profeta. Na verdade, sou uma pessoa idosa, comum, igual a todas as outras pessoas, salvo nas posses transitórias de bens ou valores, e nos torturantes atos cometidos, que as tornam diferentes umas das outras. Nasci com a faculdade de prever acontecimentos, não o futuro como muitos gostariam – esse se revela oculto aos humanos efêmeros. Quem eu sou, donde venho, o que faço, de fato, não importa nesse momento. Não sei quanto tempo eu tenho mais de vida – não me cabe aqui calcular; seria presunção. Restam-me ainda algumas missões sobre a Terra, como certeza imposta. Olho detidamente para uma foto pálida e vejo o semblante desfigurado, o olhar triste de uma pessoa angustiada, que corre um tremendo risco. Um profundo olhar que pede ajuda; um olhar que grita por socorro; uma voz sem eco. Essa pessoa é ré na Ação Penal nº 470, que julga o Processo do Mensalão. Talvez eu tenha idade para ser seu pai, por isso, é como se tivesse falando com o meu próprio filho. A única maneira de ajudá-lo é deixá-lo com os seus pensamentos e permitindo que tome a melhor decisão, se certa ou errada o tempo dirá. Marcos Valério está vivendo o seu próprio Inferno Astral, punido pela consciência, cobrado pela razão e refém do medo. Aceitou jogar o jogo sujo da política abjeta; vendeu a alma em troca da vil moeda; sacrificou a decência e subverteu valores. Agora, a vida exige a prestação de contas com recibo passado e firma reconhecida. Outros jogadores pedem para entrar em campo e o juiz avisa que não haverá prorrogação da partida – derradeiras mudanças no seu resultado final acontecerão com desastrosas consequências.

Em troca de redução de pena, Marcos Valério quer colaborar com a Justiça. Haverá tempo pra isso? Essa é uma pergunta, entre tantas, que carece de resposta objetiva, como foi objetiva a sua condenação a 40 anos, 01 mês e 06 dias de reclusão, com privação de liberdade. Acusado pelo Ministério Público Federal de ser o “Operador do Mensalão” e considerado culpado pela Suprema Corte pelo cometimento de cinco crimes: Formação de quadrilha, Corrupção ativa, Peculato, Lavagem de dinheiro e Evasão de divisas. Ainda que essa pena seja reduzida até a conclusão da dosimetria, com a devida análise jurídica de parâmetros legais, não será suficiente para deixá-lo fora das grades de um presídio qualquer à mercê da própria sorte. O futuro se desenha tenebroso proporcionalmente aos seus delitos. Quais seriam as alternativas nesse momento? Deixar-se prender, acatando decisão judicial? Fugir do país ou para a Amazônia? Suicidar-se? Permanecer no meio da encruzilhada sem saber o que fazer? Abrir a boca e levar um tiro na cabeça como queima de arquivo, cujo crime apurado como tentativa de assalto? Esperar por um milagre, ainda acreditando até o último segundo que o “poderoso chefão” fará alguma coisa para salvá-lo? Só Deus sabe do seu destino – que não seja um desconhecido colocar no seu túmulo a lápide com a inscrição gravada “Aqui jaz um covarde traidor da pátria”.

O advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, por dever de ofício, deveria tê-lo alertado quanto às consequências da proposta de “Delação premiada” em troca de redução de pena. Em primeiro lugar, fora de tempo, porque tal procedimento entende-se como aceitável quando da CPI dos Correios e consequente CPI do Mensalão, portanto, em tempo pretérito. Não vejo como poderia colaborar com a Justiça nesse crucial momento, até porque a sua pena já foi estabelecida e dificilmente sofrerá drástica redução, e os supostos benefícios decorrentes das novas denúncias de certo não se concretizariam, a meu sentir. Muito embora o presidente do STF, Ministro Carlos Ayres Britto, tenha confirmado o recebimento de Fax contendo a tal e qual “oferta de colaboração”, apresentada por Marcelo Leonardo, conforme disse, o caso já foi julgado e a sentença proclamada. Agora, o único benefício de que Marcos Valério precisa de fato é a “proteção de vida”, da sua integridade física e, lógico, dos seus familiares. Ainda acho que há uma saída, qual seja, que Marcos Valério conceda uma derradeira entrevista a um veículo de grande repercussão nacional e revele todos os fatos sobre o famigerado Mensalão, dando nomes aos bois, e que também ponha pra fora, de uma vez por todas, outros crimes que tenham sido cometidos pela quadrilha envolvida no esquema. Não adianta se esconder porque o seu rabo está de fora – Marcos Valério precisa entender isso; vão achá-lo, esteja onde estiver. Enfim, o aludido Fax foi encaminhado ao Ministro relator da Ação Penal nº 470, Joaquim Barbosa, que avaliará o caso. Aguardemos o seu regresso da Alemanha. O dia 07 de novembro promete surpresas, sob intensas nuvens negras.

Enquanto isso, convido Marcos Valério a rezar a oração do CREDO comigo, e recomendo que aproveite o feriado de “Finados” para refletir sobre a sua vida presente, enquanto vivo, já que o futuro a Deus pertence, mas que hoje está nas mãos dos líderes mafiosos e seus comparsas!

Creio em Deus-Pai, todo poderoso,
Criador do céu e da terra
E em Jesus Cristo, seu único filho, Nosso Senhor
Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo
Nasceu da Virgem Maria
Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos
Foi crucificado, morto e sepultado
Desceu à mansão dos mortos
Ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus
Está sentado à direita de Deus-Pai, todo poderoso
De onde há de vir para julgar os vivos e os mortos
Creio no Espírito Santo,
Na Santa Igreja Católica
Na comunhão dos Santos
Na remissão dos pecados
Na ressurreição da carne
Na vida eterna,

Amém.

Leitura recomendada (clique em): Livro Polítitica

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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