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Política

O ladrão de galinhas

O ladrão de galinhas

O meu amigo amazonense de Manaus (Manauara) – um dia qualquer todos os meus leitores saberão o seu verdadeiro nome –, sempre me surpreendendo com suas pérolas. Hoje estava curtindo um daqueles dias FDP; enxaqueca, mau humor, enfim, vocês sabem melhor do que eu, e aí que me telefona e pede para que ligue imediatamente o computador e leia um texto, de autor desconhecido, sob o título “O BRASIL EXPLICADO EM GALINHAS!”. Fiquei dando gargalhadas por minutos e em seguida fui acometido de profunda tristeza; lembrei que estamos em ano eleitoral. Qualquer semelhança entre os protagonistas da estória com os reais personagens da vida política brasileira é mera coincidência. Caso apareça o verdadeiro autor do texto, informo que o adaptei e dividirei os louros literários, já que os lucros eu deixo para o ladrão de galinhas.

Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e o levaram para a Delegacia de Polícia e lá o…

Delegado: Que vida mansa, hein, seu vagabundo? Roubando galinhas para ter o que comer em casa, sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia agora, que é lugar de gente vadia!

Ladrão: Não era pra mim não, seu Delegado. Era pra vender o fruto do roubo. O mercado tá bom, gente às pencas querendo galinha.

Delegado: Pior ainda, venda de artigo roubado. Caracterizada a concorrência desleal com o comércio estabelecido, que diz pagar impostos. Sem-vergonha, seu descarado!

Ladrão: Mas, seu Delegado, eu vendia as galinhas mais caro.

Delegado: Mais caro, como assim?

Ladrão: Espalhei por aí um boato que as galinhas do tal galinheiro eram bichadas e as minhas galinhas não. Além disso, as galinhas do tal galinheiro botavam ovos brancos, enquanto as minhas galinhas botavam ovos vermelhos. O senhor sabe, né, seu Delegado, uma questão de qualidade. Até o consumidor de galinhas sabe disso, exige o que é bom.

Delegado: Mas as galinhas eram as mesmas, seu safado. Estou mentindo? Diga!

Ladrão: Os compradores brasileiros acham que tudo aquilo que compram é diferente e melhor. Também, os ovos das minhas galinhas eu pintava com cuidado pra não dar na pinta.

Delegado: Que grande pilantra você é! Ainda bem que você vai preso. Se o dono do galinheiro lhe pega… (mas, já havia e se percebia certo respeito no tom de voz do Delegado).

Ladrão: Ele já me pegou. Fiz um acerto com ele, comprometendo-me a não espalhar no mercado mais boatos sobre as galinhas dele. O dono do galinheiro assumiu um compromisso formal de aumentar os preços das suas galinhas para ficarem iguais aos meus. De comum acordo, convidamos outros donos de galinheiros da região para entrarem no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Houve quem sugerisse: ovigopólio, avigopólio, e melhor, galingopólio.

Delegado: E o que você faz com o lucro do seu negócio? Guarda? Declara?

Ladrão: Especulo com moeda estrangeira, que navega em paraísos fiscais. Alguma coisa invisto no tráfico de drogas. Comprei alguns Deputados aqui no Estado e outros em Brasília. Subornei dois ou três ministros, alguns juizes. Muitas Prefeituras estão no meu bolso. Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para os programas de alimentação do governo e, por consequência, superfaturo os preços. Um lucro danado. O resto é segredo; religião…

Delegado: O senhor aceita um cafezinho? A cadeira está confortável? Escrivão, traga um café e uma almofada para o meu amigo aqui… Continuou: Doutor, não me leve a mal, mas, com tudo isso, o senhor não está milionário?

Ladrão: Pra falar sério, trilionário. Sem contar, é claro, com o que sonego de Imposto de Renda todos os anos e com a grana que mando para aquelas ilhas famosas que os nossos políticos e empresários adoram. Artistas das TVs também já descobriram esses locais abençoados.

Delegado: Por que, então, o senhor continua roubando galinhas?

Ladrão: Ás vezes, o senhor sabe como é. Aprendi com um ex-prefeito de São Paulo.

Delegado: Não sei não, Excelência. Explique-me melhor.

Ladrão: É que, em todas as minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa: o risco do negócio, entende o que eu digo? É aquela sensação do perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, de estar praticando um crime. A iminência de ser pego com a boca na botija e ser castigado para o deleite das massas me estimula. Roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão de verdade; isso é excitante. Como agora fui preso, finalmente vou para a cadeia – tudo bem, é uma experiência nova! Já teve gente graúda, sobretudo políticos, aqui dentro e foi uma farra danada, até saírem com cara mais deslavada do mundo.

Delegado: O que é isso, Excelência? O senhor não vai preso não. Não vamos dar trabalho aos seus comparsas de impetrarem um Habeas Corpus. A Justiça está ocupada com as suas aves.

Ladrão: Mas, seu Delegado, eu fui preso em flagrante pulando a cerca do galinheiro!

Delegado: Sim, concordo, mas, é primário, e com esses antecedentes todos…

Moral da estória: O ‘Galinheiro Brasil’ pode ser explicado em galinhas, e as raposas de mesma linhagem comem juntas.

NOTA DE AGRAVO: Esta matéria, de título “O ladrão de galinhas“, foi por mim publicada/postada neste Blog, também de minha propriedade, em 24/02/2012. Não sei porque cargas d’água, ela foi roubada, ou melhor, a “galinha fugiu”, somente recapturada na data de hoje com a prestimosa ajuda do Ministro relator Joaquim Barbosa. Segundo informações obtidas no ‘Galinheiro Brasil’, a minha galinha teria fugido para o quintal do Ministro revisor Ricardo Lewandowski. Como o delegado fez pacto com o ladrão, não impetrou mandado de busca e apreensão.

Leitura recomendada (clique em): Livro Polítitica

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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