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Política

Julgamento do Mensalão – Os urubus de José Genoino

Será que elas sabem disso?

Será que elas sabem disso?

A “Festa da Democracia”. Podemos assim chamar a corrida dos eleitores às urnas eletrônicas neste 1º turno das eleições municipais de 2012, que elegeram os novos (alguns velhos) prefeitos e vereadores para os 5.565 municípios em todo o território nacional. O município é a menor unidade autônoma da Federação; possui a sua própria Lei Orgânica, que define a organização política, porém, limitada pela Constituição Federal. Cada um dos 5.565 municípios dispõe apenas de 02 poderes constituídos: Executivo, exercido pelo prefeito, e Legislativo, sediado na Câmara Municipal, também chamada de Câmara de Vereadores. O Poder Judiciário organiza-se em forma de Comarcas que abrangem vários municípios ou parte de um município muito populoso, de modo que não há Poder Judiciário determinado para cada município da União. O município é a última ponta de aplicação do nosso dinheiro, arrecadado pelo poder público (nas três esferas de governo, Município, Estado e União) em forma de impostos, recursos esses, teoricamente, deveriam ser revertidos para o bem comum, para investimentos e custeio de bens e serviços públicos como saneamento básico, saúde, educação, segurança, transporte, limpeza urbana, entre outros. Diz o dito popular “A voz do povo é a voz de Deus”. Infelizmente, a voz do povo, manifestada nas urnas, nem sempre corresponde à voz de Deus; é ouvida primeiramente pelo Diabo do político corrupto que, com cara e asas de anjo, pede o voto do povo e não faz absolutamente nada por merecê-lo. É assim, desde os tempos que se amarrava cachorro com linguiça. Assistimos passivamente.

Mas, o que têm a ver as eleições municipais de 2012 com o Mensalão? Tudo. A corrupção na política decorre de uma série de fatores combinados entre si. A candidatura do cidadão comum (e não comum) a cargo eletivo é um desses fatores. Conversando com um candidato a vereador, derrotado nas urnas neste domingo, 07/10/2012, ele me confirmou essa tese: “Nas eleições passadas, 2008, recebi 357 votos dos meus eleitores e precisava de 3.000 para me eleger. Meu gasto total com a campanha foi da ordem de R$ 8.000,00 porque não dispunha de recursos para melhor financiá-la, até porque não tive, como não tenho, padrinho político. Pois bem, neste ano de 2012 tentei novamente e no início da campanha fui procurado por um desses marqueteiros que fez uma conta interessante. Dividiu R$ 8.000,00 por 357 eleitores e concluiu que o custo por voto válido foi de R$ 22,41 em 2008. Ora, se para me eleger vereador em 2012 precisaria dos mesmos 3.000 votos válidos, então, a minha previsão de gastos com a campanha ficaria em R$ 67.230,00 (sem correção, ou seja, R$ 22,41 x 3.000). Uma conta fácil de fazer, só que não tinha como arrumar esse dinheiro todo. Foi aí que o marqueteiro entrou na história dizendo para não me preocupar na medida em que ‘dava um jeito’, mas só que eu deveria antes empenhar a minha alma e caso fosse eleito… Deduza”. Com efeito, digo que essa “estória” tem um fundo de verdade, contudo, se o candidato saísse vitorioso jamais confirmaria essa versão dos fatos, diria simplesmente que era mentira e intriga da oposição, numa situação de alguém descobrir de que forma foi dado aquele jeitinho; de sorte que nunca houve acordo com o tal marqueteiro. Ora, se isso acontece com um simples candidato que concorreu pela segunda vez ao cargo de vereador de uma média cidade do interior, imagine quanto ao resto. Fiquemos na imaginação.

Foi dada uma trégua de 72 horas ao julgamento da Ação Penal nº 470, Processo do Mensalão, de sexta-feira, 05, a domingo, dia 07/10/2012. Os meios de comunicação entenderam que o assunto poderia contaminar as eleições. Será? Quem deve ter gostado foi o PT – Partido dos Trabalhadores, por acreditar que o povo tem memória curta. Mas, como hoje é terça-feira, dia 09, terminado o 1º turno das eleições municipais e, sobretudo, a definição dos candidatos que ainda não poderão soltar fogos de artifício porque disputarão o 2º turno, volto a falar sobre o escândalo do Mensalão, que elegeu uma das mais perigosas quadrilhas brasileiras, cujos políticos bandidos participantes estão sendo cassados, ou melhor, deverão ser presos. Espero. Realmente, as eleições são festas democráticas, assim como a livre “postura raivosa” do réu José Genoino, ex-presidente do PT, no último domingo, 07/10, quando abordado por jornalistas na Universidade São Judas, em São Paulo, local onde foi votar – espumando pelas ventas, e tremendo, acabou não votando e não falou com a imprensa, melhor, não falou com os urubus.

“Vocês são urubus que torturam a alma humana. Não podem ficar aqui. Não falo com urubus. Vocês fazem igual aos torturadores da ditadura. Só que agora não tem pau de arara, tem a caneta”.

José Genoino, réu do Mensalão, aos berros.

Até que não são feios.

Até que não são feios.

Meu caro José Genoino, feio e dantesco foi o cenário que a quadrilha do Mensalão deixou nas nossas Instituições, herança maldita dos outrora “Presos políticos” e que Deus permita, transformem-se em “Políticos presos”.

Por onde passou, a quadrilha do Mensalão deixou este cenário.

Por onde passou, a quadrilha do Mensalão deixou este cenário.

Leitura recomendada (clique em): Livro Polítitica

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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